EUA, Ucrânia e Rússia iniciam nova rodada de negociações pelo fim da guerra

EUA, Ucrânia e Rússia iniciam nova rodada de negociações pelo fim da guerra
Autoridades estão reunidas em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes. Os debates tentam encerrar quatro anos de conflito no leste europeu.
Uma nova rodada de negociações de paz entre delegações da Rússia e da Ucrânia, mediada pelosEstados Unidos, começou nesta quinta-feira (5).O ministro russo Kirill Dmitriev afirma quehouve progresso no acordo.

"Estamos trabalhando nos mesmos formatos de ontem: consultas trilaterais, trabalho em grupo e maior sincronização de posições", disse o principal negociador ucraniano, Rustem Umerov.

Essa é a segunda parte das negociações, que teve início em janeiro.

O governo ucraniano está sob pressão dos Estados Unidos para aceitar o acordo para interromper a guerra, que já dura quase quatro anos. Ao mesmo tempo, lida com uma campanha de ataques aéreos que devastou o seu sistema de energia durante um dos invernos mais frios dos últimos anos.

Encontros anteriores

Enviados de Moscou, Kiev e dos Estados Unidos se reuniram na semana passada em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos.A rodada terminou sem avanços concretos.

“Acabamos de receber um relatório da nossa equipe de negociação. A Ucrânia está pronta para negociações substantivas e estamos interessados em um resultado que nos aproxime de um fim real e digno da guerra”, disse Zelensky em publicação no X.

No último sábado (31), o principal enviado russo, Kirill Dmitriev, afirmou ter realizado uma "reunião construtiva com a delegação de pacificação dos EUA" na Flórida.

Até agora, as autoridades divulgaram poucos detalhes sobre as conversas em Abu Dhabi.A iniciativa é encabeçada pelo governo deDonald Trump.

Embora autoridades ucranianas e russas tenham concordado, em princípio, com os apelos de Washington por um compromisso, Moscou e Kiev divergem profundamente sobre os termos do acordo.

Uma questão central é se a Rússia deve manter ou se retirar das áreas da Ucrânia ocupadas por suas forças, especialmente o coração industrial do leste do país, conhecido como Donbas.

Além de Donbas, o Kremlin exige a concessão do território de Donetsk,que segue sob controle ucraniano, e a rejeição definitiva dos ucranianos à Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte).

Em outubro do ano passado, líderes da União Europeia e da Ucrânia começaram a elaborar um plano de paz com 12 pontos que prevê somente a concessão de territórios ucranianos já ocupados pela Rússia.

Ataque russo em meio ao frio

A Rússia lançou um ataque maciço contra a Ucrânia na última terça-feira (3), segundo o ministro das Relações Exteriores ucraniano, Andrii Sybiha. De acordo com o governo ucraniano, foram lançados cerca de 450 drones e 70 mísseis.

"Nem os esforços diplomáticos previstos em Abu Dhabi esta semana, nem as promessas aos Estados Unidos impediram [a Rússia] de continuar a aterrorizar pessoas comuns no inverno mais rigoroso", escreveu Sybiha no X.

Segundo o prefeito da capital ucraniana, Kiev, 1.170 prédios residenciais na capital ficaram sem aquecimento após o ataque.

O presidente ucranianoVolodymyr Zelenskyafirmou que a Rússia está priorizando mais ataques em detrimento das negociações de paz.

"Aproveitar os dias mais frios do inverno para aterrorizar as pessoas é mais importante para a Rússia do que recorrer à diplomacia", escreveu Zelensky nas redes sociais, acrescentando que as forças russas atacaram com "mais de 70 mísseis no total, além de 450 drones de ataque".

A ofensiva ocorreu às vésperas da nova rodada de negociação.

Nesta segunda-feira (2), o presidente dos EUA, Donald Trump, disse que pode ter "boas notícias" nas negociações de paz entre Rússia e Ucrânia, que tentam encerrar a guerra por meio de diálogos mediados por Washington.

O pano de fundo da negociação

Em outubro do ano passado, líderes da União Europeia e da Ucrânia começaram a elaborar um plano de paz com 12 pontos que prevê a concessão de territórios ucranianos ocupados pela Rússia.

No total, o texto tem 12 pontos, segundo noticiou a agência de notícias Bloomberg à época. Entre eles estavam:

Já o Kremlinhavia externado quatro exigências para o fim do conflito:

Donald Trump vem pressionando europeus pelo fim da guerra, mesmo que isso signifique a concessão de territórios a Putin. O presidente americano já fez propostas para terminar o conflito, porém nenhuma delas avançou até o momento.