Filha de policial que fez parte da 1ª turma da PRF desabafa sobre últimos momentos ao lado do pai: 'Ele me reconfortou'

Filha de policial que fez parte da 1ª turma da PRF desabafa sobre últimos momentos ao lado do pai: 'Ele me reconfortou'
Antônio Aparecido Flamínio foi descrito como um exemplo de coragem e pioneirismo. De acordo com a filha, ele morava sozinho aos 91 anos e era independente.
A filha do inspetor Antônio Aparecido Flamínio, policial aposentado quemorreu aos 91 anose fez parte da 1ª turma da Polícia Rodoviária Federal (PRF) em Goiás, desabafou sobre os últimos momentos ao lado do pai. A morte de Flamínio, como era conhecido, gerou comoção entre familiares e colegas de profissão.

“Ele ficou lúcido até os últimos dias no hospital. A gente teve muita troca, conseguimos nos despedir e falamos muita coisa. Foi muito intenso. Ele me reconfortou e me deixou tranquila”, relatou Luciana Flamínio, em entrevista à repórter Sarah Gandra.

De acordo com a Luciana, o pai estava com dificuldade de locomoção e fazia exercícios físicos e fisioterapia para se manter ativo. Ela relatou que Flamínio passou mal, mas não resistiu e faleceu no hospital, no domingo (11), emGoiânia.

Apaixonado por futebol e independente

A filha contou que o policial era apaixonado por futebol, tinha o Vila Nova como o seu time do coração e costumava pescar com um amigo na região sul do estado.

“Ele jogava uma hora de ‘Paciência’ todos os dias à noite para treinar o cérebro. Morava sozinho e era completamente independente. Dirigia, ia à feira e ao supermercado. Cuidava de tudo”, relatou Luciana.

Flamínio foi descrito pelo Sindicato dos Policiais Rodoviários Federais de Goiás (SinPRF-GO) como umexemplo de coragem e pioneirismo.

De acordo com a instituição, ele foi o primeiro motociclista de escolta no estado eescoltou o ex-presidente Juscelino Kubitschekdurante a construção de Brasília. O policial atuou em "operações que exigiam preparo técnico, coragem e compromisso com a missão institucional".

"Flaminio é reconhecido como um orgulho para a instituição, não apenas pela trajetória construída, mas pelo papel decisivo na consolidação do trabalho policial nas rodovias federais do estado", destacou o sindicato.

Sua trajetória iniciou em 1959, em Anápolis, na região central de Goiás, quando apenas 15 homens começaram a escrever a história da PRF no estado. De acordo com a instituição, na época, as rodovias eram caminhos de terra, marcados por isolamento e muito trabalho braçal.

O sindicato pontuou o pioneirismo do grupo e o compromisso com o serviço público. “Eles chegaram antes do asfalto, antes da estrutura, levando disciplina, presença do Estado e compromisso com o serviço público”, escreveu o órgão.

O policial atuou de forma decisiva na implantação e no desenvolvimento das BRs 060 e 153, ajudando a estabelecer referências operacionais e a abrir caminhos para gerações de policiais rodoviários federais, ressaltou o SinPRF-GO.

"Seu legado permanece vivo na história da PRF em Goiás e nas rodovias que ajudou a erguer. Um exemplo de coragem, pioneirismo e amor à missão", finalizou o texto.

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