'Exército' de mascarados: o que o ICE alega para esconder o rosto de agentes de imigração e por que isso é perigoso

'Exército' de mascarados: o que o ICE alega para esconder o rosto de agentes de imigração e por que isso é perigoso
Uso de máscaras é defendido pelo governo Trump como medida de proteção às informações pessoais dos agentes. Oposição e ONGs veem falta de transparência e risco de impunidade.
As operações conduzidas pelo Serviço de Imigração dosEstados Unidos(ICE, na sigla em inglês) têm sido alvo de polêmicas nas últimas semanas, após duas mortes de cidadãos americanos e episódios de violência contra manifestantes que se opõem às ações. Mas outro fator também tem chamado a atenção: as máscaras usadas pelos agentes.

▶️ Contexto:Agentes do ICE estão sendo empregados pelo governo de Donald Trump para procurar imigrantes em situação irregular e detê-los. Os alvos, em geral, são as chamadas “cidades-santuário”, que concentram grande número de estrangeiros.

De acordo com o governo americano, os agentes do ICE também estão autorizados a usar máscaras para evitar serem reconhecidos por civis e terem dados pessoais expostos. O argumento é que as famílias dos servidores poderiam ser colocadas em risco.

“Todos os agentes do ICE portam distintivos e credenciais e se identificam quando necessário para a segurança pública ou por exigência legal”, justifica o governo.

Na prática, no entanto, há denúncias de pouca transparência no trabalho dos agentes de imigração. Um artigo publicado pela organização Human Rights Watch (HRW), em dezembro, aponta que a falta de identificação abre margem para abusos.

A organização afirma ter entrevistado 18 pessoas que foram presas ou testemunharam prisões feitas pelo ICE desde que Trump retornou à Casa Branca, em janeiro de 2025.

“Todas descreveram os incidentes como assustadores, com sensação de impotência diante de possíveis abusos, especialmente por se tratarem de agentes não identificáveis”, diz o relatório.

Segundo Belkis Wille, diretora da Divisão de Crises e Conflitos da HRW, os agentes precisam ser identificáveis para que possam ser responsabilizados em casos de conduta ilegal durante as operações.

“Esse tipo de sigilo deveria ser uma exceção, nunca a regra. E é ainda mais alarmante considerando os abusos generalizados associados às prisões de imigrantes nos últimos meses”, afirma.

A HRW afirma que, em alguns casos, agentes do ICE já detiveram imigrantes usando roupas civis e veículos descaracterizados. Há relatos de servidores que ocultaram insígnias da agência para abordar pessoas em locais como tribunais, escolas e residências.

Oposição quer mudanças

O governo Trump tem feito um grande esforço para contratar novos agentes para o ICE. O objetivo é cumprir a promessa de deportar 1 milhão de imigrantes em situação irregular por ano. Para isso, a administração federal tem prometido bônus em dinheiro e descontos em dívidas estudantis.

As medidas têm surtido efeito. O número de agentes do ICE cresceu rapidamente, passando de 10 mil para 22 mil em apenas um ano. Dados da própria agência indicam que mais de 220 mil pessoas se candidataram a vagas no serviço de imigração.

👉 A rapidez nas contratações, no entanto, levantouquestionamentos sobre os critérios adotadose sobre a redução no tempo de treinamento dos agentes. Episódios recentes de violência também levaram parlamentares da oposição a pressionar por mudanças.

“O que o ICE está fazendo é brutalidade sancionada pelo Estado. Isso precisa parar”, disse o líder democrata no Senado, Chuck Schumer.

Na segunda-feira (2), uma das exigências foi parcialmente atendida. A secretária de Segurança Interna dos Estados Unidos, Kristi Noem, afirmou que o governo iniciou adistribuição de câmeras corporais para agentes do ICEem serviço em Minneapolis.

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