Caso de Caíque Verli: como identificar uma crise convulsiva, o que fazer e quando ela pode representar risco à vida

Caso de Caíque Verli: como identificar uma crise convulsiva, o que fazer e quando ela pode representar risco à vida
A investigação sobre a morte do repórter Caíque Verli, da TV Gazeta, considera a possibilidade de uma crise convulsiva. Entenda o que provoca esses episódios, como agir e quando procurar atendimento urgente.
A Polícia Civil do Espírito Santoinvestiga se a morte do jornalista Caíque Verli, de 33 anos, repórter da TV Gazeta, tem relação com uma crise convulsiva. Segundo a corporação, as diligências realizadas no apartamento onde ele foi encontrado indicam que oóbitoteria ocorrido em decorrência de questões de saúde, mas a causa só será confirmada após os exames periciais.

Caíque tinha histórico de convulsões, havia iniciado tratamento medicamentoso nos últimos meses e realizava uma investigação para descobrir a origem das crises.

Embora muitas pessoas associem convulsões exclusivamente à epilepsia, especialistas explicam que esse tipo de episódio pode ter diferentes causas e nem sempre significa que a pessoa tenha a doença. Saber reconhecer uma crise e agir corretamente pode reduzir o risco de complicações e de lesões graves.

Convulsão é um sintoma, não uma doença

A convulsão acontece quando há uma descarga elétrica anormal e excessiva no cérebro. Essa alteração interrompe temporariamente o funcionamento normal dos neurônios e pode provocar perda de consciência, rigidez muscular, movimentos involuntários dos braços e das pernas e dificuldade para responder aos estímulos.

A neurologista Taíssa Ferrari Marinho, especialista em epilepsia e neurofisiologia clínica, compara o fenômeno a um "curto-circuito" cerebral.

"O sistema nervoso funciona por meio de atividade elétrica organizada. Quando ocorre uma descarga anormal, essa atividade perde a coordenação e surge a crise", explica.

Nem toda convulsão, porém, é igual. Dependendo da área do cérebro afetada, a pessoa pode permanecer consciente durante o episódio ou apresentar apenas alterações discretas de comportamento, olhar fixo ou movimentos involuntários em uma parte do corpo.

Segundo a neurologista Camila Hobi, do Hospital do Servidor Público Estadual (HSPE), a chamada crise tônico-clônica generalizada —a imagem mais conhecida de uma convulsão— é apenas um dos tipos existentes.

Nesse caso, o paciente perde a consciência, cai, apresenta rigidez seguida de abalos musculares e, após o episódio, costuma permanecer sonolento ou confuso por algum tempo.

Nem toda convulsão significa epilepsia

A epilepsia é uma doença caracterizada pela recorrência de crises epilépticas, mas uma convulsão isolada pode acontecer em diferentes situações clínicas.

Entre as causas mais frequentes estão:

Segundo Camila Hobi, também existem as chamadas crises sintomáticas agudas, desencadeadas por um problema recente no cérebro, como um sangramento ou um trauma.

Por isso, uma pessoa pode apresentar uma convulsão sem nunca ter tido epilepsia.

Como reconhecer uma crise convulsiva

A forma mais conhecida costuma começar de maneira súbita.

Em poucos segundos, a pessoa perde a consciência, cai e apresenta rigidez muscular. Logo depois surgem movimentos repetitivos e involuntários dos membros, que geralmente duram entre um e dois minutos.

Durante esse período também podem ocorrer:

Ao término da crise, é esperado que o paciente fique desorientado, cansado ou sonolento. Esse período de recuperação pode durar minutos ou até algumas horas.

Como ajudar sem colocar a pessoa em risco

Apesar de serem cenas que costumam causar grande impacto, a principal orientação é manter a calma.

O Ministério da Saúde e a Associação Brasileira de Epilepsia recomendam:

Também há medidas que devem ser evitadas.

Não se deve tentar conter os movimentos do corpo nem colocar objetos ou os dedos dentro da boca da pessoa. Ao contrário do que ainda circula em crenças populares, não existe risco de alguém "engolir a língua" durante uma convulsão. A tentativa de abrir a boca à força pode provocar fraturas nos dentes, lesões na mandíbula e mordidas graves em quem presta socorro.

Quando a situação exige atendimento imediato

Toda primeira convulsão deve ser avaliada em um serviço de emergência.

Também é necessário procurar atendimento urgente quando:

Para quem já tem diagnóstico de epilepsia e crises controladas pelo tratamento, a necessidade de atendimento imediato dependerá da duração do episódio, da recuperação e da ocorrência de lesões.

Tratamento reduz o risco de novas crises

Embora muitos tipos de epilepsia não tenham cura definitiva, o tratamento permite controlar as crises na maior parte dos pacientes.

Os medicamentos chamados anticonvulsivantes reduzem a ocorrência das descargas elétricas anormais no cérebro e ajudam a evitar novos episódios. Em situações específicas, como quando existe uma lesão cerebral bem localizada, a cirurgia pode ser uma alternativa.

O controle adequado também diminui o risco de acidentes relacionados às crises, como quedas, afogamentos e traumatismos.