Governo Trump exige dados de eleitores para retirar agentes do ICE de Minneapolis, diz secretário de Minnesota: 'Coação ultrajante'

Governo Trump exige dados de eleitores para retirar agentes do ICE de Minneapolis, diz secretário de Minnesota: 'Coação ultrajante'
Carta do Departamento de Justiça enviada ao governo de Minnesota levantou dúvidas sobre objetivos da Casa Branca na investida em Minneapolis. ICE realiza operação anti-imigração na cidade, segundo o governo Trump, porém confrontos com a população causaram 2 mortes.
O Departamento de Justiça dosEstados Unidosexigiu que o governo de Minnesota entregue os dados dos eleitores do estado para recuar seus agentes do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE, na sigla em inglês) em Minneapolis, denunciaram autoridades locais.

A demanda foi feita em meio a uma escalada de tensões de agentes do ICE e a população de Minneapolis, que resultou em protestos, confrontos nas ruas da cidade e em duas mortes.Em uma delas,no sábado, um enfermeiro que protestava contra a agência foi morto a tiros enquanto mobilizado.Em outra, no início de janeiro,um agente matou, também a tiros, uma mulher durante uma abordagemem uma rua de bairro.(Leia mais abaixo)

"Em 24 de janeiro de 2026, a Procuradora-Geral dos EUA, Pam Bondi, enviou uma carta ao governador de Minnesota, Tim Walz. A terceira solicitação da carta era permitir que a Divisão de Direitos Civis do Departamento de Justiça dos EUA (DOJ) tivesse acesso às 'listas de eleitores' de Minnesota. (...) A resposta à solicitação da Procuradora-Geral Bondi é não. Sua carta é uma tentativa ultrajante de coagir Minnesota a fornecer ao governo federal dados privados de milhões de cidadãos americanos, em violação à lei estadual e federal", afirmou o Secretário de Estado de Minnesota, Steve Simon.

A carta do Departamento de Justiça de Trump levantou dúvidas sobre os objetivos da Casa Branca na investida contra Minnesota.O ICE realiza desde dezembro uma ampla operação nas cidades de Minneapolis e Saint Paul —elas são conurbadas e chamadas "Cidades-Irmãs"— com foco anti-imigração, segundo o Departamento de Segurança Interna.

A truculência dos agentes do ICE na operação, no entanto,causou uma revolta popular em Minneapolis, que teve amplas manifestações contra a mobilização federal, confrontos entre civis e agentes. Duas pessoas com a população causaram 2 mortes.

Minnesota é um estado que elegeu candidatos democratas nas últimas 10 eleições presidenciais, desde a década de 1980.Tanto Joe Biden, em 2020, quanto Kamala Harris, em 2024, bateram Trump nas urnas locais. O estado, atualmente governado pelo democrata Tim Walz, terá eleições para governador em novembro —historicamente, democratas e republicanos alternaram o Executivo de Minnesota.

O governo Trump não se manifestou oficialmente sobre a resposta do secretário Simon até a última atualização desta reportagem.

Na carta enviada ao governo de Minnesota, Pam Bondi acusou a gestão de Walz de "se recusar a fazer cumprir a lei" e apoiar os agentes do ICE e fez três exigências para "restaurar o Estado de direito e pôr fim ao caos em Minnesota":

Pam Bondi tinha a carta em mãos durante uma entrevista à TV "Fox News" no sábado,horas após o enfermeiro Alex Pretti ter sido morto por agentes do ICE.Ela chamou o documento de "uma carta com linguagem muito forte" e acusou o governo de Minnesota de proteger assassinos e estupradores. Perguntada se haveria alguma consequência ao estado caso as autoridades locais não cooperassem com o governo Trump, ela disse "veremos sua resposta, esta é uma situação fluida".

ICE x população em Minneapolis

A operação do ICE em Minneapolis ganhou a atenção dentro e fora dos EUA quando uma cidadã norte-americana, Renee Nicole Good, foi morta a tiros por um agente de imigração em 7 de janeiro durante uma abordagem. Ela dirigia um carro que o agente alegou ter avançado contra ele, e autoridades do governo Trump e o próprio presidente reforçaram essa narrativa. Vídeos do incidente mostram, no entanto, que o agente Jonathan Ross não foi acertado pelo veículo antes do disparo.

A morte de Renee gerou protestos em larga escala em Minneapolis, e diversas autoridades, como o prefeito Jacob Frey e o governador Tim Walz, exigiram a saída do ICE da cidade. A agência opera na chamada "Operation Metro Surge", iniciada em dezembro de 2025 na cidade.Comunidades somalis relataram detenções de cidadãos legais.

Em 24 de janeiro de 2026, o enfermeiro Alex Pretti morreu em tiroteio com a Patrulha de Fronteira durante batida do ICE. Pretti, de 42 anos, atendia uma clínica comunitária e interveio para proteger pacientes. O caso levou a greves de professores, fechamento de escolas e ações judiciais de Minnesota contra o governo federal.