Dono da Choquei é solto quase um mês depois de ser preso em operação contra transações ilegais de R$ 1,6 bilhão

Dono da Choquei é solto quase um mês depois de ser preso em operação contra transações ilegais de R$ 1,6 bilhão
Raphael Sousa Oliveira ficou 29 dias preso, sendo 27 em uma unidade de segurança máxima. Influenciador continuará à frente da página Choquei, segundo a defesa.
O criador da página Choquei, Raphael Sousa Oliveira, de 31 anos, foi solto nesta quinta-feira (14), quase um mês após serpreso em uma operaçãoque investiga supostas transações ilegais de R$ 1,6 bilhão, informou o advogado Pedro Paulo de Medeiros, responsável pela defesa do influenciador. A soltura foi confirmada pela Polícia Penal.

A revogação da prisão preventiva de Raphael pelo Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF-3) foi anunciada pela defesa na quarta-feira (13). O influenciador foi preso em 15 de abril, emGoiânia, durante a Operação Narco Fluxo, que também teve entre os alvosMC Ryan SP e Poze do Rodo.Segundo a Polícia Federal, Raphael é suspeito de atuar comooperador de mídia de uma organização criminosa investigada por lavagem de dinheiro e estelionato digital,recebendo valores de outros investigados.

Raphael permaneceu preso no Núcleo Especial de Custódia do Complexo Prisional Policial Penal Daniella Cruvinel, unidade considerada de segurança máxima.

Em nota, a defesa informou que a relação dele com os fatos investigados ocorreu exclusivamente por meio da prestação de serviços publicitários regularmente remunerados. Segundo os advogados, Raphael continuará exercendo normalmente suas atividades profissionais à frente do perfil Choquei, colaborando com as autoridades e confiando na completa elucidação dos fatos ao longo da investigação.

Defesa nega participação em organização criminosa

De acordo com a defesa, as investigações não apontam Raphael como líder, coordenador ou responsável pela gestão financeira de qualquer organização criminosa, nem indicam participação direta dele nos supostos crimes atribuídos a terceiros.

O Superior Tribunal de Justiça (STJ) chegou a determinar a soltura de Raphael no fim de abril. No entanto, a Justiça Federal em São Paulo atendeu a um pedido da Polícia Federal e decretou novamente a prisão preventiva do influenciador.

A operação apura umaorganização criminosa suspeita de lavar dinheiro em escala bilionáriapor meio deapostas ilegais, rifas digitais, empresas de fachada, contas bancárias de terceiros e criptoativos.

No centro do esquema, a investigação aponta Ryan Santana dos Santos (MC Ryan SP) como principal beneficiário, com apoio de operadores financeiros, contadores, intermediários, empresas de marketing, produtoras musicais e plataformas de pagamento.

Ainda segundo o documento, a investigação é um desdobramento das operações Narco Vela e Narco Bet, e surgiu após a Polícia Federal analisar dados extraídos do iCloud do contador Rodrigo de Paula Morgado. A partir desse material, os investigadores identificaram uma estrutura financeira paralela usada para captar, fragmentar, ocultar e reinserir dinheiro no mercado formal.

Suposto envolvimento de Raphael

Raphael foi preso em 15 de abril, em um condomínio de luxo em Goiânia. Após ser levado para a sede da Polícia Federal, Raphael foi transferido para o presídio em Aparecida de Goiânia.

No pedido de busca e apreensão da 5ª Vara Federal de Santos, obtido pelog1, consta que a função de Raphael 'consiste, em tese, na divulgação de conteúdos favoráveis ao artista e na promoção de plataformas de apostas e rifas, além de potencialmente atuar na mitigação de crises de imagem relacionadas às investigações'.

Segundo a investigação, Raphael recebeu R$ 370 mil de MC Ryan SP por serviços de publicidade. Do montante, R$ 270 mil foram identificados em movimentações entre 2024 e 2025 e R$ 100 mil como uma transferência vinda de uma pessoa desconhecida.

Na época da prisão, a defesa afirmou que Raphael não participava de organização criminosa. Sobre a quantia recebida, afirmou:'Valores recebidos referem-se a serviços prestados'.

Quem é Raphael Sousa

Raphael possui 1,4 milhão de seguidores apenas em uma rede social. Ele costuma postar momentos de trabalho, vídeos de humor e viagens que realiza com amigos, além de encontros com outros influenciadores.

Já o perfil da 'Choquei' possui mais de 27 milhões de seguidores no Instagram. A página, que já realizou quase 74 mil postagens, é conhecida por publicar fofocas. Os posts giram em torno de celebridades e reality shows, além de memes e acontecimentos de grande repercussão, tanto no Brasil quanto no mundo.

A defesa de Raphael Sousa Oliveira, responsável pelo perfil Choquei, informa que o Tribunal Regional Federal da 3ª Região revogou sua prisão preventiva, reconhecendo a inexistência de elementos concretos aptos a justificar a manutenção da medida extrema.

A investigação não atribui a Raphael papel de liderança, coordenação ou gestão financeira de organização criminosa, tampouco demonstra participação direta em eventuais ilícitos imputados a terceiros. Sua relação com os fatos investigados decorre exclusivamente da prestação de serviços publicitários regularmente remunerados, no exercício ordinário de sua atividade profissional.

A própria decisão judicial destacou a ausência de demonstração concreta de risco à investigação, à instrução processual ou à aplicação da lei penal, além do fato de sequer haver denúncia formal apresentada até o momento.

A defesa sempre sustentou que não é juridicamente admissível presumir responsabilidade criminal pelo simples recebimento de valores decorrentes de contratos de publicidade regularmente realizados, especialmente em um ambiente econômico no qual influenciadores, veículos digitais e plataformas de mídia celebram diariamente campanhas comerciais com inúmeros contratantes.

A revogação da prisão restabelece a liberdade de Raphael e reafirma a importância do devido processo legal, da presunção de inocência e das garantias constitucionais que regem o Estado Democrático de Direito.

Raphael continuará exercendo normalmente suas atividades profissionais à frente do perfil Choquei, colaborando com as autoridades e confiando na completa elucidação dos fatos ao longo da investigação.

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