Desaparecidos em Goiás: Estado registra mais de 3 mil casos por ano, diz Ministério da Justiça e Segurança Pública

Desaparecidos em Goiás: Estado registra mais de 3 mil casos por ano, diz Ministério da Justiça e Segurança Pública
Nos últimos cinco anos, 17,4 mil pessoas desapareceram no estado. Somente entre janeiro a fevereiro de 2026, 562 casos de desaparecimento foram registrados.
Entre a angústia das famílias e o trabalho das autoridades,o número de desaparecimentos continua crescendo em Goiás. De acordo com dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), nos últimos cinco anos 17,4 mil pessoas desapareceram no estado, sendo mais de três mil desaparecidos por ano e emmédia 10 casos por dia.

O aumento é de quase 33% de 2021 para 2025. Neste período de tempo, 9,2 mil casos foram solucionados. Para cada 10 pessoas que desapareceram no estado, cinco casos foram concluídos e a outra metade permaneceu sem solução.

Somente entre janeiro a fevereiro de 2026,562 casos de desaparecimento foram registrados em Goiás, segundo o MJSP.

Confira abaixo o número de casos de desaparecimento em Goiás:

Já emGoiânia, o cenário é diferente. Aog1, o delegado Pedromar Augusto de Souza, titular do Grupo de Investigação de Desaparecidos (GID), destacou que são investigados pelo grupo apenas os casos ocorridos na capital.

"Desde outubro de 2024 também investigamos os desaparecimentos de menores", informou. O saldo é positivo, todos os casos de crianças e adolescentes nos últimos dois anos foram solucionados.

O índice de localização de pessoas maiores de idade na capital foi de 93,89% em 2024 e de 96,47% no ano passado.

Desaparecidos procurados pela Interpol

Atualmente, a Difusão Amarela da Organização Internacional de Polícia Criminal (Interpol)procura sete desaparecidos em Goiás.O alerta policial global é uma ferramenta que amplia as chances de localizar uma pessoa desaparecida, especialmente quando há indícios de que ela possa estar no exterior.

O caso mais antigo é o deRosana Ferrari Pandim. Natural de São Paulo, ela desapareceu aos 11 anos de idade, em 1973, em Goiânia, segundo dados da Interpol. De acordo com notícias da época, no dia 23 de novembro, Rosana foi em direção ao Instituto Santo Tomás de Aquino, na Rua 55, onde estudava, mas não chegou ao local.

Uma colega teria a visto conversando com um homem desconhecido de meia idade e chegou a alertar de que iria se atrasar para uma prova. Depois, outra pessoa viu a menina abraçada aos livros e cadernos ao lado do mesmo homem, em direção à Avenida Goiás. Rosana nunca mais foi vista. Atualmente, ela estaria com 63 anos de idade.

17 anos sem notícias

Mayra da Silva Paula foivista pela última vez em 3 de julho de 2009, em Goiânia, aos 20 anos, após descobrir que estava grávida. Ela chegou a deixar uma carta para a mãe, no apartamento onde morava, revelando a gravidez. No dia do desaparecimento, estava combinado que a jovem iria visitar a família emNova Glória, o que costumava fazer no período das férias da faculdade e em feriados prolongados, mas nunca chegou ao local. O paradeiro de Mayra foi investigado pela Polícia Civil e também pela Polícia Federal.

O caso de Maycon Eder Alves de Jesus também chama atenção. O jovem desapareceu aos 23 anos em 2017, quandotentava entrar nos Estados Unidos de forma ilegal. Segundo a família, ele saiu de Goiás no dia 10 de maio daquele ano. Primeiramente, Maykon foi para o Panamá, depois para a República Dominicana e, por fim chegou às Bahamas. A última vez que ele entrou em contato foi no dia 3 de agosto, quando disse que poderia iniciar a travessia pelo mar a qualquer momento. Depois disso, os familiares não tiveram mais informações sobre ele.

Casos que se tornam mistérios

Entre os casos mais recentes e que se tornaram verdadeiros mistérios está o desaparecimento do ativista ambiental,João Paulo Vaz da Silva, de 33 anos,na Chapada dos Veadeiros. Amigos mantêm ativa a lembrança dele há três meses por intermédio do perfil“Justiça por João Planta”.

Desaparecido desde8 de dezembro de 2025,o extrativista ambiental e defensor da conservação do Cerrado vivia no município desde 2015 e era visto como um profundo conhecedor das espécies nativas, atuando em hortas, hospedagens e projetos ligados à natureza e à sustentabilidade.

O desaparecimento só foi registrado na Polícia Civil no dia 16 de dezembro de 2025. O boletim de ocorrência relata que João havia chegado da rua com plantas e deixou o celular carregando em casa. Depois disso, ele saiu para ajudar algumas pessoas que chamaram por ele no portão e não foi mais visto.

Quatro meses. Esse é o tempo que a família da biomédicaÉrika Luciana de Sousa Machado, de 47 anos,continua sem respostas. Ela foi vista pela última vez no dia1º de novembro de 2025após bater o carro em um meio fio em Corumbá de Goiás, no Entorno do Distrito Federal.

Segundo o irmão Júlio César de Sousa, o carro dela estava exibindo uma mensagem de "combustível bloqueado" no computador de bordo. Érika teria tentado chamar um mecânico, mas não conseguiu, porque era fim de semana, então abandonou o carro. Depois disso, ela não foi mais vista.

Em janeiro, a polícia pediu aquebra do sigilo telefônico e bancário e ampliou o raio de buscaspela biomédica. Na época, a delegada responsável pela investigação, Aline Lopes, informou que as mensagens, ligações e movimentos bancários não revelaram nenhum indício do paradeiro de Érika.

Procurada pela reportagem, a Polícia Civil informou que os dois casos continuam sendo investigados.

Histórias com desfechos

O desaparecimento da corretora de imóveis,Daiane Alves, de 43 anos,ganhou ampla repercussão. Ela chegou a ficar desaparecida por mais de 40 dias até ser encontrada morta no dia 28 de janeiro deste ano em uma área de mata às margens da GO-213, que ligaCaldas NovasaIpamerie Pires do Rio, a cerca de 15 quilômetros de Caldas Novas. O síndico do prédio onde ela morava, Cleber Rosa de Oliveira, confessou o crime e foi preso por homicídio qualificado e ocultação de cadáver.

Outro caso com um desfecho trágico foi o desaparecimento do advogadoPedro Henrique Lopes Silva, de 38 anos.Ele foi encontrado morto no dia 19 de novembro de 2025 após ficar quatro dias desaparecido. Segundo a família, ele havia dito que iria encontrar um cliente emAparecida de Goiânia, saiu de casa e não havia sido mais visto. Dias após a localização do corpo, Rafael Leandro Carneiro, de 32 anos, foi preso suspeito de ter cometido o crime.

Casos de desaparecimentos voluntários e por questões financeiras também são comuns. A empregada domésticaGisele Heloisa Alves Silva, de 29 anos,desapareceu no dia 6 de maio. Segundo a família, ela a filha em casa, emGoianira, e saiu para trabalhar. Algum tempo depois, ela enviou uma mensagem para o marido falando que o carro teria parado de funcionar por falta de combustível.

Também por mensagens, a doméstica avisou que chamaria uma moto por aplicativo para chegar no trabalho, em Goiânia , e depois não foi mais vista. Gisele foi encontrada no dia 10 do mesmo mês. Em depoimento à polícia, ela explicou sumiu após ter ficadodesesperada por conta de dívidas.

Reencontro após mais de 40 anos

Mãe e filha sereencontram após mais de 40 anosem fevereiro deste ano, na delegacia do Grupo de Investigação de Desaparecidos (GID), em Goiânia. Maria Luiza Gomes Soares, de 68 anos, contou que precisou entregar a recém-nascida a um casal por problemas financeiros. Aos 41 anos, Ludimila Gomes Duarte procurou a Polícia Civil para localizar a mãe e entender suas origens.

Depois da doação, a mãe contou que se mudou para o Mato Grosso, onde trabalhou com mineração por cerca de 12 anos até voltar para Goiás e perder o contato com a família.

O que fazer quando alguém desaparece?

O MJSP, por intermédio da Política Nacional de Pessoas Desaparecidas, orienta as famílias a agir imediatamente diante do desaparecimento de uma pessoa, destacando que não é necessário esperar 24 horas para registrar o boletim de ocorrência. O registro deve ser feito o quanto antes, em qualquer delegacia ou de forma on-line para agilizar o início das buscas.

Também é importante fornecer o máximo de informações possíveis sobre a pessoa desaparecida, como características físicas, roupas e circunstâncias do desaparecimento.

No entanto, é preciso tomar cuidados na divulgação dessas informações e usar apenas contatos oficiais para evitar golpes.

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