Oavanço no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) 2025foi alavancado pelo desempenho da rede privada. Enquantoa rede pública atingiu a meta apenas nos anos iniciais do ensino fundamental, a rede privada superou as metas para a etapa, além de também ter superado o objetivo nos anos finais e no ensino médio.
Nesta reportagem, veja o panorama do ensino da rede pública, com base noIdebde cada estado, por etapa de ensino. No ensino fundamental, foram considerados os dados de rede pública. No ensino médio, foram considerados os dados da rede estadual.
Atualmente, a rede pública é responsável por 79,9% das matrículas da educação básica do país. A divisão de alunos entre a rede pública e a privada varia de acordo com a etapa de ensino. Segundo o Censo Escolar 2025, a divisão das matrículas por etapa era a seguinte:
Foi justamente nos anos iniciais do ensino fundamental, que contém a menor faixa percentual de alunos, que a rede pública mais avançou no Ideb 2025.
Em comparação com 2023, a rede pública de todas as unidades federativas tiveram índices maiores na etapa. A melhora no desempenho por UF também foi mais significativa nos anos iniciais do que a registrada nos anos finais e no ensino médio da rede pública dos estados.
Com isso, o Ideb dos anos iniciais avançaram de 5,7 em 2023 para 6,1 em 2025, superando a meta estabelecida em 2021, que ainda não foi renovada.
Nos anos finais da rede pública, a maioria das UFs também tiveram melhora de ao menos 0,1 em comparação com a edição anterior do Índice. Apenas Rondônia não teve evolução nas informações avaliadas e permaneceu com 4,7, e Tocantins que pontuou 0,1 a menos em 2025 e também ficou com 4,7 de índice.
De maneira geral, etapa avançou de 4,7 para 5.
O ensino médio público foi a etapa que registrou um avanço mais discreto, passando de 4,1 para 4,3. Com isso, atingiu o maior índice desde 2005, mas continuou distante da meta de 5,2, estabelecida para 2021.
“O avanço nesta etapa é menos expressivo. A matemática entra como um esforço importante de trabalho [nos próximos anos]”, afirmou Leonardo Barchini, ministro da Educação, durante o evento de apresentação dos dados, em Brasília, na quarta-feira (5).
O grande destaque das redes públicas é oParaná, que conseguiu o maior Ideb nos anos iniciais, nos anos finais e no ensino médio. O estado também tem o melhor resultado no indicador de aprendizagem.
O que compõe o Ideb?
O índice cruza duas informações e apresenta resultados em uma escala que vai de 1 a 10:
Especialistas brasileiros e internacionais defendem que a reprovação, quando ocorre de maneira indiscriminada, aumenta consideravelmente o risco de o adolescente abandonar a escola. É mais efetivo, por exemplo, implementar sistemas de recuperação de aprendizagem, para que o jovem possa progredir sem lacunas nos conhecimentos.Em resumo, não basta passar o aluno de ano: é preciso garantir que ele esteja aprendendo.
No cenário geral, há casos de redes que mostraram um avanço real:o Rio Grande do Sul, que saltou de 3,9 para 4,7 no Ideb, apesar de também ter mudado as regras de aprovação, registrou ganhos consistentes na proficiência dos alunos em matemática (de 273,70 para 282,88) e em português (de 281,07 para 291,94).
O mesmo ocorreu com o Piauí, onde o crescimento no Saeb foi um dos mais significativos, suficiente para elevar o estado ao segundo maior Ideb do país nesta etapa.
As redes de Alagoas e de Minas Gerais também se destacaram por uma recuperação mais consistente tanto no fluxo quanto nas notas do Saeb.
O Paraná, que já apresentava bons números em 2023, continua como líder nacional, reforça a ONG Todos Pela Educação.
"O estado do Paraná é um grande destaque por conseguir o maior Ideb entre as redes públicas de todas as etapas. Observando apenas o indicador de aprendizagem [Saeb], o estado também tem o melhor resultado", afirma a análise da instituição.
Estados com maiores retrocessos no Saeb
Alguns estados (além do DF) registraram queda em suas médias no Saeb, com destaque para reduções em Língua Portuguesa:
O que os alunos sabem ou não sabem fazer?
Nível 2: Acre, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Distrito Federal, Rondônia, Paraíba, Sergipe, Alagoas, Amazonas, Amapá, Tocantins, Ceará, Rio Grande do Norte, Pará, Maranhão, Roraima, Rio de Janeiro e Bahia.
Os alunos provavelmente não conseguem:
Nível 2:Acre, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Distrito Federal, Rondônia, Paraíba, Sergipe, Alagoas, Amazonas, Amapá, Tocantins, Ceará, Rio Grande do Norte, Pará, Maranhão, Roraima, Rio de Janeiro e Bahia.
Os alunos provavelmente não conseguem:
Os demais estão no nível 3: Paraná (293,30), Rio Grande do Sul (291,94), Goiás (286,95), Espírito Santo (283,47), Santa Catarina (281,67), Minas Gerais (279,99), Piauí (279,43), Pernambuco (279,29) e São Paulo (276,24).
Eles são capazes de reconhecer o tema de uma crônica e de identificar opiniões divergentes em um texto, mas não sabem:
localizar informações em infográficos que misturam linguagem verbal e visual de forma técnica;
Matemática: dificuldade em resolver
Nível 3:Paraná, Goiás, Piauí, Espírito Santo, Rio Grande do Sul e Pernambuco.
Cumprem as tarefas acima, mas, em geral, não aprenderam a:
Ideb da rede pública melhora nos anos iniciais do ensino fundamental, mas desacelera nas outras etapas; veja a evolução do índice por estado
Relatório reúne informações sobre o fluxo escolar e o desempenho dos estudantes nas avaliações educacionais. O Ideb é calculado a partir dos dados de aprovação escolar coletados pelo Censo Escolar e das médias de desempenho obtidas no Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb).