'Guerra dos memes': EUA e Irã transformam referências pop em propaganda de guerra

'Guerra dos memes': EUA e Irã transformam referências pop em propaganda de guerra
'Divertidamente', animação de Lego, referências a filmes e videogames... Estratégias envolvem campanhas visuais voltadas para provocar reação emocional do público.
OIrãusou o filme "Divertida Mente" e a franquia Lego para provocarDonald TrumpeBenjamin Netanyahu. Por outro lado, os EUA também publicaram vídeos provocativos. Em um deles, trataram os ataques ao país doOriente Médiocomo um jogo de videogame.

Enquanto bombardeios matam militares e civis — além de provocar uma crise no comércio mundial de petróleo —, os governos envolvidos usam inteligência artificial, cultura pop e símbolos emocionais para influenciar a opinião pública.

As estratégias envolvem campanhas visuais voltadas para provocar reação emocional do público. Veja abaixo alguns exemplos.

'Gamificação' da guerra

No dia 4 de março,o governo norte-americano "gamificou" o conflito em uma montagemmostrando bombardeios no Irã. A montagem começa com imagens de um videogame na qual um soldado ativa um ataque aéreo em um tablet e em seguida aparecem vários clipes de bombardeios.

A cada novo alvo atingido, um sinal de "+100" aparece na tela, igual à pontuação atribuída a mortes no jogo de videogame chamado "Call of Duty". Ao longo do vídeo, é possível ouvir ao fundo uma música "hypada" tocando e frases retiradas do jogo de tiro, como "estamos vencendo esta guerra" e "tomamos o controle".

Em alguns casos, os vídeos também usam expressões como “vitória impecável”, referência ao jogo Mortal Kombat, reforçando a ideia de combate transformado em espetáculo.

De Bob Esponja a Metallica

Outro recurso utilizado nas publicações americanas é o uso de personagens populares do cinema e da televisão para promover as operações militares.

Montagens divulgadas nas redes já incluíram figuras como oHomem de Ferro,Walter Whiteda série "Breaking Bad" e até o personagem infantilBob Esponja, que aparece perguntando: "Quer me ver fazer de novo?", antes de aparecer uma imagem do ataque.

Os vídeos costumam ser editados com músicas de bandas de rock e trilhas de ação, criando um clima de “trailer de blockbuster” para as imagens. As publicações recebem elogios de apoiadores do presidente Trump, mas também críticas.

Os vídeos usam músicas como "Enter Sandman", do Metallica, "Thunderstruck", do AC/DC, e "Here Comes the Boom", de Nelly.

O Irã também apostou em conteúdos digitais sofisticados para atacar a imagem dosEstados Unidos, em resposta à estratégia americana. Uma das campanhas usainteligência artificial para parodiar o filme "Divertidamente".

O vídeo foca no bombardeio à escola em Minab, no sul do Irã, que deixou mais de 150 mortos, a maioria crianças. Nele, versões “malignas” das emoções aparecem dentro da mente do presidente Donald Trump, incentivando decisões agressivas e mentiras em coletivas de imprensa.

A animação também faz referência ao escândalo envolvendo o financista Jeffrey Epstein, numa tentativa de associar o líder americano a controvérsias e enfraquecer sua credibilidade.

Animações em estilo Lego

Outra produção divulgada por canais ligados a Teerã utilizaanimações inspiradas nos brinquedos da Lego.

No vídeo, personagens em formato de blocos representam líderes e militares dos dois lados. A narrativa costuma mostrar o Irã como vencedor em confrontos contra Estados Unidos e Israel.