Colômbia expulsa embaixador da Bolívia por 'reciprocidade', diz chancelaria

Colômbia expulsa embaixador da Bolívia por 'reciprocidade', diz chancelaria
Embate entre presidentes gerou dispensa de embaixadores e agrava crise na Bolívia, que registrou protestos violentos durante o fim de semana.
A chancelaria da Colômbia anunciou nesta quarta-feira (20) asaída do embaixador da Bolívia como medida recíproca, horas depois de La Paz, capital boliviana, expulsar a embaixadora colombiana após acusá-la de "interferência".

O presidente colombiano Gustavo Petro se referiu aosprotestos enfrentados pelo governode seu homólogo Rodrigo Paz durante o fim de semana como uma"insurreição popular". Por isso, a Bolívia expulsou a embaixadora Elizabeth García.

Desde o início de maio, camponeses, operários, mineiros e outros trabalhadores exigem, por meio de fortes manifestações, a renúncia do presidente boliviano, em meio à pior crise econômica do país em quatro décadas.

Anuncia-se "por reciprocidade, o encerramento de suas funções do senhor Ariel Percy Molina Pimentel", informou a chancelaria colombiana em um comunicado.

O governo da Bolívia acusa o presidente colombiano de "interferência direta".

Petro, próximo do ex-presidente Evo Morales, afirmou que na Bolívia estão "matando" o povo e se ofereceu para mediar entre os manifestantes e o governo.

"Se por propor um diálogo e uma mediação expulsam a embaixadora, está se caminhando para extremismos", disse o presidente durante uma entrevista à Caracol Radio.

"Na Bolívia (...) há um governo que está sendo questionado pelo povo", acrescentou.

Paz, quetomou posse como presidente há seis meses, conta com oapoio dos Estados Unidos como novo aliado do presidente Donald Trumpna América Latina. Sua chegada ao poder pôs fim a 20 anos de governos socialistas liderados por Morales e Luis Arce (2020-2025).

A Bolívia atravessa sua crise econômica mais grave desde a década de 1980. O país esgotou suas reservas de dólares para sustentar uma política de subsídios aos combustíveis, que Paz eliminou em dezembro, e a inflação anual ficou em 14% em abril.

*Com informações da AFP.