O governo espanhol ameaçou impor represálias aos viajantes vindos daItáliacaso o país não suspenda até este domingo (9) os controles de fronteira impostos àEspanha.
A decisão, tomada após a entrada em massa de migrantes em Ceuta, território espanhol no norte da África, na semana passada, suspendeu a livre circulação entre os dois países, prevista pelo Acordo de Schengen para todos os países que fazem parte daUnião Europeia.
As medidas da Itália foram "injustas, contrárias aos interesses da União Europeia e discriminatórias para a população da Espanha", argumentou o governo em comunicado divulgado na sexta-feira, ressaltando que nenhum migrante que chegou a Ceuta de forma irregular na semana passada conseguiu entrar livremente no Espaço Schengen.
A Espanha se opôs a uma proposta da Itália para enviar imigrantes ilegais na União Europeia a centros de deportação em países terceiros (localizados fora de seu território, afirmou nesta terça-feira (4) o ministro do Interior espanhol após uma reunião do bloco para discutir a crise migratória em Ceuta.
A reunião ocorreu após a entrada ilegal a nado de dezenas de milhares de migrantes africanos vindos deMarrocosno exclave espanhol no norte da África - o que causou uma crise política na União Européia.
O encontro reuniu ministros do Interior de países-membros do bloco europeu para discutir as consequências do incidente e novas medidas para reforçar as fronteiras externas do bloco.
Durante a reunião, o ministro espanhol Fernando Grande-Marlaskase opôs a uma proposta apresentada pela Itália, que sugeria usar recursos da UE para financiar centros de deportação em países terceirospara onde imigrantes ilegais poderiam ser levados.
👉 Grande-Marlaska também atualizou para72 milo número de africanos que entraram ilegalmente em Ceuta, e acrescentou que 70 mil já foram devolvidos ao Marrocos. O incidente deixou 75 mortos,a maioria deles afogados no mar Mediterrâneo.
Tráfico humano e desinformação nas redes
O comissário da UE responsável pelos assuntos internos e migração, Magnus Brunner, afirmou nesta terça queos representantes dos países manifestaram total solidariedade à Espanha durante a reunião.
Brunner disse também que a reunião foi importante para confirmar que nenhum dos africanos que entraram em Ceuta chegaram à Europa continental e que o incidente no exclave espanhol foi incitado por redes de tráfico humano campanhas de desinformação nas redes sociais.
Segundo Brunner, o continente "teve sua resiliência desafiada" com a crise em Ceuta e passou no teste com atuação rápida e solidariedade, e resistiu à desinformação.
A Dinamarca, que durante a crise havia criticado a Espanha e defendido a suspensão do país ibérico no Espaço Schengen, mudou de tom e disse estar "muito satisfeita" com a resposta do governo espanhol em Ceuta.
Consequências da crise migratória em Ceuta
Apresença de menores desacompanhadosagravou o impasse humanitário. Autoridades locais estimam que 862 crianças e adolescentes migrantes estejam em Ceuta, sob proteção legal especial contra deportação. Dois centros de acolhimento, um para adultos e outro para menores, entraram em colapso diante da demanda.
A crise também abriu uma disputa política dentro da própria União Europeia.A Itália suspendeu por um mês a livre circulação com a Espanha no Espaço Schengen, retomando controles em viagens aéreas e marítimas entre os dois países. O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, criticou a medida e acusou governos europeus de reagirem de forma egoísta e polarizadora.
A presidente da Comissão Europeia,Ursula von der Leyen, tentou reduzir as tensões ao agradecer à Espanha pela atuação na crise eafirmar que Madri agiu de forma eficientepara impedir o deslocamento dos migrantes para a Europa continental. Ela também defendeu que o bloco faça mais para reforçar pontos críticos de suas fronteiras externas, com maior vigilância, barreiras físicas e apoio da Frontex.
Segundo a colunista dog1Sandra Cohen, o caos em Ceuta fortaleceu o discurso anti-imigração e forneceu munição a partidos de direita e extrema direita na Europa e nos Estados Unidos.
Para ela,as imagens da travessia e do desespero dos migrantes passaram a ser exploradas politicamente por lideranças que buscam associar imigração a medo, desordem e insegurança, isolando Sánchez em um momento de forte pressão sobre a política migratória espanhola.
Espanha ameaça retaliar Itália caso livre circulação entre os países não seja retomada
O governo espanhol ameaçou impor represálias aos viajantes vindos daItáliacaso o país não suspenda até este domingo (9) os controles de fronteira impostos àEspanha. A decisão, tomada após a entrada em massa de migrantes em Ceuta, território espanhol no norte da África, na semana passada, suspendeu a livre circulação entre os dois países, prevista pelo Acordo de Schengen para todos os países que fazem parte daUnião Europeia. As medidas da Itália foram "injustas, contrárias aos interesses da Uni