É #FAKE que Brasil perdeu vaga em comissão de direitos humanos da OEA e foi classificado como 'país governado por ditador'

É #FAKE que Brasil perdeu vaga em comissão de direitos humanos da OEA e foi classificado como 'país governado por ditador'
Itamaraty abriu mão de vaga porque fez acordo com México; decisão ocorreu depois de candidata apoiada por Trump vencer nas primeiras rodadas da votação. Ao Fato ou Fake, assessoria da OEA desmentiu alegações.
Circula nas redes sociais um post alegando que o Brasil teria perdido uma vaga na Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), parte da OEA (Organização dos Estados Americanos), por ter sido classificado pela organização como "um país governado por um ditador".É #FAKE.

📲 Como o conteúdo chegou ao Fato ou Fake?

🛑 Como é o material?

Mas isso é mentira. Na verdade, o Brasilabriu mão da vaga que disputava na Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH)após um acordo diplomático com o México. O post também mente ao alegar que a OEA classificou o país como "liderado por um ditador". AoFato ou Fake, a organização afirmou não fez nenhuma declaração nesse sentido e que o conteúdo é "completamente falso"(leia mais abaixo).

⚠️ Por que isso é mentira?

Procurada peloFato ou Fake, a assessoria de imprensa da OEA desmentiu o material e lamentou a divulgação de publicações falsas. Veja um trecho da nota, enviada por e-mail:

"A Organização dos Estados Americanos (OEA) não emitiu nenhuma declaração — seja em comunicado à imprensa, no Facebook ou por qualquer outro canal — classificando o Brasil como um país governado por uma ditadura. A informação contida no panfleto é completamente falsa. Lamentamos que este conteúdo esteja sendo apresentado como se fosse originário da Organização. A disseminação de informações imprecisas dessa natureza prejudica importantes processos institucionais, bem como os princípios fundamentais de nossas democracias e o bom funcionamento de nossa Organização e seus órgãos"(leia a íntegra ao final desta checagem).

Além disso, o Brasil não "perdeu a vaga", como diz a fake. O que aconteceu foi queMinistério das Relações Exteriores(Itamaraty)abriu mão da candidatura ao posto. Anunciada em julho do ano passado, a decisão foi tomada em um momento de tensão, após osEstados Unidosanunciaremo tarifaço de 50% sobre produtos brasileiros. À época, o candidato do país, Fábio de Sá e Silva, afirmou: "Me parece que o Brasil quis fazer um gesto generoso em relação ao México, um gesto que não era necessário, porque o Brasil vinha vencendo as eleições, mas que busca não tensionar as relações entre os países".

Leia a nota da OEA na íntegra:

"A Organização dos Estados Americanos (OEA) não emitiu nenhuma declaração — seja em comunicado à imprensa, no Facebook ou por qualquer outro canal — classificando o Brasil como um país governado por uma ditadura. A informação contida no panfleto que você compartilhou é completamente falsa.

Lamentamos que este conteúdo esteja sendo apresentado como se fosse originário da Organização. A disseminação de informações imprecisas dessa natureza prejudica importantes processos institucionais, bem como os princípios fundamentais de nossas democracias e o bom funcionamento de nossa Organização e seus órgãos.

Para contextualizar, o conteúdo parece se referir à eleição de membros da Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH). Na Assembleia Geral realizada em Antígua e Barbuda em 2025, foram realizadas eleições para preencher três vagas na Comissão, com mandatos a partir de 1º de janeiro de 2026. Dois comissários foram eleitos, enquanto a votação para a terceira vaga resultou em empate. A Assembleia Geral, portanto, determinou que o Conselho Permanente convocasse uma sessão para realizar uma nova votação para preencher essa terceira vaga.

Esta eleição ocorreu durante uma sessão extraordinária do Conselho Permanente em 11 de julho de 2025 (ver vídeo). No início da sessão, a delegação brasileira explicou que, após amplas consultas, concluiu que era provável que uma nova votação resultasse novamente em empate e que seu governo desejava evitar prejuízos ao trabalho da CIDH. Acrescentou ainda que, considerando que todos os comissários eleitos tanto na Assembleia Geral quanto no Conselho Permanente assumiriam seus cargos em 1º de janeiro de 2026, o governo brasileiro avaliou que prolongar o impasse e a consequente incerteza jurídica, em um momento em que uma CIDH forte é necessária, poderia afetar negativamente a promoção e a proteção dos direitos humanos no hemisfério.

O Embaixador agradeceu então aos Estados-membros que apoiaram o candidato brasileiro e convidou as delegações a votarem no candidato mexicano.

A Comissão é composta por sete membros independentes eleitos a título pessoal pelos 34 Estados-membros da OEA, de acordo com o Artigo 3º doEstatutoda CIDH; não se trata de uma instância na qual cada país ocupe um assento. Portanto, o resultado de uma eleição não implica a inclusão ou exclusão de qualquer país".

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