Os dados do Censo Escolar 2025, divulgados nesta quinta-feira (26) peloInstituto Nacional de Estudos e Pesquisas EducacionaisAnísio Teixeira (Inep), mostram que, apesar de o número total de alunos matriculados na educação básica ter caído vertiginosamente (1 milhão a menos em apenas um ano), dois pilares continuaram avançando:
Veja os números abaixo:
A jornada estendida de estudantes nas escolas é vista por especialistas como uma alternativa para:
➡️De 2024 a 2025, em todas as etapas, houve um aumento (mesmo que discreto) na porcentagem de alunos matriculados em tempo integral, principalmente na rede pública.
Veja o gráfico abaixo:
Isso ocorreu principalmente por uma mudança na legislação, pela aprovação da Emenda Constitucional nº 135/2024 (parte do pacote de ajuste fiscal).
Os recursos para fomentar o programa passaram a ficar vinculados ao Fundeb (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica), transferindo a responsabilidade para estados e municípios.A partir de 2026, prefeitos e governadores passaram a ter de aplicar ao menos 4% da verba do fundo em iniciativas relacionadas ao fomento das matrículas em tempo integral.
“É uma responsabilidade que entra dentro de um dinheiro que eles já recebiam antes. Precisamos acompanhar essa repercussão e ver se os avanços vão se sustentar. Tivemos uma evolução recente importante”, afirma Gabriel Corrêa, diretor de políticas públicas da ONG Todos Pela Educação.
No Novo Ensino Médio, parte da carga horária dos estudantes é dedicada a “itinerários formativos”: são “trilhas” de aprofundamento em áreas escolhidas pelos próprios jovens.
É possível, por exemplo, que uma escola ofereça a opção de um itinerário que mescle Matemática e Ciências da Natureza ou Linguagens e Ciências Humanas.
Uma das alternativas é justamente a Educação Profissional e Tecnológica (EPT), na qual entra o ensino técnico.A intenção é que os jovens aliem o currículo básico do ensino médio a formações profissionalizantes, que os preparem melhor para o mercado de trabalho.
No levantamento a partir de dados do Censo, og1considerou três categorias:
De 2024 a 2025, houve umincremento de cerca de 208 mil novas matrículas: de 1.082.146 para 1.290.081.
A maior parte dos alunos está em escolas estaduais (75% do total). Em seguida, aparecem os institutos federais (19%), a rede privada (4%) e as escolas municipais (0,8%).
➡️Número de professores temporários continua alto
O Censo Escolar mostrou que o número de professores temporários está acima do aceitável. Mais de 813 mil profissionais tinham este tipo de vínculo em 2025, o que representava cerca de 42,6% de todos os docentes em atuação na educação básica.
Em geral, contratos temporários envolvem condições de trabalho mais precarizadas, como a ausência de aumentos ou de bônus (como quinquênios) por tempo de carreira.
Na rede estadual, o problema é ainda maior: os temporários são maioria (48,6%) e ultrapassam os efetivos (48,5%).Há, ainda, os terceirizados (0,63%) e os "CLT" (2,18%).
➡️Índice de professores com licenciatura cai
Outro cenário revelado pelo Censo foi o de queda no índice de professores de educação básica com licenciatura.Mesmo que 96,1% dos professores tivessem formação docente em 2025, a taxa era maior em 2024 (96,85%).
Além disso, apenas 4,04% dos professores de educação básica em atuação no ano passado tinham mestrado. Aqueles com doutorado eram 1,13%. Em 2024, eram 3,9% com mestrado e 1,11% com doutorado.
➡️Sobe número de alunos pretos e pardos na educação básica
Os dados raciais mostram que:
Ensino técnico e educação integral crescem em 2025, mesmo em cenário desfavorável, mostra Censo
No total, a educação básica perdeu cerca de 1 milhão de alunos entre 2024 e 2025. Ainda assim, educação profissional e ensino em tempo integral 'resistiram' às quedas e registraram crescimento.