Causa da morte de corretora de imóveis foi tiro na cabeça, aponta atestado de óbito

Causa da morte de corretora de imóveis foi tiro na cabeça, aponta atestado de óbito
Segundo o documento, Daiane Alves Souza teve um traumatismo craniano encefálico causado por disparo de arma de fogo. O corpo será enterrado nesta quarta-feira (4), às 17h, em Uberlândia (MG).
A corretoraDaiane Alves Souza, de 43 anos, foi morta com um tiro na cabeça, de acordo com a declaração de óbito. O corpo da corretora foi encontrado a 15 km deCaldas Novas, na região sul de Goiás, em estado de decomposição avançado. O síndico do prédio em que ela morava,Cleber Rosa de Oliveira,confessou o crimee está preso temporariamente.

Em nota aog1, a defesa de Cleber Rosa de Oliveira informou que a defesa técnica aguarda o fim das investigações, de modo que não se manifestará sobre as circunstâncias e demais elementos do caso até a conclusão do inquérito policial. Apesar disso, reiterou que Cleber permanece colaborando com a autoridade policial(leia a nota na íntegra ao fim do texto).

Segundo a declaração de óbito, Daiane Alves Souza teve um traumatismo craniano encefálico causado por disparo de arma de fogo(veja: defesa diz que síndico confessou ter usado arma).

O documento foi enviado por Plínio Mendonça, advogado da família. De acordo com ele, a conclusão da declaração de óbito traz questionamentos que devem ser respondidos com os resultados dos laudos periciais.

Daiane ficoudesaparecida por mais de 40 diasapós descer ao subsolo do prédio onde morava para checar as causas de uma queda de energia. O filho de Cleber, Maicon Douglas de Oliveira, também está preso suspeito de ajudar o pai a ocultar provas(veja onde eles estavam no momento da prisão).

Os advogados de Maicon Douglas Souza de Oliveira informaram que ele não possui qualquer envolvimento, direto ou indireto, com o crime em questão e que está adotando todas as medidas processuais cabíveis para restabelecer a liberdade de Maicon Douglas o mais breve possível(leia a nota na íntegra ao fim do texto).

Nesta terça-feira (3), o corpo de Daiane foi liberado pelo Instituto Médico Legal (IML) deGoiâniaapós o resultado da identificação feita comDNA dentário. O velório será realizado nesta quarta-feira, às 13h, no Cemitério Parque dos Buritis, emUberlândia. O sepultamento está marcado para às 17h, no mesmo local.

A corretora é natural de Minas Gerais, mas se mudou para Caldas Novas há dois anos para administrar a locação dos apartamentos da família no prédio onde desapareceu. No dia 17 de dezembro, Daianeenviou um vídeopara uma amiga mostrando que seu apartamento estava sem energia(veja abaixo).

Segundo a família, era muito comum que isso acontecesse nos imóveis deles e, por isso, Daiane sempre gravava para se resguardar. No último vídeo enviado por ela, é possível ver o apartamento sem luz e o momento em que a corretora entra no elevador para descer ao subsolo.

A partir do momento em que ela desembarca na garagem, não foi mais vista. Desde então, a polícia começou a investigar o caso e, por fim, chegou ao síndico Cleber Rosa de Oliveira, com quem Daiane tinhadesavenças e brigas recorrentes.

Osíndico foi presona madrugada do dia 28 de janeiro, dentro do apartamento onde morava, no mesmo prédio em que Daiane desapareceu. Segundo ele, o crime aconteceu no subsolo, depois que ele a corretora tiveram mais uma discussão.

Após confessar o crime, Cleber levou a polícia até o local onde deixou o corpo de Daiane, em umaregião de mataa cerca de 15 km de Caldas Novas, emIpameri. De acordo com a polícia, o corpo foi encontrado em estado avançado de decomposição.

No mesmo dia, o filho de Cleber, Maicon Douglas de Oliveira, também foi preso. Segundo a polícia, ele teria comprado umcelular novo para o pai, o que pode indicar ocultação de provas.

Na última sexta-feira (31), a polícia fez uma perícia no local onde o síndico teria interceptado Daiane, próximo aos disjuntores dos apartamentos. Ocelular dela foi encontradoescondido em um vão e está sendo analisado, segundo a polícia.

Briga por apartamentos

Em coletiva de imprensa, a polícia informou que Cleber ainda não havia esclarecido como matou a corretora e nem qual foi a motivação do crime. Apesar disso, os investigadores suspeitam que o síndico matou Daiane pelos desentendimentos motivados pela administração dos seis apartamentos da família dela.

“O síndico administrava [os apartamentos] e eles [família da vítima] passaram a administração para Daiane. Desde então, houve uma série de atritos. Ele foi denunciado por perseguição”, contou o delegado.

Segundo a família, são12 processos na Justiçaenvolvendo Cleber e Daiane. Além disso, eles dizem que desligar a luz dos apartamentos era um comportamento recorrente do síndico, fato que foi confirmado pela polícia por meio de testemunhas.

Após o desaparecimento, o síndico foidenunciado por perseguição(stalking) pelo Ministério Público de Goiânia (MP-GO). De acordo com a denúncia, Cléber teria utilizado a posição de síndico para criar obstáculos à rotina de Daiane, passando a vigiá-la por meio do sistema de câmeras do condomínio e a submetê-la a constrangimentos.

Nilse Alves, mãe da corretora, disse que o sentimento agora é derevolta e alívioapós encontrar a filha depois de mais de 40 dias de angústia.

“O sentimento é de muita dor, muita revolta, mas, ao mesmo tempo, de alívio por saber que ela vai ser colocada num lugar de descanso e não no meio do mato onde o assassino a jogou. E com muito conforto vendo toda solidariedade e tanto apoio!”, escreveu Nilse.

Nota da defesa de Cleber

O escritório Nestor Távora e Laudelina Inácio Advocacia Associada, representando os interesses do Sr. Cleber Rosa de Oliveira, vem informar que os fatos ocorridos em Caldas Novas/GO ainda estão sendo apurados, e o compromisso do Sr. Cléber em contribuir com as autoridades públicas. Ressalte-se que o Sr. Cleber ainda não foi ouvido pelo delegado responsável e aguarda a realização da audiência de custódia. Além disso, a defesa salienta que não há qualquer envolvimento do filho Maicon Douglas de Oliveira na morte da Sra. Daiane Alves de Souza.

Nota da defesa de Maicon Douglas

Na qualidade de defensores constituídos de Maicon Douglas Souza de Oliveira, os advogados subscritos vêm a público esclarecer os fatos relativos à sua prisão temporária, ocorrida no âmbito das investigações que apuram o falecimento de Daiane Alves. Inicialmente, é imperativo destacar que Maicon Douglas não possui qualquer envolvimento, direto ou indireto, com o crime em questão, cuja autoria já foi confessada exclusivamente por seu genitor, Cleber Rosa de Oliveira, em ato que não contou com o auxílio ou prévia ciência de Maicon. Na data de ontem (29/01/26), Maicon foi submetido à audiência de custódia e, posteriormente, prestou depoimento perante a autoridade policial. Durante o interrogatório, o investigado respondeu a todos os questionamentos de forma transparente e satisfatória, colaborando ativamente com a elucidação dos fatos e negando veementemente qualquer participação no trágico evento. A defesa técnica reitera sua confiança no Poder Judiciário e informa que já está adotando todas as medidas processuais cabíveis para restabelecer a liberdade de Maicon Douglas o mais breve possível, garantindo o respeito às garantias constitucionais e à verdade real.

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