Colômbia volta às urnas para 2º turno com 'queda de braço' entre candidato de Petro e 'outsider' apoiado por Trump

Colômbia volta às urnas para 2º turno com 'queda de braço' entre candidato de Petro e 'outsider' apoiado por Trump
Alberto de la Espriella, advogado da extrema direita apoiado por Trump, e o esquerdista Iván Cepeda, candidato do atual presidente Gustavo Petro, disputam pleito. Pesquisas apontam Espriella à frente. Resultado pode cimentar evolução da direita na América Latina.
A Colômbia volta às urnas neste domingo (21) para o segundo turno das eleições presidenciais, em uma disputa que se tornou uma"queda de braço" entre o atual presidente do país, Gustavo Petro, e o norte-americano Donald Trump. O resultado pode cimentar a onda de governos da direita na América Latina.

Em desafio a Petro, Trump entrou em campanha aberta, como tem feito em pleitos da região desde que voltou à Casa Branca, e declarou apoio a Abelardo de la Espriella.

Candidato daextrema direita, Espriella venceu o primeiro turno e enfrentará agora Iván Cepeda, oesquerdistaapoiado por Gustavo Petro e visto como a continuidade de seu governo — a Constituição colombiana proíbe a reeleição, e Petro, que governa desde 2022, terá de deixar o poder.

O páreo é apontado pela imprensa colombiana comoo mais antagônicoda história recente do país:

👉 Foi justamente esse ponto que fez Espriella disparar no primeiro turno das eleições. Admirador das políticas adotadas por Trump e pelo presidente de El Salvador, Nayib Bukele, o candidato ultradireitista promete uma ofensiva militar e a construção de 10 megaprisões.

“No meu governo não haverá processos de paz. Criminosos que não se submeterem serão eliminados, conforme permitido por lei”, afirmou Espriella.

Cepedaapostou no caminho contrário:disse que quer continuar as negociações de paz com os grupos armados que lutam contra o Estado há décadas — na sexta-feira (19), para impulsionar a promessa, o governo da Colômbia divulgou aentrega de armas de cerca de cem guerrilheiros após tratativas com a gestão de Petro.

Mas foi odiscurso do candidato da extrema direita que mais ecoou no eleitorado no primeiro turno.Pesquisas de opinião vêm apontando a violência como o principal fator de preocupação entre colombianos, à frente da economia - fragilizada pela pandemia e pelo aumento do déficit fiscal, apesar de o atual governo aumentar o salário mínimo nominal em 75% e reduzir o desemprego.

Espriella culpa Petro pelos problemas econômicos e de segurança da Colômbia eprometeu reduzir o tamanho do Estado em 40%,ampliar a base tributária e cortar os impostos corporativos para promover o emprego no setor privado.

“A segurança foi a questão central desta campanha, que levou à vitória de De La Espriella no primeiro turno”, disse o analista político Eduardo Pizarro à Reuters.

Pizarro afirma que a percepção de insegurança aumentou nas cidades, incluindo preocupações com extorsão e pequenos delitos. Ao mesmo tempo, a expansão de grupos armados em áreas rurais afetou mais civis.

Cepeda havia liderado as pesquisas de intenção de voto antes do primeiro turno. Por isso, a vitória de Espriella na primeira rodada surpreendeu tanto quePetro chegou a contestar o resultado, posteriormente reconhecido por Iván Cepeda.

Para o segundo turno, as principais pesquisas de intenção de voto projetam Abelardo de la Espriella à frente de Iván Cepeda. Um levantamento do instituto Guarumo / Ecoanalítica para o jornal "El Tiempo" estima queEspriella tem 52,6% dos votos, ante 45% de Cepeda.

O resultado pode ser conhecido ainda neste domingo. Cerca de 40 milhões de eleitores estão aptos a votar comparecerem às urnas.

Direita na América Latina

Caso De la Espriella vença, a onda que levou outros líderes de extrema direita à vitória na América Latina conquistaria seu maior triunfo até agora, isolando governos de esquerda na região e redesenhando as alianças geopolíticas do continente.

O resultado pode respaldar um movimento que tem, entre seus principais representantes, Nayib Bukele, em El Salvador, Javier Milei, na Argentina, e José Antonio Kast, no Chile.