A turista Diully Mércia dos Santos, deAparecida de Goiânia, ficou surpresa ao encontrar uma cachoeira emPirenópolis, no entorno do Distrito Federal, completamente seca durante uma visita. As imagens mostram a cachoeira com uma corrente de água no dia 24 de fevereiro e totalmente seca no dia 16 de agosto(veja o antes e depois).
Nas imagens, a jovem está no complexo da Cachoeira dos Dragões, onde deveria estar uma queda d'água, mas o local está seco.
“Olha, gente, olha que tristeza. Aqui era uma cachoeira, né? E não tem nada. Seca, seca, seca, seca. Muito triste”, diz Julie no vídeo.
Diully contou que foi a primeira vez que visitou Pirenópolis e também sua primeira experiência em uma trilha e em uma cachoeira. Antes de iniciar o passeio, segundo ela,um funcionário do atrativo informou que duas das cachoeiras estavam secas por causa da época do ano.
No complexo, ela visitou oito cachoeiras. Segundo Julie, cachoeira do Dragão Verdadeiro e a Dragão Voador eram os atrativos que estavam secas.
A turista disse ainda que ficou surpresa ao encontrar as quedas sem água, mas depois passou a refletir sobre a situação ambiental.
Cachoeiras secam durante estiagem
O guia de turismo Mauro Henrique,que trabalha em Pirenópolis há quase 30 anos,contou que conhece a região há muitos anos e que algumas das cachoeiras do complexo costumam perder grande parte do volume de água durante o período de seca.
Segundo ele, o local fica em uma região alta e de nascente. Das oito cachoeiras, quatro podem ser consideradas praticamente secas durante a estiagem. Duas ficam sem água e outras duas apresentam apenas um pequeno fluxo.
“Essas cachoeiras elas secam mesmo na época da seca, porque lá é um lugar muito alto e um lugar de nascente. (…) Das oito cachoeiras que tem lá, quatro praticamente você pode considerar secas. Duas secas de tudo e outras duas ficam pouquíssima água”, explicou.
O turismólogo e guia de turismo Luiz Triers, que trabalhou como gerente da Cachoeira dos Dragões entre 2018 e 2023, também relatou mudanças na região.
Segundo ele, um caseiro que vive no local desde a década de 1980 contou que a cachoeira não apresentava a mesma situação no passado e que a sazonalidade de períodos secos começou a ser percebida a partir de meados dos anos 2000.
Ainda de acordo com Luiz, a diminuição das matas ciliares e da cobertura de vegetação natural pode afetar os microclimas. Ele explicou que a vegetação participa do processo de transpiração e está relacionada à dinâmica dos rios.
“Então isso não é uma questão solar, é uma questão regional e um pouco maior, né? Porque a diminuição das matas ciliares e das coberturas de vegetação natural que auxiliam no processo, né, de fotossíntese e dos rios aéreos, porque no processo de fotossíntese as árvores transpiram mais, vem afetando os microclimas”, afirmou Luiz.
Cachoeira seca surpreende turista em Pirenópolis; veja o antes e depois
Turista visitou a Cachoeira dos Dragões pela primeira vez e se surpreendeu ao encontrar duas das quedas sem água durante passeio.