Segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), o mundo desperdiça cerca de 1 bilhão de toneladas de alimentos ao ano. Em cada etapa da cadeia, há fatores que ajudam a explicar o problema.
No campo, o desperdício pode ocorrer por falta de planejamento e de técnica. No varejo, por excesso de oferta. Já nas casas, por hábitos culturais.
➡️ Esta reportagem faz parte do sexto episódio da série"PF: Prato do Futuro", onde og1mostra soluções para desafios da produção de alimentos no Brasil.
Ao mesmo tempo,quase 7 milhões de pessoas passam fome no Brasil, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). E, quanto mais comida é desperdiçada, mais difícil pode ser o acesso aos alimentos.
“Existe dentro do varejo um cálculo de perda já especificado no valor dos produtos. Então a gente paga por essa perda”, explica Daniela Teston, diretora de relações corporativas do WWF-Brasil.
A especialista acredita que a redução do desperdício poderia tornar mais baratos os itens básicos de alimentação, o que favoreceria a população em situação de vulnerabilidade.
“Apesar de ter saído da linha da pobreza, a gente ainda tem muita gente que não tem acesso à nutrição adequada todos os dias”, afirma.
Também segundo o IBGE, 18,9 milhões de famílias ainda enfrentam algum grau de insegurança alimentar no país.
Não bastasse a questão social, o desperdício também causa prejuízos ao meio ambiente. Ao se decompor, o alimento gera gases de efeito estufa, como o metano. Também produz chorume, que contamina o lençol freático.
E não se pode ignorar a consequência mais óbvia: a perda financeira. Dados de 2020 do Banco Mundial mostram que US$ 1 trilhão em alimentos é desperdiçado anualmente.
Não existem dados oficiais que mostrem o quanto é perdido nas lavouras, mas este é um problema real, aponta Gustavo Porpino, pesquisador da Embrapa Alimentos e Territórios. Ele também colabora com iniciativas da ONU.
Segundo o pesquisador, existem vários fatores que causam essas perdas.
A maioria desses problemas pode ser resolvida com investimentos e técnicas de produção.
Og1foi atéSanta Maria da SerraeEngenheiro Coelho, no interior deSão Paulo, para ver como funciona uma citricultura com desperdício zero.(veja no vídeo abaixo)
Sobra nas prateleiras
Do campo à geladeira: por que há tanto desperdício de alimentos no Brasil, enquanto milhões passam fome
Perdas ocorrem no campo, no varejo e dentro de casa, gerando impactos econômicos, ambientais e sociais. Entre as principais causas estão a falta de conhecimento técnico, a exigência por padrões estéticos e a 'cultura da fartura'.
O Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) estima que o varejo e os restaurantes são responsáveis pelo desperdício de 427 milhões de toneladas de alimentos.
Porpino, pesquisador da Embrapa, explica que isso pode acontecer nos supermercados por causa daexigência estética dos consumidores, mas também da prática devenda consignadacom os agricultores.
“O varejista recebeu 500 caixinhas de morango, vendeu 300. Ele vai remunerar o produtor pelas 300. As outras 200 se estragaram na loja. Isso não vai significar prejuízo para o varejista, mas para o produtor”, explica.
Assim, o mercado pode acabar comprando grandes volumes sem considerar o que será desperdiçado.
Por isso, existem iniciativas voltadas à doação de alimentos que sobraram nos pontos de venda para instituições que os redistribuem a quem precisa. Essas instituições fazem uma triagem e coletam o que estiver em boas condições.
Og1foi atéCampinas(SP) e São Paulo para ver como funcionam duas dessas instituições: o Instituto de Solidariedade para Programas de Alimentação (ISA) e o Sesc Mesa Brasil.(veja no vídeo abaixo)
O que te faz jogar comida fora
A maior parte do desperdício ocorre dentro de casa. Em 2022, foram 631 milhões de toneladas, segundo o Pnuma.
A culpa não é exclusiva do consumidor. Isso porque, após passar pela colheita e pelo transporte, o alimento pode chegar às prateleiras sem estar em suas melhores condições e estragar rapidamente em casa.
“O consumidor de classe média mais baixa não vai comprar frutas e hortaliças nos supermercados mais caros, que vendem frutas e verduras de melhor qualidade. Ele vai comprar em um local mais barato”, explica Porpino.
“Essas frutas e verduras, às vezes, já têm um tempo de vida muito curto, porque foram transportadas por longas distâncias ou porque são de segunda linha”, completa.
Contudo, também existem fatores culturais que provocam o descarte de alimentos. Maria Siqueira, cofundadora e diretora-executiva do Pacto Contra a Fome, aponta dois:
“No fim das contas, você não precisava daquela comida. Ela foi uma comida de estoque e foi esquecida no fundo da geladeira, porque a demanda real não existia”, afirma.
Créditos deste episódio da série 'PF: prato do futuro'
Mais vídeos da série "PF: prato do futuro"
Porpino, pesquisador da Embrapa, explica que isso pode acontecer nos supermercados por causa daexigência estética dos consumidores, mas também da prática devenda consignadacom os agricultores.
“O varejista recebeu 500 caixinhas de morango, vendeu 300. Ele vai remunerar o produtor pelas 300. As outras 200 se estragaram na loja. Isso não vai significar prejuízo para o varejista, mas para o produtor”, explica.
Assim, o mercado pode acabar comprando grandes volumes sem considerar o que será desperdiçado.
Por isso, existem iniciativas voltadas à doação de alimentos que sobraram nos pontos de venda para instituições que os redistribuem a quem precisa. Essas instituições fazem uma triagem e coletam o que estiver em boas condições.
Og1foi atéCampinas(SP) e São Paulo para ver como funcionam duas dessas instituições: o Instituto de Solidariedade para Programas de Alimentação (ISA) e o Sesc Mesa Brasil.(veja no vídeo abaixo)
O que te faz jogar comida fora
A maior parte do desperdício ocorre dentro de casa. Em 2022, foram 631 milhões de toneladas, segundo o Pnuma.
A culpa não é exclusiva do consumidor. Isso porque, após passar pela colheita e pelo transporte, o alimento pode chegar às prateleiras sem estar em suas melhores condições e estragar rapidamente em casa.
“O consumidor de classe média mais baixa não vai comprar frutas e hortaliças nos supermercados mais caros, que vendem frutas e verduras de melhor qualidade. Ele vai comprar em um local mais barato”, explica Porpino.
“Essas frutas e verduras, às vezes, já têm um tempo de vida muito curto, porque foram transportadas por longas distâncias ou porque são de segunda linha”, completa.
Contudo, também existem fatores culturais que provocam o descarte de alimentos. Maria Siqueira, cofundadora e diretora-executiva do Pacto Contra a Fome, aponta dois:
“No fim das contas, você não precisava daquela comida. Ela foi uma comida de estoque e foi esquecida no fundo da geladeira, porque a demanda real não existia”, afirma.
Créditos deste episódio da série 'PF: prato do futuro'
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