Carro zero, iPhone e Tigrinho: o que a polícia já sabe sobre os R$ 500 mil que funcionária é suspeita de desviar de supermercado

Carro zero, iPhone e Tigrinho: o que a polícia já sabe sobre os R$ 500 mil que funcionária é suspeita de desviar de supermercado
Segundo a investigação, jovem fazia depósitos frequentes de R$ 1 mil a R$ 2 mil e chegou a ter cerca de R$ 60 mil na conta. Polícia pediu quebra do sigilo bancário para rastrear os valores.
Umcarro zero-quilômetro para o namorado, um iPhone de R$ 10 mil, uma tatuagem de R$ 5 mil, bebidas importadas e apostas no Tigrinho estão entre os gastos identificados pela polícia na investigação sobre umafuncionária de 22 anos suspeita de desviar cerca de R$ 500 milde um supermercado emAparecida de Goiânia.

Segundo o delegado Henrique Berocan, responsável pela investigação, a jovem recebia um salário de aproximadamente R$ 3 mil e fazia depósitos frequentes de valores entre R$ 1 mil e R$ 2 mil. Em determinado momento, ela chegou a mostrar a colegas que tinha cerca de R$ 60 mil na conta bancária.

O nome da investigada e o do supermercado não foram divulgados pela polícia. À TV Anhanguera, a defesa da jovem afirmou que as informações divulgadas sobre o caso não correspondem aos fatos e que todas as acusações serão contestadas pelos meios legais.

A jovem chegou a ser presa na segunda-feira (10), mas foi liberada pela Justiça após passar por audiência de custódia, segundo o delegado. Ela é investigada por furto qualificado mediante fraude.

O que a polícia já sabe sobre o dinheiro

A investigação tenta agora reconstruir o caminho percorrido pelos valores que teriam sido retirados do supermercado. Entre os indícios levantados estão os depósitos frequentes feitos pela jovem e bens e despesas considerados incompatíveis com a renda dela.

Segundo a apuração, a investigada teria comprado um carro zero-quilômetro para o namorado. O delegado afirmou anteriormente que a investigação também busca saber se ele tinha conhecimento da possível origem ilícita do dinheiro.

“Se ele tinha consciência da fonte ilícita do dinheiro, ele também responde por receptação ou até mesmo lavagem de dinheiro”, disse Henrique Berocan.

Entre os outros gastos identificados pela investigação estão um iPhone avaliado em cerca de R$ 10 mil, uma tatuagem de aproximadamente R$ 5 mil e a compra de bebidas importadas. A polícia também apura valores que teriam sido destinados a apostas no chamado “Jogo do Tigrinho”.

Além dos gastos, chamou a atenção dos investigadores a movimentação bancária da funcionária. Segundo a apuração, ela realizava depósitos frequentes, geralmente entreR$ 1 mil e R$ 2 mil, e chegou a ter cerca de R$ 60 mil disponíveis na conta.

Quebra de sigilo deve ajudar a rastrear valores

A próxima etapa da investigação deve avançar sobre a movimentação financeira da jovem. A polícia solicitou a quebra do sigilo bancário para identificar a origem e o destino dos valores movimentados e tentar estabelecer quanto efetivamente teria sido retirado do supermercado.

A medida também poderá ajudar os investigadores a identificar bens adquiridos com o dinheiro e valores que ainda possam ser recuperados. O delegado já havia informado que o montante desviado ainda está sendo apurado. Embora a estimativa inicial seja de cerca deR$ 500 mil, o prejuízo total pode chegar aR$ 1 milhão.

Como os desvios foram descobertos

A investigação começou depois que o proprietário do supermercado percebeu um aumento de aproximadamente 20% nas divergências durante os fechamentos de caixa, segundo a polícia.

Em um dos fechamentos analisados, o caixa sob responsabilidade dajovem movimentou aproximadamente R$ 14 milentre dinheiro, Pix e cartões. Desse total,R$ 1.698,26 deveriam estar disponíveis em espécie, mas apenas R$ 270 foram apresentados para depósito.

Imagens obtidas pela TV Anhanguera também mostram a funcionária retirando cédulas durante o fechamento sem repassá-las ao caixa. No dia do flagrante, segundo a investigação, teriam sido retidos R$ 1.428.

Segundo Henrique Berocan, o proprietário estima que as retiradas possam ter ocorrido durante cerca de dois anos. A duração exata e o valor total ainda são investigados.

No dia em que a divergência foi descoberta, a jovem teria apresentado versões diferentes para explicar o ocorrido e pedido demissão, segundo a reportagem da TV Anhanguera. Com ela, também foram encontradas anotações que a polícia investiga para saber se possuem relação com os supostos desvios.

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