O Departamento de Estado dosEstados Unidosnão publicou, pelo segundo ano consecutivo, um comunicado em homenagem ao Dia da Independência do Brasil, celebrado na segunda-feira (7). A prática é usada pelo governo americano para parabenizar países pelo"Dia Nacional", que pode marcar desde aniversários de independência até a celebração de uma padroeira.
Um levantamento feito pelog1com base em comunicados publicados no site do Departamento de Estado apontou que, nos últimos 12 meses, os EUA enviaram parabéns a governos ou povos de mais de 180 países. O Brasil aparece ao lado de outras nove nações que ficaram de fora.
"Que os anos vindouros continuem a fortalecer nossos laços e nossos valores democráticos compartilhados. Os Estados Unidos desejam ao povo brasileiro uma feliz celebração do Dia da Independência", dizia a nota.
Mas o tom mudou após o presidente Donald Trump voltar à Casa Branca, em janeiro de 2025. Desde então, as relações diplomáticas entre Brasil e Estados Unidos se deterioraram e entraram em uma crise com a aplicação de tarifas e sanções por parte do governo norte-americano.
É comum que os Estados Unidos publiquem notas públicas sobre o "Dia Nacional" de um país amigo. No último ano, o governo Trump comemorou até mesmo datas importantes de países com relações conturbadas, como Rússia, China e Venezuela.
Na terça-feira (8), por exemplo, o Departamento de Estado enviou felicitações aAndorra, que fica entre a Espanha e a França. Na data, o país celebra o Dia de Nossa Senhora de Meritxell, padroeira de Andorra e feriado que corresponde ao Dia Nacional do país.
"Enquanto o povo de Andorra celebra este dia importante, os Estados Unidos reafirmam sua parceria com o Principado e estendem seus mais calorosos cumprimentos ao povo andorrano no próximo ano", diz a nota assinada pelo secretário de Estado, Marco Rubio.
👉Veja no mapa abaixo os países que os EUA parabenizaram nos últimos 12 meses:
Há algumas exceções a serem notadas:
O levantamento levou em consideração publicações feitas entre 10 de setembro de 2025 e esta quarta-feira (9).
As relações entre Brasil e Estados Unidos começaram a se deteriorar em julho do ano passado, quando Trump anunciou tarifas sobre produtos brasileiros importados pelos americanos.
Na época, o presidente dos EUA justificou o tarifaço pelo quechamou de "caça às bruxas"contra o ex-presidente Jair Bolsonaro.
No entanto, a relação entre os dois países voltou a se desgastar no fim de maio, quando os EUA classificaram as facções brasileiras Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV)como organizações terroristas.
A decisão foi anunciada dias após o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência da República,se reunir com Trumpe com osecretário Marco Rubionos Estados Unidos.
Semanas depois, os EUA anunciaram novas tarifas contra o Brasil. Em 22 de julho, entrou em vigor umataxa de 25%como resultado de uma investigação aberta com base na Seção 301 da Lei de Comércio.
A medida foi anunciada após o governo Trump concluir que o Brasil adota práticas que "oneram ou restringem" o comércio com os EUA. Entre os exemplos citadosestão o sistema de pagamentos PIXe a regulação de plataformas digitais.
Dois dias depois, os EUA confirmaram outra tarifa, de 12,5%, contra o Brasil e dezenas de outros países. O governo americano alegou práticas comerciais desleais relacionadas àfalta de combate ao trabalho forçado.
Ainda em 24 de julho, oItamaraty negou vistos a dois diplomatas do Departamento de Estadoque viajariam ao Brasil: o secretário-assistente Riley M. Barnes e o subsecretário-assistente Samuel Samson.
Embaixadora com visto revogado
Em agosto,o visto da embaixadora do Brasil em Washington foi revogado. Segundo o Departamento de Estado, a medida foi uma resposta à demora das autoridades brasileiras em conceder o aval diplomático para que Daniel Perez assuma a embaixada dos EUA no Brasil.
Perez foi indicado ao cargo de embaixador dos EUA no Brasil em junho. Segundo oblog da Ana Flor, a indicação delecausou mal-estar no governo brasileiroporque o anúncio foi feito antes de uma consulta reservada às autoridades brasileiras.
Em nota divulgada à época, oItamaraty repudiou a decisão americanae disse que as justificativas apresentadas pelo Departamento de Estado são "falsas".
"[A medida] Faz parte de uma escalada deliberada de medidas hostis ao Brasil, motivadas por razões ideológicas incompatíveis com uma parceria bilateral que sempre foi pautada pelo respeito mútuo", afirmou.
"Fica óbvio também o interesse descabido de interferir na próxima eleição para presidente."
Em uma entrevista no fim do mês passado, Perez afirmou que não irá se envolver nas eleições presidenciais de outubro. Ele também disse que irá trabalhar para que Brasil e EUA alcancem um acordo comercial que seja benéfico para os dois países.
EUA parabenizaram mais de 180 países em 12 meses; Brasil, Coreia do Norte, Irã e mais 7 são ignorados
Governo Trump fez comunicados sobre feriados de independência e até de padroeira. Levantamento leva em consideração comunicados do Departamento de Estado ou de embaixadas dos EUA.