AChinaquer aumentar a "coordenação estratégica" com aRússiapara melhorar sua capacidade de responder a "vários riscos e desafios", anunciou o Ministério da Defesa chinês, nesta terça-feira (27).
Segundo a agência de notícias estatal chinesa, Xinhua, as negociações já começaram em uma conversa telefônica mais cedo entre os ministros chinês e russo, e Dong Jun falou a Andrei Belousov na videoconferência:
"A China está disposta a trabalhar com a Rússia para implementar seriamente o importante consenso alcançado pelos dois chefes de Estado: fortalecer a coordenação estratégica, enriquecer a substância da cooperação e aprimorar os mecanismos de intercâmbio".
A declaração ocorre um dia depois que o governo Trump divulgou sua nova estratégia de Defesa. De acordo com o documento, divulgado pelo Ministério da Guerra dos EUA nesta segunda-feira (26), oobjetivo é assegurar aos EUA plena dominância militar e comercial "do Ártico à América do Sul".
O governo Trump ameaçou países vizinhos que não ajudarem a combater o narcotráfico e a influência da Rússia e da China no Hemisfério Ocidental com força militar.
Nesta terça,o governo chinês também renovou um acordo de cooperação em construção naval com aDinamarca- que vive um momento tenso com os Estados Unidos por causa da Groenlândia.
Os dois países vão realizar pesquisas para desenvolver em conjunto tecnologias de navios movidos a combustíveis de baixo ou zero carbono e explorar o potencial de cooperação no setor de veículos de novas energias, disse o ministro da Indústria chinês, Li Lecheng.
O primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, viajará à China na noite desta terça, na primeira visita de um líder britânico ao país em oito anos.Especialistas apontam que a intenção é estreitar laços com a segunda maior economia do mundo e reduzir sua dependência de umEstados Unidoscada vez mais imprevisível.
Saiba mais sobre a nova estratégia de Defesa dos EUA
O governo deDonald Trumpquer barrar a influência de seus rivais geopolíticos Rússia e China do Hemisfério Ocidental eameaçou empregar ação militar contra países do continente que não cooperaremou ainda obstruírem seus objetivos.
A ameaça, estendida a quem não colaborar com as ações de combate ao narcotráfico, está nanova Estratégia Nacional de Defesa dos EUA, publicada pelo Departamento de Guerra norte-americano na última sexta-feira (23).O intuito, segundo a estratégia, é assegurar aos EUA plena dominância militar e comercial"do Ártico à América do Sul".
➡️A Estratégia Nacional de Defesa serve como guia das políticas e mobilizações militares planejadas para os próximos anos do governo dos EUA, além de detalhar como implementara Estratégia de Segurança Nacional, divulgada em dezembro.
No novo documento, ao mesmo tempo em que falaem cooperação na base da "boa-fé" com os vizinhos, o governo Trump deixou a porta aberta para ações militaresonde e quando julgar que seus interesses não estão sendo atendidos, e utilizou aoperação militar em Caracas que depôs o ditador venezuelano Nicolás Madurocomo exemplo de ações que o Exército norte-americano pode empregar no futuro.
A gestão de Donald Trump explica ainda como aplicará o lema que tem repetido desde a captura do venezuelano Nicolás Maduro, o de que"este é o nosso hemisfério".E fala de garantir "o acesso militar e comercial dos EUA a áreas estratégicas fundamentais,especialmente o Canal do Panamá, o Golfo da América e a Groenlândia. (...).
"Garantiremos, de forma ativa e destemida os interesses dos Estados Unidos em todo o Hemisfério Ocidental. Atuaremos de boa-fé com nossos vizinhos, do Canadá aos parceiros na América Central e do Sul, mas asseguraremos que respeitem e façam a sua parte na defesa de nossos interesses compartilhados. E, quando isso não ocorrer, estaremos prontos para adotar ações focadas e decisivas que promovam os interesses dos EUA. Este é o Corolário Trump à Doutrina Monroe, e as Forças Armadas dos EUA estão prontas para a aplicar com rapidez, poder e precisão, como o mundo viu na Operação Resolução Absoluta [que resultou na prisão de Maduro]", diz a nova estratégia, assinado pelo secretário Pete Hegseth.
A política de defesa do 2º mandato do governo Trump, segundo o documento do Departamento de Guerra, busca a "paz por meio da força" e começa nas fronteiras dos EUA, passa pelo Domo de Ouro e termina no monitoramento e contenção de seus rivais globais, como a China e a Rússia, contando com a ajuda de aliados ao redor do mundo.
A China é tratada na nova estratégia como oprincipal rival dos EUA no palco mundiale, por isso, é necessário "deter" o país deXi Jinping"por meio da força, não do confronto", ou seja, sem entrar em guerra.
No entanto, o documento diznão ser necessário "dominar nem estrangular" Pequimpara atingir esse objetivo, e indicou que vai buscar umarranjo em que cada um exerça dominação em suas regiões de influênciapara evitar choques.
Isso seria buscado por meio de dois fatores:
"China e suas forças armadas tornaram-se cada vez mais poderosas na região do Indo-Pacífico, a maior e mais dinâmica área de mercado do mundo, com implicações significativas para a segurança, a liberdade e a prosperidade dos próprios americanos. (...) Vamos manter um equilíbrio favorável de poder militar no Indo-Pacífico. (...) Isso não exige mudança de regime nem algum outro tipo de luta existencial. Em vez disso, é possível alcançar uma paz aceitável, em termos favoráveis aos americanos, mas que a China também possa aceitar e sob os quais consiga viver", afirmou o documento.
Trump busca uma "paz estável, comércio justo e relações respeitosas" com a China, segundo o documento. Mas os EUA dizem estar de olho na região do Pacífico Oriental, que abrange Taiwan, Hong Kong e Japão.
Outros pontos da estratégia
China diz que aumentará 'coordenação estratégica' com a Rússia para responder a 'riscos'
Um dia antes, o governo Trump divulgou sua nova estratégia de Defesa e revelou que barrar a influência dos dois países no Hemisfério Ocidental é um de seus maiores objetivos.