'Cápsula literária': filhos de pioneiros registram história do Centro de Goiânia em série de livros para garantir legado

'Cápsula literária': filhos de pioneiros registram história do Centro de Goiânia em série de livros para garantir legado
Livros lançados nesta terça-feira (28) resgatam as histórias das primeiras famílias da Rua 16, Rua 25 e Avenida Paranaíba. A coletânea é o resultado de intenso trabalho de pesquisa com famílias tradicionais da capital.
Uma série de livros lançada nesta terça-feira (28)resgata a história das primeiras famílias que habitaram o Centro de Goiânia. Com os títulosRua 16, Rua 25 e Avenida Paranaíba, a coletânea foi escrita por 12 filhos de pioneiros. A"Cápsula Literária" é fruto de um intenso trabalho de pesquisadocumental, realizado com o objetivo de preservar o legado dos fundadores e a identidade histórica da capital.

Segundo Ubirajara Galli, um dos escritores e curador do projeto, a iniciativa é pioneira no Brasil."Goiâniaé a única capital no país que tem uma coletânea literária registrando a sua história", disse. Para ele, que viveu a infância nessas ruas, a série é um "verdadeiro crochê" de memórias feitas por quem possui um vínculo afetivo com o Centro de Goiânia.

A escolha das vias que compõem os novos volumes foi criteriosa: a Rua 25, por exemplo, abriga em sua esquina a memória do próprio fundador da cidade, Pedro Ludovico Teixeira, segundo Ubirajara. Enquanto a Rua 16 e a Avenida Paranaíba integram o traçado original de Atílio Correia Lima, conectando pontos centrais, como a Praça Cívica.

Os autores fizeram entrevistas com familiares e arquivos da Academia Goiana de Letras e consultaram jornais e revistas de época. Embora as edições atuais foquem no núcleo pioneiro, os autores afirmam que o projetodeve continuar para contemplar outros logradouros históricose evitar que o legado dessas famílias se perca com o tempo.

"Nós temos o projeto de sequência. A ideia é contemplar ao máximo o núcleo pioneiro de Goiânia, com detalhes, para que enriqueça todas as informações que foram possíveis", contou Ubirajara.

Joaquim Câmara Filho

Uma das figuras históricas com grande importância para a capital, o escritor relembrou a história de Joaquim Câmara Filho, que trouxe, junto aos irmãos, o Grupo Jaime Câmara de comunicação para Goiânia.

De acordo com Ubirajara, Joaquim teve o grande papel na divulgação da nova capital de Goiás. Ele apostou no projeto, construindo a primeira casa da Rua 16, no Centro, endereço que dá nome a um dos livros. A obra também conta com uma dedicatória ao comunicador.

O escritor destacou que a Rua 25, no Centro da capital, que deu vida a um dos livros, abrigou a residência do fundador de Goiânia, Pedro Ludovico. Inclusive, a capa do livro "Rua 25: Centro" retrata a imagem da casa ainda recém-construída.

A Avenida Paranaíba faz parte do planejamento inicial de Goiânia, tendo sido inaugurada em 1930. Ela conecta o Parque Botafogo à região do antigo aeroporto. Já a Rua 16, além de abrigar a casa de Joaquim Câmara Filho, no Centro da capital, tem uma grande importância histórica, também tendo sido planejada em 1930 e fazendo parte da fundação da capital.

O local também abrigou a casa do desembargador Eládio de Amorim, interventor federal interino em Goiás, representada na capa do livro "Rua 16: Centro".

De acordo com Ubirajara, o grupo de coautores que participaram dos livros inclui escritores que atuam nas mais diversas áreas, mas todos integrando o projeto como pesquisadores em busca de manter viva a história da capital.

São eles os escritores de "Rua 16: Centro" e "Rua 25: Centro" , representados na imagem acima da esquerda à direta: Yúri Baiocchi, Valéria Vilela, Ana Carolina D’Abreu Carvalho Pires, Jacira Rosa Pires, Sulamita Silva Costa, Maria Luiza Póvoa Cruz, Ubirajara Galli, Narcisa Abreu Cordeiro e Sônia Marise.

Já os escritores que colaboraram para dar vida ao livro "Avenida Paranaíba", também da esquerda à direita, são: Valéria Vilela, Ana Carolina D’Abreu Carvalho Pires, Jacira Rosa Pires, Narcisa Abreu Cordeiro, Maria Luiza Póvoa Cruz, Ubirajara Galli, Maria Elizabeth Fleury Teixeira e Alice Augusta Seixo de Britto de Fleury(veja abaixo).

Ubirajara Galli pontuou que os pesquisadores não receberam incentivos públicos para realizarem as pesquisas e publicarem as obras. De acordo com ele, os livros partem de um projeto independente dos coautores que pretendem manter viva a história de Goiânia e sua importância.

"Nossa obra visa compartilhar e armazenar no tempo aquilo que ainda é possível dessa Goiânia tão jovem e com essa perda tão sensível de memória, humana e arquitetônica. Esse é o nosso propósito", afirmou o escritor.

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