Eleição presidencial: por que Portugal tem dois líderes, e o que faz o presidente português?

Eleição presidencial: por que Portugal tem dois líderes, e o que faz o presidente português?
País europeu faz 2º turno de eleições neste domingo (8) para presidente. Atual chefe de Estado, Marcelo Rebelo de Sousa, deixará posto. Em Portugal, o presidente não é chefe de governo, mas pode dissolver o Parlamento e convocar novas eleições.
Os portugueses vão às urnas neste domingo (8) para escolher quem será opróximo presidente do país, em um pleito que ocorre menos de um ano depois de eleições que definiram oprimeiro-ministro.

➡️ Em um arranjo pouco comum, oPoder Executivo dePortugalé dividido entre essas duas figuras, por conta do sistema político do país, o semipresidencialismo, que determina a existência dos dois cargos.E o presidente português, embora fique afastado do cotidiano do governo, é quem tem o poder de tomar grandes decisões para a política do país.

Entenda, abaixo, por que há dois chefes no comando, e o que faz cada um:

👉 Oprimeiro-ministro de Portugal é o chefe de governo. Ou seja, é ele quem administra o dia a dia do país, monta a equipe ministerial, envia projetos ao Legislativo e dialoga com governos locais, além de tomar decisões como o envio de tropas ou missões militares em outros países.

👉 Já o presidente, em Portugal, não participa do cotidiano do Executivo e exerce uma função mais cerimonial e menos política, mas ganha peso em momentos críticos no país:

Um levantamento da Universidade de Oxford estima que cerca de50 países adotem o mesmo modelo. Na Europa, são semipresidencialistas países como França, Polônia e Rússia, embora cada um tenha suas particularidades — no sistema francês, por exemplo, o presidente tem mais peso político.

👉 Em Portugal, a estrutura foi consolidada após a Revolução dos Cravos, em 1974,para evitar a concentração de poder e garantir uma espécie de controle mútuoentre líderes soberanos.

A eleição presidencial em Portugal será decidida neste domingo em umsegundo turno inédito no país em quatro décadas.

Estão na disputa o socialista António José Seguro, que venceu o primeiro turno, com cerca de 31% dos votos, e o candidato da extrema direita, André Ventura, que ficou em segundo lugar na primeira rodada, com 23,49% dos votos.

Ventura é lider doChega, a sigla da extrema direita que se tornou nas últimas eleições a segunda força política de Portugal.

👉 Pesquisa de intenção de voto divulgadas nas últimas semanas indicamvitória de Seguro neste segundo turno. Um levantamento realizado pelo Centro de Estudos e Sondagens de Opinião (Cesop), da Universidade Católica, mostra o candidato do Partido Socialista com 70% das intenções de votos, contra 30% do líder do Chega.

Isso porque Ventura tem um índice de rejeição alto — pesquisas apontam que ele temtaxa de rejeição de 60% dos eleitores, a mais altaentre os candidatos.

O cargo da presidência portuguesa é ocupado há quase uma década porMarcelo Rebelo de Sousa, de centro-direita. Ele ficou marcado por uma postura conciliadora e pela condução do país durante sucessivas crises políticas.

Impedido pela Constituição de concorrer a um terceiro mandato consecutivo, Rebelo de Sousa convocou o novo pleito e abriu espaço para uma disputa inédita pelo Palácio de Belém.