Com55% dos votos das eleições emHondurasapurados, o candidato conservador do Partido Nacional,Nasry Asfura, estava na frente na corrida eleitoral nesta segunda-feira (1º), segundo as autoridades eleitorais do país.
A apuração, no entanto, mostra umasituação de quase empate: Asfura tinha 40% dos votos, enquanto o liberal Salvador Nasralla aparecia com 39,78% dos votos.
O país latino-americano foi às urnas neste domingo (30) em meio a umasituação de triplo empateentre candidatos da direita e da esquerda, segundo as principais pesquisas de intenção de voto.
Asfura é filho de palestinos e tido como o "candidato" do presidente dos Estados Unidos,Donald Trump. Oconservador concorre pela segunda vez à presidência e recebeu apoio formal de Trump, na semana passada. É o candidato do Partido Nacional, sigla manchada pela condenação do ex-presidente Juan Orlando Hernández. Já foi prefeito de Tegucigalpa e também foi acusado de desvio de fundos e apareceu na lista do "Pandora Papers" de empresas offshore que sonegavam impostos.
Já Nasralla é estrela de TV e fã de Milei e Bukele.Narrador de futebol, apresentador de concursos de beleza e estrela da televisão local, Nasrallaconcorre pela quarta vezà presidência, desta vez como candidato do Partido Liberal. Admira o presidente da Argentina, Javier Milei, pela gestão da economia, e o de El Salvador, Nayib Bukele, por sua política de segurança. Ediz que copiará ambos.
Rixi Moncada, que tinha 20% dos votos,é sucessora do projeto esquerdista de Castro e de seu marido, o ex-presidente Manuel Zeleaya, deposto em 2009 por um golpe militar. Já foi professora, advogada, juíza eministra da Economia, da Defesa e do Trabalho. Mas foiacusada de corrupçãoquando dirigiu a empresa estatal de eletricidade durante o governo de Zelayae de nepotismo— vários parentes seus ocupam cargos públicos.
As eleições presidenciais deste domingo ocorrem emturno único— ou seja, o resultado deste domingo já determinará quem substituirá a atual presidente, Xiomara Castro, queem 2021 levou a esquerda de volta ao poder hondurenhoapós 12 anos de governos conservadores.
Os candidatostêm evitado apresentar propostas específicasdurante a campanha e preferiram se concentrar em acusar seus rivais de corrupção ou manipulação eleitoral.
➡️ Uma pesquisa do Instituto Gallup apontou que Nasralla tem 27% das intenções de voto, Moncada, 26%, e Asfura 24% das intenções de voto. Outros 18% eleitores ainda estavam indecisos, ainda de acordo com o levantamento.
Temores de fraude e anulação
Para além das propostas, no entanto,o que preocupa mais os eleitores é o temor de que o pleito seja anulado. Na semana passada, autoridades eleitorais relataram ter encontrado irregularidades durante um teste no sistema de resultados preliminares, que costuma sair poucas horas após o fechamento das urnas.
Rixi Moncada ameaçou então não reconhecer o resultado, caso o erro persistisse, levantandopreocupação de observadores internacionais com a legitimidade das eleições hondurenhas.
A missão de observação eleitoral da Organização dos Estados Americanos (OEA) em Honduras afirmou, no início deste mês, que“também observou ações e declarações, praticamente diárias, que geram incerteza e desestabilizam o processo eleitoral”.
“Todos falaram sobre fraude”, disse à agência de notícias Associated Press María Méndez Dardón, diretora para a América Central do Escritório de Washington para Assuntos Latino-Americanos (WOLA), uma organização não governamental focada em direitos humanos. “Eles criam ainda mais incerteza no ambiente quando vemos uma classe política que resiste a se submeter à vontade popular, mas também ao trabalho das instituições eleitorais".
Eleitores também vêm manifestando preocupação com uma interferência das Forças Armadas no processo eleitoral.
Executores do golpe de Estado de direita que derrubou Manuel Zelaya há 16 anos, os militares solicitaram no mês passado ao Conselho Nacional Eleitoral (CNE) acesso às atas eleitorais para verificar a contagem de votos.
Pela Constituição hondurenha, asForças Armadas estão limitadas à função de guardar o material das eleiçõesdurante processos eleitorais.
Apesar de rejeitada pelo CNE, a solicitação geroutemores de uma intromissão dos militares a favor do Partido Libre caso surjam alegações de fraude no domingo.
Para a diretora do WOLA, a preocupação maior é com o fato de, recentemente, osmilitares terem se aproximado da atual presidente, Xiomara Castro -- mesmo que já tenham tentado derrubar o marido de Castro.
Isso porque a atual presidente, que assumiu com a promessa de reverter a tendência de governos hondurenhos de dependerem das Forças Armadas para garantir a segurança no país,acabou convocando os militares em 2022, ao declarar estado de emergência para lidar com a violência de gangues na capital Tegucigalpa.
Xiomara Castro também cancelou alguns direitos constitucionais por conta do estado de emergência.
Desde então, a maioria dos municípios de Honduras ainda opera sobre o decreto de emergência, e as Forças Armadas voltaram a desempenhar um papel central na segurança do país.
"É preocupante porque atualmente os militares respondem à presidente, e essa extrapolação de funções pode colocar as eleições em um cenário muito adverso", disse Méndez Dardón.
Na terça-feira, em uma reunião da Organização dos Estados Americanos, o vice-secretário de Estado, Christopher Landau, pediu que se exija em Honduras um processo eleitoral "livre de fraude e violência". Washington advertiu que, caso haja perturbações ao processo eleitoral, responderá "com firmeza".
Taxa de homicídios mais alta da América Central
No ano passado,Honduras registrou sua menor taxa de homicídios em 30 anos.
Ainda assim, a taxa segue sendo a mais alta de toda a América Central, e, por isso, acabou se tornando um dos pilares da campanha deste ano. A corrida eleitoral também foi "contaminada" pela atual operação militar que o governo de Donald Trump conduz no mar do Caribe, perto da costa da Venezuela, e que gerou temores de uma invasão ao território venezuelano.
Nesse ponto, Nasralla foi a voz dominante e repetiu o polêmico discurso de quetambém quer construir megaprisões como a vizinha El Salvador.Mas foi para Asfura que Trump declarou apoio.
Na sexta-feira (28), opresidente norte-americano inclusive disse que, se Asfura não ganhar, "o dinheiro não vai entrar (em Honduras).
A influência atual de Donald Trump na América Latina também respingou no pleito hondurenho. Só em 2025, os Estados Unidos deportaram 27.000 migrantes de Honduras e revogaram o Status de Proteção Temporária (TPS, na sigla em inglês) de 51.000 hondurenhos.
Cada candidato fez, segundo sua ideologia, algum aceno a Trump.
Moncada diz que respeitará o tratado de extradição com Washington, questionado por Castro. Nasralla prometeu romper com a Venezuela e, assim como Asfura, promover um diálogo melhor com o governo americano.
Todos expressaramdisposição de se aproximar de Taiwan, depois que Xiomara Castro restabeleceu relações com a China, em 2023.
Com apoio de Trump, conservador Nasry Asfura sai na frente em eleição presidencial de Honduras; votos ainda estão sendo contados
Eleições presidenciais ocorreram neste domingo (30) em Honduras, e não haverá segundo turno. Pleito é marcado por acusações de corrupção entre os candidatos e temores de fraude e anulação da votação.