Chevrolet Sonic, Volkswagen Tera ou Fiat Pulse? O g1 mostra o perfil de cliente para cada SUV

Chevrolet Sonic, Volkswagen Tera ou Fiat Pulse? O g1 mostra o perfil de cliente para cada SUV
Modelos têm motor 1.0 turbo e brigam na faixa de preço dos R$ 135 mil. Comparativo analisa lista de equipamentos de série, preços de revisões, consumo e desempenho.
Og1mostrouem primeira mão o primeiro teste do Chevrolet Sonic. Agora, chegou a hora de colocar o SUV frente a frente com os principais concorrentes:FiatPulse eVolkswagenTera. Os três custam cerca de R$ 135 mil e são equipados com motor 1.0 turbo e câmbio automático.

Antes do lançamento, a expectativa era de que o Sonic competisse com o Volkswagen Nivus. Porém, o preço e as dimensões do modelo o colocaram em disputa direta com o Volkswagen Tera, líder de vendas do segmento, e com o Fiat Pulse.

Mas qual dos três oferece o melhor pacote de equipamentos? Qual é o mais econômico?Qual tem a manutenção mais cara? E para qual perfil de consumidor cada modelo faz mais sentido?

Og1buscou essas respostas.

Ao anunciar o Sonic, a Chevrolet fez estardalhaço em torno do preço.A versão de entrada Premier foi lançada porR$ 129.990, mas com um asterisco ao lado. Desde o primeiro dia nas lojas e no site, o SUV tinha preço de tabela deR$ 134.990.

Quem ia até o showroom era informado pelos vendedores de que o preço promocional era “por tempo limitado”. A reportagem dog1ouviu de uma das vendedoras que o valor mais baixo seria “limitado a 3.000 unidades”. Porém, até a conclusão desta reportagem, a promoção continuava.

Um banner no site também traz, de forma clara desde o lançamento, o preço de R$ 129.990 em condições especiais de compra.A entrada deve ser de 70%, com mais 12 parcelas, ou de 50%, com mais 36 parcelas.Ambas as condições estão sujeitas à análise de crédito da GM Financial.

Portanto, para este comparativo, og1considerou os preços de tabela informados pelas montadoras, sem promoções. Assim, Pulse e Tera ficam bem próximos do lançamento da Chevrolet.

O Volkswagen é o mais barato, mas faltam equipamentos que os rivais oferecem de série.É preciso desembolsar mais de R$ 1.400 para incluir ar-condicionado automático e carregador por indução no Tera.

Revisões mais salgadas

O consumo de combustível na cidade é melhor no Fiat Pulse,que também é omais potentee tem a melhor aceleração de 0 a 100 km/h. É, portanto, o SUV compacto ideal para o cliente que gosta de mais fôlego e não quer gastar mais na bomba de combustível.

Por falar em gastos, og1também levantou oscustos das revisõesaté 50 mil km. Esse dado é importante, pois mostra quanto o consumidor precisa desembolsar nas revisões programadas e, por consequência, o custo para manter as garantias estendidas.

Vale notar que o Chevrolet oferece cinco anos de cobertura, enquanto Fiat e Volkswagen têm três anos de garantia.

O campeão de vendas Tera tem os preços de revisão mais salgados.Ao chegar à marca de cinco anos ou 50 mil km rodados (o que acontecer primeiro), o proprietário do Volkswagen desembolsa R$ 1.482 a mais que o dono do Sonic.

A Fiat não permite consultar o programa de revisão completo do Pulse Hybrid em seu site. Apenas consta a informação de que as três primeiras revisões do modelo, somadas, saem por R$ 2.537. Og1entrou em contato com a montadora para ter acesso às informações.

Como já foi citado, o Tera não tem ar-condicionado automático nem carregador de celular por indução de série. É preciso desembolsar R$ 1.490 pelo “Pacote Conforto” para ter os dois itens no Volkswagen.

Sonic e Pulse têm esses equipamentos de série e contam com bancos em couro sintético, farol alto automático, sensor crepuscular e alerta de saída de faixa.

O Fiat poderia evoluir no cluster de instrumentos.Os concorrentes têm telas de 8 polegadas, enquanto o Pulse utiliza instrumentos tradicionais com uma tela de apenas 3,5 polegadas no centro.

Já o Tera é o único com controle adaptativo da velocidade de cruzeiro com distância e alerta de fadiga.O Fiat Pulse tem menos airbags, não conta com ajuste de profundidade para o volante e não oferece assistente de permanência em faixa. O Sonic é o único com alerta de ponto cego.

Pela combinação entre preço e lista de equipamentos, o Chevrolet aparece como destaque.

O comportamento do consumidor brasileiro deu origem ao segmento dos SUVs compactos. As montadoras perceberam que o cliente queria pagar pouco por um carro mais altinho e com aspecto de utilitário esportivo. Não queria motor beberrão nem tração 4x4.

É como se as fábricas pegassem um hatch da linha de produção e trocassem alguns elementos para lhe dar a etiqueta de SUV.

Dessa estratégia nasceram Renault Kardian, Citroën C3 Aircross, Peugeot 2008, Nissan Kicks, Hyundai Creta, VW T-Cross, Fiat Pulse, Chevrolet Tracker e tantos outros. Todos derivados de plataformas modulares de compactos.

Por incrível que pareça, essa estratégia tem um lado positivo. Esses modelos altinhos conseguem herdar, na maioria das vezes, o comportamento mais urbano de seus “irmãos” compactos.

No caso do Tera, a sensação ao dirigir é muito parecida com a do Polo e a do Nivus. Apesar da baixa potência, o Volkswagen agrada ao volante na hora de encarar uma estrada sinuosa.

O Fiat Pulse é o mais potente e tem o melhor desempenho, mesmo sendo o mais pesado do trio. Isso se reflete em uma experiência mais próxima da proposta de um SUV, muito pela altura extra e pelo acerto da suspensão.

O Sonic é o mais parecido com um hatch.A Chevrolet acertou a mão no modelo, que saiu bem calibrado e com os sistemas de assistência no tom certo. A posição de dirigir não é alta de maneira artificial. Se existir, no futuro, um Sonic RS com motor 1.2, o modelo certamente será mais divertido na estrada.

Em relação ao espaço interno, o Fiat leva vantagem pela altura e não faz feio mesmo com o entre-eixos mais curto. O Sonic e, principalmente, o Tera não acomodam tão bem os ocupantes mais altos.

Quando falamos de vida a bordo, nenhum desses carros comete falhas graves no quesito ergonomia. Existem, porém, pontos em que alguns modelos se destacam.

A multimídia MyLink e o fato de contar com ponto de Wi-Fi e sistema OnStar de série colocam o Chevrolet acima dos rivais em conectividade.Além disso, a lógica do sistema, a velocidade de resposta e até o visual escuro com ícones minimalistas facilitam o uso dentro do Sonic.

O cluster de instrumentos, grande e com formato quase quadrado, causa estranheza no começo, mas em poucos minutos já é possível se acostumar. O mais comum é encontrar um painel com formato mais horizontal, como no Tera.

Osistema multimídia, a lógica de funcionamento e a organização dos menus também agradam no VW. A marca já entendeu que, independentemente do preço do carro, todos os modelos devem oferecer conectividade e sistemas que funcionem de forma praticamente instantânea para o cliente.

A falha é que o carregador por indução não é de série.Como Android Auto e Apple CarPlay sem fio consomem bastante bateria, a necessidade de conectar o celular por cabo para recarregá-lo elimina boa parte da vantagem da conexão sem fio.

Para ter esse recurso, é preciso pagar R$ 1.490 a mais por um pacote que também inclui ar-condicionado automático. Ainda assim, a vida a bordo e a posição de dirigir são boas.

A Fiat escolheu uma estratégia diferente para o Pulse. A multimídia utilizada pela Stellantis e os demais sistemas também são bons, mas ficam um pouco atrás dos rivais neste comparativo.

O quadro de instrumentos, com formato clássico, oferece boa visualização. Ainda assim, é razoável que um cliente disposto a pagar esse valor, ao observar os concorrentes, espere que a Fiat também ofereça um cluster 100% TFT.

Pela lista de equipamentos, preço e design, o Sonic surge como uma novidade interessante no segmento. O modelo tem atributos para fazer sucesso se a Chevrolet mantiver o preço agressivo e introduzir novas versões de entrada. O cliente que busca novidade tem perfil para o Sonic.

O Pulse tem vantagem pelo consumo mais baixo, pelo desempenho e pelas proporções que o deixam “altinho”. O cliente que busca esses atributos em primeiro lugar tem perfil para o Fiat.

Já o Tera tem ao volante o DNA de condução da Volkswagen e alguns itens exclusivos, como controle adaptativo da velocidade de cruzeiro com distância e alerta de fadiga. Mas poderia ter manutenção mais barata. Os números de vendas mostram o sucesso do carro e indicam que seu público é formado por consumidores que valorizam a marca.