Greening: convênio prevê R$ 90 milhões em pesquisa aplicada para combater maior praga da citricultura mundial

Greening: convênio prevê R$ 90 milhões em pesquisa aplicada para combater maior praga da citricultura mundial
Centro de Pesquisa Aplicada (CPA) em Inovação e Sustentabilidade da Citricultura (CPA-Citros), com sede na Esalq, em Piracicaba (SP), congrega departamentos científicos de sete países e fundações.
Ocombate aogreening,a praga mais destrutiva às plantações de laranja no Brasil e no mundo, é um dos pilares que motivaram acriação do Centro de Pesquisa Aplicada (CPA) em Inovação e Sustentabilidade da Citricultura (CPA Citros)por meio de uma parceria público-privada que congrega universidades de diferentes países, fundações, demais órgãos do setor e governo do estado de São Paulo.

Oconvênio prevê R$ 90 milhões a serem aplicados em cinco anos de pesquisa, transferência de tecnologia e educação.

🍊O que é o greening?É uma bactéria considerada a mais destrutiva da citricultura mundial. Os sintomas podem ser observados nas folhas, que apresentam um aspecto amarelado, e nas flores, que ficam secas e murchas, por exemplo.

O acordo, que busca estratégias aplicadas promovidas pelo CPA-Citrus no combate de doenças no setor, foi formalizado nesta segunda-feira (12), na Escola Superior de Agricultura "Luiz de Queiroz" (Esalq), o campus da USP em Piracicaba (SP), e que interliga outros centros de pesquisas.

O convênio interliga 19 instituições e 76 departamentos científicos de sete países, sendo Brasil, Estados Unidos, Portugal, Espanha, França, Inglaterra e Austrália.

A cerimônia da assinatura do convênio teve participação de representantes da universidade, a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), do Fundo de Defesa da Citricultura (Fundecitrus), de produtores do setor e demais órgãos.

Interior de São Paulo

Um levantamento do Fundo de Defesa da Citricultura (Fundecitrus), mantido por citricultores e indústrias de suco do estado, revelou que aregião deLimeira(SP) é a mais afetada pelo greeningno cinturão citrícola de São Paulo e Minas Gerais em 2024.

A liderança no ranking segue uma tendência já observada em anos anteriores. Em relação a 2023, aincidência da doença na região passou de 73,87% para 79,38%. O prejuízo nos pomares e as altas temperaturas têm impacto nos preços da fruta e do suco vendidos ao consumidor.

Na fazenda da família do Lucas Eduardo Boschiero, a plantação de laranjas está na terceira geração. Boa parte da safra é prejudicada pelo greening. Essa situação se repete em muitas outras propriedades rurais da região, uma das principais produtoras da fruta do Brasil.

"Hoje a gente está na região aqui, plantadas mais ou menos 100 mil plantas. Na faixa mais ou menos de 80% [tiveram] infestação pelo greening. Tivemos que percorrer outros estados, como Bahia, Minas, Sergipe e Goiás, para a gente fazer o suco e vender a laranja in natura", conta.

O produtor usa dois preços diferentes para vender a laranja: uma parte vai para a indústria, para a produção de sucos, por exemplo. O que era vendido a R$ 0,80 por quilo custa, agora, R$ 2.

Ao vender para mercados, que distribuem nas gôndulas as frutas maiores e mais bonitas, é ainda mais caro. O que antes custava R$ 1 por quilo passa a custar R$ 3. O impacto, é claro, chega ao consumidor final.

O restaurante do Elias Staiguer funciona onde antes havia uma plantação de laranjas que foi destruída pelo greening. Hoje, o comerciante compra a fruta de outro produtor da região de comanda a própria fábrica de sucos.

"A laranja vem de mais longe, ela está mais cara e tem o frete ainda para impactar mais no valor", destaca Staiguer.

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