Como a tensão entre EUA e Irã pode afetar dólar, petróleo e o mercado financeiro

Como a tensão entre EUA e Irã pode afetar dólar, petróleo e o mercado financeiro
Embora especialistas não considerem um conflito duradouro como cenário mais provável, a possibilidade de uma intervenção militar dos EUA não está descartada. Entenda o que isso significa.
Os agentes do mercado financeiro já avaliam a possibilidade de um ataque dosEstados Unidosao Irã. Segundo especialistas consultados pelog1, oaumento das tensões entre os dois paísespode fortalecer o dólar, elevar os preços do petróleo e provocar perdas nas bolsas de valores.

Nas últimas semanas, o presidente dos EUA,Donald Trump, intensificou as ameaças ao país do Oriente Médio, reforçou a presença militar na região e sinalizou que está pronto para um ataque, caso considere necessário.

Jáo Irã prometeu uma resposta “feroz”a qualquer ataque do governo americano.

Embora especialistas não considerem um conflito duradouro como cenário mais provável, a possibilidade de uma intervenção militar dos EUA não está descartada.

Veja a seguir quais podem ser os efeitos de um conflito sobre o dólar, o petróleo e os mercados globais.

Fortalecimento do dólar

Sempre que ocorre um evento geopolítico — como as rusgas entre grandes potências militares —, o dólar costuma ser uma opção de proteção para os investidores.

“É o que chamamos de ‘flight to quality’ (voo para a qualidade), movimento que tradicionalmente ocorre em momentos de guerra”, diz o estrategista-chefe da Avenue, William Alves.

A possibilidade debloqueio do Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% do comércio mundial de petróleo, é outro fator que pode valorizar a moeda americana, porque desestabilizaria o funcionamento do mercado.

“É pouco provável que isso ocorra, já que os EUA mantêm forças militares para proteger a região. Mas o risco sempre existe”, afirma Alves.

“O Irã não é a Venezuela. O país tem maior relevância militar e poderia tentar algum tipo de reação contra os EUA. Talvez não em um primeiro momento, mas até mesmo por meio de ataques ou outras ações após uma eventual atuação dos EUA na região”, completa.

Alta nos preços do petróleo

Um ataque ou bloqueio do Estreito de Ormuz pode afetar os preços do petróleo. O Irã é um dos maiores produtores do mundo e integra a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep).

“Sempre que há tensão entre países produtores de petróleo, o mercado começa a considerar o risco de danos às estruturas de produção”, explica o analista da Genial Investimentos, Vitor Souza.

Gabriel Mollo afirma ainda que o conflito e um eventual bloqueio também podem ter efeitos indiretos na economia, comoaumento da inflação globale das taxas de juros. “Tudo depende da intensidade do conflito, de sua duração e de como ele afetará as cadeias de produção”, acrescenta.

Os especialistas destacam, porém, que o mercado não espera uma guerra prolongada e de grande escala entre os países.O atual excesso de oferta de petróleoe as restrições às vendas do próprio Irã são fatores que podem conter os preços no curto prazo.

“Há, naturalmente, a questão do aumento da demanda. Mas, por outro lado, o Irã já é um país fortemente sancionado, e um eventual conflito não deve gerar o mesmo impacto que a guerra entre a Rússia e a Ucrânia, por exemplo”, diz o analista da Suno Research, Malek Zein.

Risco de queda nas bolsas

Como a disposição dos investidores para apostar em ativos arriscados diminui em momentos de tensão geopolítica, as bolsas de valores mundo a fora também podem sofrer com quedas.

William Alves, da Avenue, diz que os ativos de risco — como ações e investimentos em países emergentes — tendem a reagir mal a eventos como uma guerra, especialmente diante da possível alta do petróleo e dos aumentos de dólar e juros.

“No médio e longo prazo, será preciso avaliar o quão limitado e rápido seria o conflito e se poderia haver retaliações na região, como ataques a instalações de energia, refinarias ou estruturas semelhantes”, completa o estrategista.

A depender da duração do conflito, podem surgir oscilações mais intensas nos mercados e mudanças nas projeções de lucros de alguns setores, especialmente o de petróleo e gás.