Goiás vira modelo nacional e inspira ampliação do diagnóstico de câncer de mama no SUS

Goiás vira modelo nacional e inspira ampliação do diagnóstico de câncer de mama no SUS
Programa Goiás Todo Rosa é citado como referência em reunião da Conitec do Ministério da Saúde.

Goiás se consolidou como referência nacional em saúde da mulher após o programa Goiás Todo Rosa ser citado como modelo durante reunião da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec), do Ministério da Saúde, que recomendou a inclusão do exame genético para câncer de mama na rede pública.

A proposta, apresentada pela Sociedade Brasileira de Mastologia, já havia sido debatida e elogiada por secretários estaduais de saúde de todo o país e recebeu avaliações positivas de representantes nacionais, sendo mencionada como exemplo de política pública voltada ao diagnóstico precoce e ao acesso qualificado aos serviços de saúde.

Na reunião, a Conitec emitiu recomendação final favorável à incorporação do exame de sequenciamento genético para identificação de mutações nos genes BRCA1 e BRCA2, associados ao câncer de mama e ao câncer de ovário, permitindo diagnósticos mais precisos e definição de tratamentos mais eficazes, especialmente em casos não metastáticos.

Para o diretor da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Goiás (UFG), Marcelo Rabahi, o avanço representa um marco na incorporação de novas tecnologias no sistema público, pois abre novos horizontes para pacientes, amplia as possibilidades para profissionais de saúde e reforça o papel da universidade na formulação de políticas de saúde.

A mastologista e professora da UFG, Rosemar Macedo Sousa Rahal, idealizadora do projeto, destacou que levar o programa para outros estados significa multiplicar cuidado, informação e oportunidades de prevenção, promovendo equidade e fortalecendo a autonomia feminina.

O acesso ao exame genético pelo programa começa na rede pública, com a identificação da paciente nas Unidades Básicas de Saúde ou Policlínicas. O programa é destinado a mulheres com diagnóstico de câncer de mama ou de ovário antes dos 40 anos, ou câncer de mama triplo‑negativo antes dos 50 anos, além de pacientes com histórico familiar relevante.

A partir da indicação clínica, coleta‑se sangue ou saliva, as amostras são enviadas ao Centro de Genética Humana do Instituto de Ciências Biológicas da UFG para sequenciamento, com resultado em cerca de um mês. Em seguida, a paciente recebe aconselhamento genético e, se houver mutação nos genes BRCA1 ou BRCA2, tem acesso a monitoramento intensificado, cirurgia preventiva e acompanhamento familiar.

O secretário de Estado da Saúde, Rasível Santos, afirmou que o Goiás Todo Rosa demonstra o avanço da saúde pública em Goiás, investindo em tecnologia e ampliando o acesso a exames de alta precisão, salvando vidas e posicionando o estado como referência nacional no cuidado com a saúde da mulher.

Com a recomendação da Conitec, o exame avança para incorporação no SUS, o que deve ampliar o acesso ao diagnóstico genético e fortalecer a assistência ao câncer de mama em todo o Brasil.