Idoso dado como morto pela 2ª vez segue sem receber aposentadoria e faz bicos para sobreviver em Goiás

Idoso dado como morto pela 2ª vez segue sem receber aposentadoria e faz bicos para sobreviver em Goiás
Morador de Itauçu, de 81 anos, teve CPF cancelado após morte de homem com os mesmos dados na Bahia. Justiça determinou reativação do benefício, mas pagamento ainda não foi restabelecido.
O idoso José Borges da Silva, de 81 anos, morador deItauçu, na região noroeste de Goiás, continua sem receber a aposentadoria do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS)após ser dado como morto pela segunda vez nos sistemas oficiais. Segundo o advogado dele, Rafael Cesário, o benefício ainda não foi restabelecido e a defesa deve fazer um novo pedido à Justiça para tentar resolver o problema.

De acordo com o advogado, a petição deve solicitar que a Receita Federalaltere o status do CPF do idoso, que atualmente consta como “titular falecido”. Outra possibilidade é que aJustiça determine a emissão de um novo CPF para José.

“Nós vamos pedir ao juiz que determine que a Receita altere o status daquele CPF para titular vivo ou, se ele preferir, que determine a criação de um novo CPF para o senhor José Borges diante da gravidade da situação dele estar sem receber o benefício”, explicou Rafael Cesário.

Sem o pagamento da aposentadoria, o idoso afirma que tem sobrevivido com pequenos bicos de reparo e com ajuda de moradores da cidade.

“Eu não aguento mais trabalhar no serviço pesado, mas ainda faço uns servicinhos. Arrumo uma torneira, um chuveiro, emendo um cano quebrado. É disso que estou vivendo e de umas cestas que o povo faz para mim”, contou.

Segundo José, o benefício está suspenso há cerca de um ano e sete meses, o que tem dificultado o pagamento de contas básicas.

Confusão de identidade

O problema começou após o sistema do INSS confundir os dados do morador de Itauçu com os de outro idoso da Bahia que tinha o mesmo nome e informações semelhantes. Segundo o advogado, quando um dos benefícios era ativado, o outro acabava sendo suspenso, já que os dois apareciam vinculados ao mesmo CPF.

A situação chegou a ser investigada pela Polícia Civil de Goiás, que concluiu por meio de laudo pericial que o morador de Itauçu é o verdadeiro titular dos documentos.

CPF cancelado após morte de homônimo

O problema se agravou após a morte do idoso da Bahia, em 2024. De acordo com a defesa, o CPF de José acabou sendo cancelado pela Receita Federal, fazendo com que ele passasse a constar como morto nos sistemas oficiais. Com isso, o benefício voltou a ser suspenso.

Enquanto aguarda uma solução judicial, José diz que continua tentando resolver a situação em diferentes órgãos públicos.

“Para todo lugar que mexe com meu CPF eu estou morto. Já fui no INSS, já fui na Receita Federal, mas até agora nada”, disse.

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