Credores tomam participação de Tanure na Alliança Saúde e Light

A Alliança Saúde informou no sábado (7) que o fundo Opus passou a ser dono de cerca de 49% das ações da empresa. Isso aconteceu porque o fundo ficou com parte das ações que haviam sido dadas como garantia em uma dívida. A participação de Tanure nessas empresas ocorre de forma indireta, por meio de fundos de investimento e outras companhias. No mesmo dia, a empresa também comunicou que outro fundo, o Prisma Infratelco VD, passou a ter cerca de 10,7% das ações da Alliança Saúde pelo mesmo motivo
A Alliança Saúde informou no sábado (7) que o fundo Opus passou a ser dono de cerca de 49% das ações da empresa. Isso aconteceu porque o fundo ficou com parte das ações que haviam sido dadas como garantia em uma dívida.

A participação de Tanure nessas empresas ocorre de forma indireta, por meio de fundos de investimento e outras companhias.

No mesmo dia, a empresa também comunicou que outro fundo, o Prisma Infratelco VD, passou a ter cerca de 10,7% das ações da Alliança Saúde pelo mesmo motivo.

Com essa mudança, o fundo Fonte de Saúde e a empresa Lormont Participações, ligados ao empresário Nelson Tanure, deixaram de ter o controle da Alliança Saúde. Agora, juntos, eles possuem apenas 6,96% das ações da companhia.

Os dois fundos que receberam essas ações informaram que não pretendem continuar como donos da empresa e que vão vender suas participações.

Em um comunicado separado, a Light informou que o fundo Opus também passou a ter cerca de 9,9% das ações da empresa, igualmente por causa da execução dessa garantia. O fundo disse que também pretende vender essa participação.

Tanure e o caso Master

No mês passado, Tanure foi um dos alvos de busca e apreensão na segunda fase da operação da Polícia Federal(PF) que apura um suposto esquema de fraudes financeiras no Banco Master.

Os policiais foram até a casa de Tanure, mas não o encontraram no local. Ele foi localizado no aeroporto do Galeão, no Rio de Janeiro, quando embarcaria em um voo nacional. O celular foi apreendido.

Ao todo,os agentes cumprem 42 mandados de busca e apreensão expedidos pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli, que também determinou o bloqueio de bens e valores superiores a R$ 5,7 bilhões.

Segundo a corporação, a investigação apura suspeitas de organização criminosa, gestão fraudulenta de instituição financeira, manipulação de mercado e lavagem de dinheiro envolvendo a concessão de supostos créditos fictícios pelo Master.

A 1ª fase da operação aconteceu em novembro passadoe resultou em sete prisões, incluindo a de Vorcaro. Segundo estimativa da PF, as fraudes podem chegar a R$ 12 bilhões.

No ano passado, Tanure também foi alvo de uma investigação da Polícia Federal, aberta a pedido do Ministério Público Federal, para apurar se ele seria o verdadeiro controlador do Banco Master, mesmo sem aparecer oficialmente como dono.

Segundo os investigadores, ele teria usado uma rede de empresas, fundos e estruturas financeiras para influenciar o banco sem a autorização do Banco Central. À época, o empresário negou qualquer vínculo societário ou poder de controle sobre a instituição.

Em agosto de 2025, a Receita Federal deflagrou a maior operação já realizada contra esquemas de lavagem de dinheiro no mercado financeiro, envolvendo centenas de fintechs, fundos e gestoras.

Embora Tanure não tenha sido acusado formalmente nessa operação, o episódio reacendeu questionamentos sobre a estrutura dos fundos ligados ao seu nome e sua proximidade com instituições sob investigação.

*Reportagem em atualização