Stephen Miller, um conselheiro influente e radical do presidente norte-americanoDonald Trump, disse na terça-feira (28) que a morte do enfermeiro Alex Pretti em Minneapolis pode ter resultado de um descumprimento do “protocolo” pelos agentes federais que o mataram.
O enfermeiro de 37 anos foi morto por agentes da Patrulha de Fronteira em Minneapolis, no sábado. O caso foi notícia no mundo todo.
“Os reforços enviados a Minnesota para uma missão de proteção deveriam ter sido usados para conduzir operações rápidas, criando uma barreira entre as equipes que realizavam prisões e os perturbadores. Estamos analisando por que a equipe da Customs and Border Protection (CBP) pode não ter seguido o protocolo”, disse ele em uma declaração enviada à agência de notícias France-Presse.
Se no sábado (24) o republicano pediu para deixar os agentes “trabalharem”, agora Trump fala em “reduzir a tensão”.
Em um primeiro momento,Trump saiu em defesa dos agentes federaise do trabalho do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE). Ao mesmo tempo, porém, milhares de pessoas foram às ruas em diferentes partes do país para protestar contra as operações e contra o próprio presidente.
Segundo o jornal Wall Street Journal, o jogo começou a mudar quando lideranças do Partido Republicano alertaram Trump de que a morte de Pretti e a violência nas ações do ICE poderiam levar à perda de apoio popular em torno de sua principal bandeira: o combate à imigração ilegal.
Ainda de acordo com o jornal, integrantes da alta cúpula da Casa Branca passaram a avaliar que as imagens da morte de Pretti representavam um risco político elevado.
No dia seguinte, também segundo o WSJ, Trump recebeu uma mensagem do senador republicano Lindsey Graham. O parlamentar alertou que a Casa Branca precisava encontrar uma alternativa para a narrativa sobre a morte do enfermeiro.
A avaliação era de que a exibição na TV de vídeos que mostravam a truculência dos agentes federais contra Pretti estava corroendo a credibilidade de outras ações da agenda anti-imigração que haviam sido bem recebidas pelo público.
Publicamente, Trump passou a mudar o tom ainda na noite de domingo (25). Em uma rede social, ele enviou recados ao governador de Minnesota, Tim Walz, e ao prefeito de Minneapolis, Jacob Frey, pedindo colaboração.
Na segunda-feira (26), Trump conversou com Walz por telefone. O governo de Minnesota vinha sendo alvo de críticas recorrentes do presidente. Walz também foi candidato a vice-presidente na chapa de Kamala Harris nas eleições de 2024, derrotada por Trump.
Mas a principal virada ocorreu na noite de segunda-feira, quando Frey anunciou que a Casa Branca havia concordado em reduzir o número de agentes federais em Minneapolis.
Pouco depois, a imprensa americana começou a informar que Trump haviadeterminado a realocação de Gregory Bovino, comandante da Patrulha de Fronteira responsável por supervisionar a operação na cidade, para a Califórnia.
Até mesmo Stephen Miller, principal conselheiro de Trump, que havia chamado Pretti de “aspirante a assassino”, admitiu que agentes de imigração podem ter violado o “protocolo”.
Ainda nesta terça-feira, Trump expressou condolências à família de Pretti e afirmou que estaria “acompanhando de perto” a investigação sobre o assassinato.
Ao ser questionado sobre declarações de funcionários do governo que classificaram Pretti como terrorista doméstico, Trump disse: “Não ouvi isso, mas certamente ele não deveria estar portando uma arma.”
Depois, ao responder a uma pergunta sobre as operações anti-imigração, Trump disse que iria “reduzir um pouco a tensão”.
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Conselheiro de Trump reconhece possíveis falhas em 'protocolo' no caso de enfermeiro morto por agentes de imigração
Miller não é o único que mudou de postura quanto à operação anti-imigração conduzida por agentes federais no estado do Minnesota. O discurso de Trump também se modificou.