Cerca de 300 mil multas registradas por radares instalados de forma irregular emGoiâniaestão sendo questionadas após uma denúncia feita pelo vereador Sanches da Federal (PP) ao Ministério Público e Tribunal de Contas dos Municípios (TCM). Aog1, o vereador informou que alguns equipamentos estão "escondidos" e mal sinalizados, algo que viola as normas do Conselho Nacional de Trânsito (Contran).
Ainda de acordo com o vereador, um ofício feito pela Câmara de Vereadores questionando os equipamentos foi enviado à Secretaria Municipal de Engenharia de Trânsito (SET) em outubro de 2025, mas, como não teve retorno, o vereador informou que realizou a denúncia ao MP em janeiro deste ano.
Og1tentou entrar em contato com a SET para pedir um posicionamento sobre as possíveis irregularidades e saber se o órgão foi notificado sobre a denúncia, mas não obteve retorno até a última atualização desta reportagem.
Segundo o vereador, os radares mencionados na ação foram instalados em abril de 2025, durante a gestão do prefeito da capital, Sandro Mabel (UB). Os novos equipamentos foram instalados após ocontrato com a antiga empresa responsável ser suspenso. De acordo com Sanches, parte da instalação dos novos equipamentos foi feita de forma irregular.
"Eles não estavam cumprindo a Resolução 798 de 2020 do Contran por diversos aspectos. Essa regulamentação, ela fala de que precisa ter a placa de fiscalização eletrônica em um determinado espaço de tempo, de distância, que é de 100 a 300 metros. Ela fala também que os radares não podem estar velados ou obstruídos por alguma árvore, poste", explicou.
Além disso, o vereador também pontuou que falta transparência sobre a localização dos equipamentos. Segundo o regulamento do Contran, os pontos com radares precisam estar disponíveis para consulta no site do órgão municipal responsável, algo que não foi realizado à época da denúncia, mas que Sanches contou que está sendo regularizado aos poucos.
"No site da SET tem a página, mas não tem os locais. Isso eu fiz em outubro do ano passado. E aí agora, este ano, eles começaram a regularizar algumas coisas. Então, aos poucos, eles estão fazendo, colocando algumas placas, eles estão colocando no site alguns endereços", afirmou.
Mesmo assim, o vereador declarou que as multas aplicadas antes da regularização podem ser anuladas e fez esse pedido no documento da denúncia, junto ao pedido de ressarcimento aos motoristas que tenham sido autuados com as irregularidades.
A Resolução nº 798/2020 do Contran define regras sobre a instalação de radares, incluindo os fixos em perímetro urbano. A norma pontua que os equipamentos não podem estar afixados em: árvores, marquises, passarelas, postes de energia elétrica ou qualquer outra obra de engenharia, instalados de forma "velada" ou "não ostensiva".
O regulamento também impõe:"O órgão ou entidade com circunscrição sobre a via deve dar publicidade, por meio do seu site na rede mundial de computadores, antes do início de sua operação".
"O fato é que em 2025 houve mais de 300 mil multas por radar, que geraram de financeiro, pago ou ainda não pago, mais de R$ 40 milhões. E essas multas todas estavam irregulares, inconsistentes, porque elas não estão com o local do radar fixo no site do órgão", explicou Sanches.
Aog1, o Ministério Público informou que a denúncia foi feita no dia 12 de janeiro. No dia 15 do mesmo mês, a Promotoria solicitou informações à Secretaria Municipal de Engenharia de Trânsito (SET), incluindo estudos técnicos, certificados e outros documentos, mas o pedido foi ignorado.
O órgão fez uma nova solicitação no dia 23 de fevereiro, mas pontuou que ainda aguardava uma resposta da SET até a última atualização desta reportagem para analisar o caso e tomar as devidas providências.
Para Sanches, há várias perguntas que constam no requerimento e devem ser respondidas.
"Quando, onde estão os radares? Cadê no site? Em qual local eles colocaram? Cadê o estudo técnico? Essas questões. Justamente as solicitações legais da resolução", destacou.
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Cerca de 300 mil multas feitas por radares 'escondidos' são questionadas pelo MP
Vereador que fez a denúncia informou que alguns equipamentos estão 'escondidos' e mal sinalizados. Ele pediu o cancelamento das multas no documento da denúncia.