Cerca de 50 integrantes do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas dosEstados Unidosforam submetidos a testes de polígrafo durante uma investigação sobre vazamentos de informações para jornalistas, revelou o jornal The New York Times nesta sexta-feira (4).
De acordo com a reportagem, militares e funcionários civis foram questionados sobre o possível repasse de informações classificadas à imprensa. Os investigadores também perguntaram se eles haviam divulgado dados sobre a baixa nos estoques de munições dos Estados Unidos.
Fontes ouvidas pelo jornal afirmaram que a investigação busca identificar quem teria fornecido aos jornalistas informações consideradas sigilosas sobre a situação dos estoques de munições.
O New York Times informou que os testes representam uma medida incomum dentro do Pentágono. De acordo com o jornal, o Estado-Maior Conjunto dos EUA reúne entre 1.500 e 2 mil militares e funcionários civis.
Procurado pelo jornal, o porta-voz do Pentágono, Sean Parnell, afirmou que o Departamento de Defesa não comenta questões internas relacionadas a funcionários ou investigações.
Os Estados Unidos usaram uma parcela significativa de mísseis empregados em operações de ataque e defesa, de acordo com informações obtidas pela agência Reuters e um relatório do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS) publicados em agosto.
A redução nos estoques levantou preocupações sobre a capacidade de resposta do país em possíveis conflitos futuros. Segundo a Reuters,os EUA utilizaram "praticamente todo" o estoque de mísseisde precisão de longo alcance durante a guerra contra o Irã.
Segundo o jornal The Washington Post, a baixa nos estoquesirritou o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que cobrou o secretário de Guerra, Pete Hegseth, pelos números. Fontes disseram ao jornal que o presidente teria se sentido enganado ao conhecer a situação real dos estoques.
Em entrevista aog1em agosto, Paulo Roberto da Silva Gomes Filho, mestre em Ciências Militares explicou que a reduçãopode representar um problema para os Estados Unidos, principalmente em relação aos mísseis interceptadores, responsáveis por repelir ataques.
"Essa é uma capacidade fundamental, porque esses mísseis são os únicos capazes de interceptar mísseis balísticos; por isso, trata-se de uma vulnerabilidade bastante grande", disse.
"Qualquer país que tenha mísseis balísticos, como China, Rússia, Coreia do Norte ou Irã, apresentaria uma ameaça aos Estados Unidos no caso de uma carência de armamentos dessa natureza."
EUA fazem teste de polígrafo nas Forças Armadas após vazamentos para imprensa, diz jornal
Segundo o The New York Times, 50 integrantes do Estado-Maior Conjunto foram questionados sobre o repasse de informações para jornalistas, principalmente sobre estoques de armas.