A frustração de, em poucas semanas, ganhar novamente o peso que se levou meses para perder ou que custou muita determinação em dietas extremamente restritivas pode ter um lado positivo.
➡️O chamadoefeito sanfonaé caracterizado pelaoscilação constante entre perder e ganhar peso rapidamentee é, para algumas pessoas, o maior desafio no processo de emagrecimento.
Mas uma pesquisa publicada na revista científica "BMC Medicine" mostrou que esseefeito pode trazer benefícios. De acordo com o estudo, esses ciclos podem afetar não apenas o peso, mas também a composição corporal,especialmente a gordura visceral.
👉Agordura visceralse acumula dentro da cavidade abdominal, perto da barriga, e pode interferir no funcionamento de diversos órgãos. Ela é considerada mais metabolicamente ativa e podeaumentar os riscos de síndrome metabólica e doenças cardiovasculares.
Iris Shai, professora da Ben-Gurion University e uma das autoras principais do estudo, explica que a análise mostrou que retornar ao peso inicialnão significa necessariamente voltar ao mesmo nível de risco.
"Os participantes puderam recuperar o peso mantendo uma distribuição de gordura abdominal mais favorável, além de melhor sensibilidade à insulina e perfil lipídico mais favorável", destaca a pesquisadora.
Ela ainda detalha que os pacientes que repetiram o processo tenderam a recuperar menos peso e menos gordura abdominal nos anos seguintes, o que pode contribuir para umbenefício cardiometabólico ao longo do tempo.
Memória cardiometabólica
Para o estudo, os pesquisadores fizeram umacompanhamento inédito de cinco e dez anos de participantesde dois ensaios clínicos envolvendo dietas. Juntos, eles incluíram aproximadamente 500 participantes e duraram 18 meses cada.
➡️Os ensaios avaliaram intervenções baseadas na dieta mediterrânea e na atividade física em comparação com dietas controle, com exames detalhados de ressonância magnética realizados antes e depois de cada intervenção.
Os resultados mostraram que, embora os participantes tenham iniciado a segunda intervenção com peso semelhante ao registrado na primeira, o perfil de gordura abdominal e osmarcadores metabólicos apresentaram melhorias entre 15% e 25% em relação aos valores iniciais.
"Isso apoia a ideia de uma 'memória cardiometabólica' – um benefício residual que pode persistir apesar do reganho de peso, potencialmente impulsionado por uma combinação de adaptações em nível tecidual e hábitos de estilo de vida mais duradouros", analisa Shai.
Ela pondera que não é possível, a partir dos dados do estudo, determinar um único mecanismo causal que explique essa memória cardiometabólica.
Mas a análise sugere que recuperar peso não significa automaticamente perder todos os benefícios. Além disso, pode haver uma vantagem adicional nas tentativas repetidas de emagrecimento.
A pesquisadora ainda destaca que os achados mostram que osucesso de um processo de emagrecimento não deve ser avaliado apenas pelo peso corporal.
"Idealmente, o sucesso deveria ser medido pelas mudanças na gordura abdominal – especialmente a gordura visceral, que é particularmente prejudicial por se localizar ao redor dos órgãos internos", defende Iris.
A longo prazo, o que o estudo revelou é que os participantes que retornaram ao programa tenderam a apresentar um menor reganho de peso e menor aumento justamente da gordura abdominal, parâmetro essencial para a já citada melhora nos índices cardiometabólicos.
👉A professora comenta que ospróximos passos do estudoincluem:
Efeito sanfona pode trazer benefícios para o organismo, mostra estudo
Pesquisadores concluíram que oscilação constante entre perder e ganhar peso rapidamente afeta a composição corporal e pode contribuir para melhora de índices cardiometabólicos ao longo do tempo.