É #FAKE que nome do hantavírus venha do hebraico; termo faz referência ao rio Hantan, na Coreia do Sul

É #FAKE que nome do hantavírus venha do hebraico; termo faz referência ao rio Hantan, na Coreia do Sul
Posts falsos viralizaram após surto de hantavirose que matou 3 passageiros de navio de cruzeiro. Nome do vírus tem relação direta com região onde ele foi registrado; entenda.
Circulam nas redes sociais publicações alegando que o termo "hantavírus" teria origem hebraica e que "hanta" significaria "mentira".É #FAKE.

🛑 Como são os posts?

Mas isso não é verdade. O hantavírus recebeu esse nome em referência ao rio Hantan, na Coreia do Sul, onde foram identificados ratos silvestres contaminados, em 1976. Além disso, especialistas em hebraico ouvidos peloFato ou Fakeapontaram que a nomenclatura "hanta" não tem tem qualquer relação com o idioma(leia mais abaixo).

Em 1976, o médico sul-coreano Ho Wang Lee identificou o agente infeccioso em ratos do campo encontrados principalmente na região do rio Hantan. Dois anos depois, após uma série de testes, o virologista e sua equipe publicaram as descobertas sobre o vírus.

O médico teve dúvidas sobre como nomeá-lo,mas defendeu usar "Vírus Hantaan", em citação ao rio— o "a" a mais na palavra foi apenas um mecanismo de tornar a pronúncia de estrangeiros mais próxima do coreano.

"Como o patógeno foi descoberto em um rato-do-campo-listrado capturado em Songnae-ri, Dongducheon-si, decidiu-se chamá-lo de vírus Hantaan, em homenagem ao rio Hantaan, que fica próximo", escreveu Lee em um artigo de 2019 do períodico científico do "Journal of Bacteriology and Virology".

"A razão é que eu queria que, apenas ao olhar para o nome do vírus, fosse possível saber que ele foi descoberto na Coreia por um coreano, e também queria informar ao mundo que o nível da pesquisa médica na Coreia é alto."

Segundo o virologista, o rio Hantan tem um histórico simbólico, por ter sido utilizado como rota de fuga da Coreia do Norte durante a Guerra da Coreia (1950-1953) –veja mapa abaixo.

Nessa época, mais de 20 anos antes da publicação dos pesquisadores, foram reconhecidos os primeiros casos da doença, então chamada de febre hemorrágica coreana.

"A confirmação somente foi possível em 1978, com o isolamento do vírus de um roedor infectado experimentalmente e, posteriormente, propagado em cultivo celular", explicou aoFato o Fakea pesquisadora Elba Lemos, o Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz).

Ao longo dos anos, outros vírus do mesmo grupo foram identificados em regiões de Ásia, África, Europa e América.A partir disso, a categoria foi nomeada como "hantavírus".

Para verificar se havia qualquer ligação do termo "hanta" com o hebraico, oFato ou Fakeconsultou Gabriel Steinberg, professor de Língua e Literatura Hebraica no Departamento de Letras Orientais da Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da Universidade de São Paulo (USP). Ele desmentiu as alegações:

"O termo 'Hantavírus' não tem nenhuma relação com a língua hebraica. Hanta não é uma palavra em hebraico sequer".

OFato ou Faketambém mostrou os posts falsos a Dror Marko, professor da escola Hebraico sem Fronteiras, que também rechaçou as publicações enganosas:

"Não existe uma palavra que se pronuncia 'hanta'. O mais próximo que existe disso é uma palavra que se pronuncia 'HANTÁ' ou 'CHANTÁ', esse H ou CH é pronunciado bem forte, arranhando a garganta. Mas significa 'estacionou', mais especificamente 'ela estacionou'".

Na seção de comentários dos posts falsos, usuários mostraram capturas de tela de conversas com ferramentas de inteligência artificial (IA) que apontaram que "hanta" seria uma gíria em hebraico.

No entanto, o termo em questão se pronuncia "harta", gíria usada em Israel que vem do árabe. Embora signifique algo como "papo furado", a pronúncia é completamente diferente de "hanta":

"HARTA, CHARTA ou KHARTA, depende do padrão de transliteração, e a primeira letra se pronuncia forte. Com letras em hebraico, se escreve חרטא. Mas, como se vê, se pronuncia com som de R no meio", explicou Dror Marko.

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