Greve do Banco do Brasil termina na maior parte do país após aprovação de acordo

Greve do Banco do Brasil termina na maior parte do país após aprovação de acordo
Proposta foi aprovada pela maioria das bases sindicais, mas 18 entidades rejeitaram o acordo e devem manter a paralisação.
Os funcionários do Banco do Brasil aprovaram, na tarde desta sexta-feira (11), a proposta de Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) negociada com o banco.

A decisão foi tomada pela maioria das bases sindicais do país e deve encerrar a greve na maior parte das regiões.A paralisação, porém, continuará em locais que rejeitaram a proposta.

Segundo a Comissão de Empresa dos Funcionários do Banco do Brasil (CEBB), a proposta foi aprovada em importantes bases sindicais, como Brasília, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Pernambuco, Porto Alegre, Mato Grosso, Florianópolis, Alagoas, ABC Paulista, Rondônia, Sergipe e Campinas.Cerca de 18 entidades rejeitaram o acordo.

O resultado altera o cenário registrado no início da greve. Na quinta-feira (10), quando os funcionários iniciaram a paralisação por tempo indeterminado, omovimento estava concentrado justamente nas bases que haviam rejeitado a proposta apresentada pelo banco.

Entre elas estavam Brasília, Rio de Janeiro, Porto Alegre, Pernambuco e Florianópolis. Menos de 24 horas depois, essas regiões realizaram novas assembleias e aprovaram o acordo.

Na prática, ossindicatos que aprovaram a proposta vão assinar o ACT e encerrar a paralisação.Já aqueles que rejeitaram o acordo permanecem em greve e defendem a retomada das negociações.

Entre os locais que devem continuar mobilizados estãoAngra dos Reis e bases da Bahia.

Arepresentação dos trabalhadores informou que ainda não havia o resultado consolidado de todas as 18 entidades que rejeitaram a proposta, mas a expectativa é de que a maioria permaneça em greve enquanto avalia os próximos passos do movimento.

A tendência, segundo representantes da categoria, é que essasbases realizem novas assembleias nos próximos dias. Algumas defendem a reabertura das negociações com o banco. Outras estudam formas de pressionar por mudanças na proposta.

A greve dos funcionários do Banco do Brasil começou nesta quinta-feira (10), por tempo indeterminado, depois que parte das bases sindicais rejeitou a proposta apresentada pelo banco para a renovação do Acordo Coletivo de Trabalho (ACT).

A paralisação do BB, desde o início, foi diferente da greve da Caixa Econômica Federal. No Banco do Brasil, o movimento não foi nacional: agreve ficou restrita às bases sindicais que não haviam aprovado o acordo.

Isso aconteceu porque a negociação dos bancários envolve dois níveis. A Convenção Coletiva de Trabalho (CCT), que estabelece regras gerais para a categoria, foi negociada pela Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) e assinada na quarta-feira (9). Já os funcionários do Banco do Brasil também negociam cláusulas específicas com o próprio banco, por meio do ACT.

A nova CCT vale para a categoria bancária em todo o país e reúne cerca de 414 mil bancários de 171 bancos.

O acordo foi assinado por 245 entidades sindicais e prevê reposição integral da inflação medida pelo INPC, além de aumento real de 0,6% nos próximos dois anos. O reajuste também vale para verbas como vale-alimentação, vale-refeição, PLR e auxílios.

Além dos reajustes, aconvenção inclui medidas relacionadas à saúde mental, combate ao assédio, direito à desconexão fora do horário de trabalho e regras de transparência e limites para o monitoramento digital dos funcionários.

No caso do Banco do Brasil, porém, ainda era necessário que as bases sindicais avaliassem a proposta específica negociada com o banco. Na primeira rodada de assembleias, 39 bases aprovaram o acordo, enquanto outras 60 entidades rejeitaram a proposta.

Foi justamente nas bases que não haviam aprovado o acordo que a greve começou na quinta-feira.

Com a retomada das negociações e a realização de novas assembleias nesta sexta-feira (11), o cenário mudou. Aproposta foi aprovada pela maioria das bases.

Com a aprovação, essas bases devem assinar o ACT e encerrar a paralisação. Já os sindicatos que mantiveram a rejeição continuam em greve.

Entre os avanços previstos no acordo estão ocrédito da Participação nos Lucros e Resultados (PLR) em até 72 horas após a assinatura do ACT por todas as bases, um reconhecimento financeiro de R$ 3 mil para o público definido na Campanha de Adimplência 2026 e avanços no Plano de Carreira e Remuneração (PCR).

A proposta também prevê aampliação da licença-paternidade para 35 dias, melhorias para pessoas com deficiência, ações afirmativas e outras cláusulas sociais.

Outro ponto é o abono da paralisação realizada em 20 de agosto.

Segundo Fernanda Lopes, coordenadora da Comissão de Empresa dos Funcionários do Banco do Brasil (CEBB), o resultado foi fruto de um ciclo de negociação marcado por participação e mobilização dos trabalhadores.

A situação da Caixa Econômica Federal é diferente da do Banco do Brasil.

Enquanto a greve do BB é parcial e está concentrada nas bases que rejeitaram o acordo, os funcionários da Caixa entraram em greve nacional por tempo indeterminado nesta quinta-feira (10).

A paralisação ocorreu depois que os trabalhadores rejeitaram a proposta de renovação do ACT apresentada pelo banco.

A negociação da Caixa trata de questões específicas dos empregados da instituição. A entidade que representa os trabalhadores nas negociações é a Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT), por meio da Comissão Executiva dos Empregados (CEE).

Segundo a Contraf-CUT, a proposta apresentada pela Caixa foi rejeitada por mais de 90% das bases sindicais em assembleias realizadas pelo país.

Um dos principais pontos de discordância é o Saúde Caixa, além de outras reivindicações apresentadas pelos trabalhadores desde junho.

A Caixa afirmou que mantém o diálogo aberto com as entidades representativas dos empregados e que retomou as negociações com o objetivo de chegar a um entendimento.

O banco também informou que, caso os trabalhadores não aprovem os termos dentro do prazo, poderá retirar a proposta e ingressar com um dissídio coletivo, levando a renovação do ACT para a Justiça.

O encerramento das negociações está previsto para esta sexta-feira.