OsEmirados ÁrabesUnidos tentaram persuadir países vizinhos, incluindo aArábia Sauditae oCatar, a participar de uma resposta militar coordenada aos ataques retaliatórios doIrã, revelou nesta sexta-feira (15) a agência de notícias norte-americana Bloomberg.
A articulação, no entanto, não deu certo e o governo emiradense ficou frustradoquando os vizinhos recusaram o contra-ataque contra Teerã, segundo autoridades ouvidas pela agência.
Segundo a Bloomberg, a tentativa de organizar uma resposta aos ataques iranianos ocorreu ainda no começo da guerra noOriente Médio. O presidente emiradense, o sheik Mohammed bin Zayed, realizou uma série de ligações com outros líderes, incluindo o príncipe herdeiro saudita Mohammed bin Salman, pouco depois dos EUA e Israel começarem a bombardear o Irã em 28 de fevereiro.
O conflito no Oriente Médio, que ainda não acabou e está em um período de cessar-fogo desde o início de abril, é travado entre EUA, Israel e Irã, porém nações do Golfo Pérsico foram alvos de bombardeiosretaliatórios iranianos por abrigarem bases militares norte-americanas. Isso irritou os países árabes, que se viram arrastados para uma guerra que não é deles, porémhesitaram em responder militarmente porque não queriam ser associados a Israel.
Segundo fontes da Bloomberg, Zayed estava convencido desde o início da guerra da necessidade de retaliar em grupo para dissuadir o Irã de seus ataques retaliatórios.O sheik emiradense chegou a invocar o Conselho de Cooperação do Golfo —bloco de seis países fundado em 1981 para unir países da região contra a ameaça do Irã— durante as ligações, porém sem sucesso. Seus vizinhos afirmaram que a guerra não lhes dizia respeito.
A negativa teria deixado Zayed "irritado", e a diferença de opiniões com os vizinhos teria culminado entre uma piora das relações diplomáticas com a Arábia Saudita e asaída dos Emirados da Opep, segundo a Bloomberg.
Mesmo com a negativa de seus vizinhos,o governo emiradense decidiu prosseguir sozinho em sua resposta contra o Irã e rapidamente passou a trabalhar com o governo Trump e Israel.Como resultado,os Emirados Árabes realizaram ataques secretos contra o Irã no início de abril, segundo revelou o jornal norte-americano "The Wall Street Journal".
Os Emirados Árabes foram um dos países mais alvejados pelo Irã em seus ataques retaliatórios na guerra no Oriente Médio, com quase três mil mísseis e drones disparados por Teerã contra o território emiradense. A maioria dos projéteis foram abatidos por defesas aéreas, porém alguns deles atingiram alvos civis, como refinarias de petróleo e regiões residenciais.
Ainda segundo a Bloomberg, o Catar considerou retaliar contra o Irã após a instalação de Ras Laffan, maior planta produtora de gás natural do mundo ter sido atingida por um bombardeio em meados de março. No entanto, o governo catari acabou desistindo da medida e preferiu atuar na desescalada.
Emirados Árabes tentaram persuadir vizinhos do Golfo a contra-atacar o Irã, diz agência
Tentativas de articulação do governo emiradense para uma resposta coordenada contra Teerã ainda no início da guerra no Oriente Médio foram em vão e resultaram em uma piora nas relações diplomáticas com nações árabes, segundo a Bloomberg.