Dólar recua e bolsa avança com dados de serviços no radar e discursos do Fed

Dólar recua e bolsa avança com dados de serviços no radar e discursos do Fed
Na véspera, a moeda norte-americana recuou 1,17%, cotada em R$ 5,4044. O principal índice da bolsa avançou 0,07%, aos 159.189 pontos.
O dólar operava com queda nesta sexta-feira (12), recuando0,15%às 15h, paraR$ 5,3963. OIbovespa, principal índice da bolsa brasileira, avançava0,64%no mesmo horário, alcançando160.207 pontos.

Após o respiro dos mercados diante da postura mais cautelosa do Banco Central, os investidores iniciam o dia de olho nos novos dados econômicos do Brasil e nos discursos de dirigentes da autoridade monetária dosEstados Unidos.

▶️ O ambiente doméstico ainda repercute asinalização mais conservadora do Copom, que fortaleceu o real na véspera e permitiu um leve ganho do Ibovespa. Mesmo assim,o foco permanece na dúvida sobre quando virá o próximo corte da Selic, com apostas cada vez menores em movimento já no início de 2026.

▶️ O volume de serviços no Brasil também entra no radar.Em outubro, o setor registrou alta de 0,3% em relação a setembro, resultado alinhado às projeções dos economistas. Com isso, o segmento completou nove meses seguidos de crescimento.

▶️ No exterior,três dirigentes do Federal Reserve discursaram hoje, em meio a um tom menos restritivo do banco central americano. Anna Paulson (Filadélfia), Austan Goolsbee (Chicago), Beth Hammack (Cleveland) e Jeffrey Schmid (Kansas City).

▶️ Em Wall Street,o S&P 500 e o Dow Jones encerraram o pregão anterior renovando máximas, embalados pela fala mais moderada doFed. Por outro lado, aNasdaq recuouem meio à cautela gerada pelas previsões da Oracle para o setor de inteligência artificial.

Veja a seguir como esses fatores influenciam o mercado:

Discursos de dirigentes do Fed

O presidente do Federal Reserve de Chicago, Austan Goolsbee, afirmou que votou contra o corte de 0,25 ponto percentual na taxa de juros americana porque considerava mais prudente aguardar novos dados econômicos antes de reduzir o custo do crédito.

Para ele, ainda há muita preocupação de empresas e consumidores com a pressão dos preços, e as informações disponíveis não eram suficientes para justificar uma mudança naquele momento.

Segundo Goolsbee, adiar a decisão para o início de 2026 daria ao Fed acesso a dados mais completos — incluindo os relatórios de inflação e emprego que serão divulgados na próxima semana — sem colocar em risco um mercado de trabalho que, em sua avaliação, está “esfriando apenas moderadamente”.

“Deveríamos ter esperado para obter mais dados, especialmente sobre a inflação.”

Ele também ressaltou que a inflação segue acima da meta de 2% do banco central há mais de quatro anos e que o avanço dos preços está praticamente parado há meses.

“Esperar para tratar desse assunto no ano novo não teria acarretado muitos riscos adicionais e teria o benefício adicional de dados econômicos atualizados”, disse.

Para Goolsbee, não há sinais de deterioração rápida do emprego que impedissem a espera. Apesar da discordância, afirmou estar “otimista” sobre cortes maiores ao longo de 2026, caso os indicadores mostrem avanço claro rumo à meta de 2%.

O presidente do Fed de Kansas City, Jeffrey Schmid, também votou contra o corte dos juros e defendeu a manutenção da taxa atual, argumentando que a inflação ainda está elevada e que a política monetária deveria continuar “modestamente restritiva” — ou seja, com juros altos o suficiente para ajudar a conter os preços.

“Vejo uma economia que está mostrando impulso e uma inflação que está muito aquecida, o que sugere que a política monetária não é excessivamente restritiva.”

Para Schmid, não houve mudanças significativas desde sua última discordância, em outubro, quando já havia defendido que o nível atual de juros era adequado.

Na visão dele, o mercado de trabalho está “amplamente equilibrado” e não há motivos para acelerar cortes. Assim como Goolsbee, o dirigente do Fed de Kansas City divergiu da decisão aprovada por 9 votos a 3, que reduziu a taxa para o intervalo de 3,5% a 3,75%.

Enquanto isso, a presidente do Fed da Filadélfia, Anna Paulson, destacou que está mais preocupada com a condição do mercado de trabalho do que com o risco de a inflação voltar a subir.

“No geral, ainda estou um pouco mais preocupada com a fragilidade do mercado de trabalho do que com os riscos de alta da inflação.”

Ela explicou que vê boa chance de a inflação cair ao longo do próximo ano, em parte porque efeitos temporários — como tarifas — devem perder força.

Paulson também avaliou que os juros atuais, entre 3,5% e 3,75%, ainda representam uma política “um tanto restritiva”, o que contribui para trazer a inflação de volta à meta de 2%.

A dirigente descreveu o mercado de trabalho como “flexível, mas não instável” e ressaltou que os cortes de juros somando 0,75 ponto nas últimas três reuniões tiveram caráter preventivo, para evitar uma piora mais acentuada no emprego.

Além disso, Paulson lembrou que a recente paralisação do governo norte-americano comprometeu o recebimento de dados importantes, impedindo que o Fed desse orientações mais claras sobre os próximos passos.

Ela reforçou que, quando o comitê voltar a se reunir no fim de janeiro — momento em que ela se tornará uma das votantes — haverá mais informações disponíveis.

“Teremos muito mais informações, o que espero que traga mais clareza às perspectivas para a inflação e o emprego.”

Já a presidente do Fed de Cleveland, Beth Hammack afirmou que, com base em sua leitura da economia americana, preferiria uma política monetária mais restritiva que a atual.

Isso significa juros mais altos para pressionar a inflação, que ela considera ainda elevada.

Ela observou que o corte de 0,25 ponto anunciado nesta semana — somado às reduções feitas ao longo do ano — colocou a taxa básica “em torno de um nível neutro”, isto é, um patamar que não estimula nem freia a economia.

Mas, para Hammack, esse nível não é suficiente.

“Eu preferiria ter uma postura um pouco mais restritiva”, disse em evento em Cincinnati.

O volume de serviços no Brasilavançou 0,3% em outubro de 2025 na comparação com setembro, segundo oIBGE. O dado já considera o ajuste sazonal, mecanismo estatístico que corrige efeitos típicos de cada época do ano.

O resultado veio em linha com as projeções dos economistas e mostra queo setor completou nove meses consecutivos de crescimento,acumulando alta de 3,7%.

O crescimento de 0,3% entre setembro e outubro foi registrado nas cinco atividades pesquisadas. O maior impacto veio do setor de transportes, que subiu 1,0% e acumulou 2,4% em três meses.

Também houve avanços em informação e comunicação (0,3%), que cresceu em ritmo menor que em setembro (1,2%); outros serviços (0,5%), acumulando 3,4% em quatro meses; além de serviços profissionais e administrativos (0,1%) e serviços prestados às famílias (0,1%), ambos recuperando queda do mês anterior.

A média móvel trimestral — indicador que suaviza oscilações mensais — subiu 0,4% no trimestre encerrado em outubro. Quatro dos cinco setores tiveram resultado positivo nesse período, com destaque para outros serviços (1,1%) e transportes (0,8%).

Informação e comunicação avançou 0,3%, enquanto serviços prestados às famílias cresceram 0,2%. Já o grupo de serviços profissionais, administrativos e complementares ficou estável.

Na comparação anual, o volume de serviços cresceu 2,2% frente a outubro de 2024, com quatro das cinco atividades em alta. Metade dos 166 tipos de serviços pesquisados teve expansão.

EmWall Street, os mercados futuros começaram o dia com sinais mistos. O otimismo gerado pela decisão recente do Federal Reserve de reduzir juros e adotar um tom menos agressivo foi ofuscado por preocupações com o setor de tecnologia.

Antes da abertura, os futuros doDow Jonessubiam 0,17%, enquanto os doS&P 500caíam 0,20% e os doNasdaqrecuavam 0,56%. Apesar da queda nos índices ligados à tecnologia, Wall Street caminha para fechar a semana com ganhos, após recordes registrados na véspera.

Asbolsas europeiasoperam em alta, impulsionadas pelo bom humor vindo dos EUA. Além disso, investidores acompanham as tensões entre Rússia e Ucrânia, após alertas da OTAN sobre riscos de conflito e discussões na União Europeia sobre o uso de ativos russos congelados para financiar a Ucrânia.

Durante a manhã, o índice Stoxx 600 avançava 0,26%. Entre os principais mercados, o DAX da Alemanha subia 0,31%, o FTSE 100 do Reino Unido ganhava 0,26% e o CAC 40 da França tinha alta de 0,53%.

Já osmercados asiáticosfecharam em alta nesta sexta-feira, apoiados por sinais de que Pequim manterá políticas para estimular o crescimento em 2026.

Autoridades chinesas indicaram medidas fiscais e monetárias mais favoráveis, além de esforços para estabilizar o setor imobiliário — o que trouxe algum alívio aos investidores, apesar da semana negativa para os principais índices.

No fechamento, o Nikkei do Japão subiu 1,4%, a 50.836 pontos. Em Hong Kong, o Hang Seng avançou 1,75%, a 25.976 pontos, enquanto em Xangai o SSEC ganhou 0,41%, a 3.889 pontos, e o CSI300 subiu 0,63%, a 4.580 pontos.

Outros mercados também tiveram alta: Seul (+1,38%), Taiwan (+0,62%) e Cingapura (+1,36%).

*Com informações da agência de notícias Reuters