Enamed: leia questões consideradas fáceis para alunos de Medicina que tiveram alto índice de erros entre reprovados

Enamed: leia questões consideradas fáceis para alunos de Medicina que tiveram alto índice de erros entre reprovados
Fantástico teve acesso a respostas do Enamed e mostra erros em situações comuns do atendimento, como diagnóstico de dengue, dor de cabeça e prescrição de medicamentos.
OFantásticoteve acesso ao relatório doExame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed), que teve mais de 30% dos cursos reprovados. A reportagem mostrou questões consideradas fáceis que tiveram alto índice de erro entre os 13 mil alunos reprovados, que acertarammenos de 60% da prova.As perguntas abordam situações rotineiras da atenção primária — como dengue, dor de cabeça e doença de Parkinson.Leia, abaixo, as questões na íntegra, conforme apresentadas no exame, e veja as respostas corretas.

📌 QUESTÃO 26 — Dengue (classificação e manejo)

Homem de 34 anos se dirige à Unidade Básica de Saúde (UBS) com febre (38,5 °C), dores de moderada intensidade e manchas no corpo há 3 dias. No dia da consulta, iniciou com vômitos incoercíveis. Exame físico: prostrado, mucosas coradas, extremidades bem perfundidas. Pressão arterial de 120 x 80 mmHg, frequência respiratória de 16 irpm, frequência cardíaca de 80 bpm. Leve dor à palpação abdominal, sem outras alterações.

Qual a hipótese diagnóstica e o manejo, respectivamente?

A) Dengue grupo B. Prescrever hidratação oral, analgésico e antiemético; solicitar hemograma, plaquetas e antígeno NS1; realizar acompanhamento domiciliar após exames.

B) Dengue grupo C. Prescrever hidratação oral, analgésico e antiemético; solicitar hemograma, plaquetas e IgM; realizar acompanhamento ambulatorial após exames.

C) Dengue grupo A. Prescrever hidratação parenteral, analgésico e antiemético; solicitar hemograma, plaquetas e antígeno NS1; manter em leito de observação até estabilização.

D) Dengue grupo B. Prescrever hidratação parenteral, analgésico e antiemético; solicitar hemograma, plaquetas, antígeno NS1 e anticorpo IgM; manter em leito de observação até estabilização.

C) Dengue grupo A. Prescrever hidratação parenteral, analgésico e antiemético; solicitar hemograma, plaquetas e antígeno NS1; manter em leito de observação até estabilização.

📌 QUESTÃO 22 — Doença de Parkinson (terapia inicial)

Mulher de 65 anos iniciou quadro de lentidão dos movimentos há 6 meses, com dificuldade para amarrar sapatos, roupas e digitar. Ao caminhar, apresentava passos mais curtos e sensação de instabilidade, com 1 episódio de queda. Concomitantemente apresentou tremores nas mãos, de repouso, associados à rigidez e alteração do padrão do sono. Nega alterações de memória e cognição. Ao exame físico apresentava fácies em máscara, marcha em pequenos passos, frequência cardíaca de 88 bpm com ausculta sem alterações, pressão arterial de 130 x 80 mmHg, tremores assimétricos nos membros superiores, hipertonia em roda dentada.

A ressonância nuclear magnética realizada há 2 semanas constatou atrofia cerebral compatível com a idade.

O tratamento medicamentoso inicial recomendado para o caso clínico será:

A) levodopa e carbidopa.

B) donepezila e memantina.

C) propranolol e amantadina.

D) atorvastatina e baclofeno.

A) levodopa e carbidopa.

📌 QUESTÃO 86 — Cefaleia (arterite temporal e exame inicial)

Mulher de 55 anos, sem história de doenças crônicas, procura atendimento por queixa de cefaleia persistente em ambos os lados do crânio, associada a alterações de visão (amaurose fugaz e diplopia), cansaço e artralgias. Relata dor em couro cabeludo. Notou perda de peso (2 kg em 2 meses). Nega fotofobia ou fonofobia, febre ou náuseas, e afirma que não acorda de madrugada por conta da cefaleia. Nega qualquer problema de ordem emocional. Ao exame, a paciente encontra-se afebril, com pupilas isocóricas e sem rigidez de nuca.

Qual é o tipo de cefaleia dessa paciente, e qual exame seria útil na sua investigação preliminar, respectivamente?

A) Cefaleia primária (cefaleia tensional); nenhum exame é necessário.

B) Cefaleia secundária (hemorragia subaracnoidea); análise de líquor.

C) Cefaleia primária (migrânea); tomografia computadorizada de encéfalo.

D) Cefaleia secundária (arterite temporal); velocidade de hemossedimentação.

D) Cefaleia secundária (arterite temporal); velocidade de hemossedimentação.

Erros em perguntas básicas acendem alerta

O Inep classificou as questões como de baixa dificuldade, cujo conteúdo deveria ser de domínio obrigatório para quem já passou por estágios e teve contato real com pacientes. Mas a reportagem também revelou problemas estruturais relatados pelos próprios estudantes, como:

Casos de docentes ensinando protocolos incorretos em sala de aula também foram relatados por alunos de cursos mal avaliados.

Consequências e medidas anunciadas

De acordo com o Ministério da Educação, instituições com notas mais baixas no Enamed podem sofrer:

O Conselho Federal de Medicina (CFM) também defende a aprovação do Profmed, exame obrigatório para obtenção do registro profissional após a formatura — proposta que deve avançar no Senado.

“É muito preocupante estarmos formando um percentual significativo de profissionais que estarão atendendo a população com lacunas graves de conhecimento”, afirmou o presidente do CFM.

Formação desigual e impacto na reputação

Para estudantes entrevistados, a deficiência no ensino não apenas compromete o desempenho no Enamed, mas afeta também suas perspectivas de carreira.

“A gente quer falar com orgulho de onde veio. A reputação da instituição pesa muito”, desabafou um aluno.

Os resultados completos do Enamed, segundo o MEC, estão disponíveis no portal dog1.

Veja a reportagem completa no vídeo abaixo:

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