Brasil em 2º lugar com goleada da Escócia: como seria o desempenho do grupo C na 'Copa da Educação'?

Brasil em 2º lugar com goleada da Escócia: como seria o desempenho do grupo C na 'Copa da Educação'?
Seleção busca sua primeira vitória na Copa do Mundo 2026 nesta sexta (19). Mas, quando o assunto é educação, nenhuma estratégia faria o país assumir o primeiro lugar nesse grupo.
Após estrear com empate contra o Marrocos, o Brasil ainda busca sua primeira vitória na Copa do Mundo 2026 para assumir a liderança do grupo C e encaminhar uma classificação tranquila para a próxima fase.

Mas, quando o assunto é educação,nenhuma estratégia faria o país assumir o primeiro lugar nesse grupo.

Isso porque, em grande parte dos índices de educação, o Brasil fica atrás da Escócia. Apesar disso, o desempenho nacional é melhor do que o dos outros dois adversários, Haiti e Marrocos.

E, mesmo que as estatísticas nos colocassem em segundo lugar na educação desse grupo, a distância para o primeiro colocado ainda seria grande – nada entre essas nações seria decidido só pelo saldo de gols.

👉Para analisar essa disputa, og1considerou:

Abaixo você confere como são esses confrontos entre cada um dos países do grupo do Brasil e entende melhor o porquê das desigualdades na educação dessas nações.

Qualidade de vida e anos escolares

Um dos primeiros índices levados em consideração para avaliar o desempenho das seleções na educação é oÍndice de Desenvolvimento Humano(IDH).

➡️OIDHfoi criado pela Organização das Nações Unidas (ONU) paraavaliar a qualidade de vida e o desenvolvimento de uma população. Ele leva em consideração três fatores principais: saúde, educação e renda.

E nessa rodada, a Escócia é muito superior a qualquer um dos adversários do grupo C, com um IDH de 0,946 (quanto mais perto de 1, melhor o IDH). O segundo colocado, o Brasil, tem 0,786, pouco a mais do que o Marrocos, com 0,710. Já o último lugar é ocupado pelo Haiti, com um IDH de somente 0,554.

Daniel Perry, diretor executivo do Sistema Anglo de Ensino, explica que o índice apresentado pelo Haiti mostra que o país enfrenta sérias dificuldades socioeconômicas, com um dos menores níveis de desenvolvimento humano da América Latina.

"Na prática, esse resultado reflete baixa escolaridade média, menor expectativa de vida e menor acesso da população a oportunidades econômicas e serviços públicos", analisa Perry.

A média de anos na escola também acompanha o nível de desenvolvimento humano no país. Enquanto no Reino Unido, do qual a Escócia faz parte, a população estuda por cerca de 13,5 anos, no Haiti, o período na escola fica em torno de 5,4 anos, em média.

Desempenho em disciplinas básicas

O segundo confronto escolhido para analisar a educação foi o desempenho em disciplinas base da formação escolar – nesse caso, especificamente a Matemática.

A edição mais recente do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa), que avalia o desempenho escolar de alunos de 15 anos de 79 países, mostrou que a distância entre o Brasil e a Escócia é imensa, também nesse aspecto.

👉Osdados do Pisa 2022 revelam que 73% dos alunos brasileiros não atingiram o nível 2de conhecimentos matemáticos. Isto é,7 em cada 10 alunos brasileiros não sabem resolver problemas matemáticos simples, como converter moedas e comparar distâncias.

Ainda que o número deixe o Brasil em segundo lugar no grupo, o nível é bem mais próximo do observado no Marrocos, em que 82% dos alunos não conseguiram nível 2, do que na Escócia, onde essa porcentagem é de somente 24%.

O Haiti não participa do Pisa, mas os indicadores educacionais disponíveis sugerem que o país teria dificuldades para alcançar os resultados observados em Brasil, Marrocos e Escócia.

"A educação haitiana enfrenta enormes desafios relacionados à pobreza, à instabilidade política, à infraestrutura escolar e à baixa capacidade de financiamento do sistema público", comenta Perry.

Taxa de alfabetização

Para a terceira rodada foi escolhida a taxa de alfabetização como confronto entre os países do grupo C. E, nesse aspecto, o Brasil se deu melhor, se aproximando do primeiro colocado pela primeira vez.

No país, ataxa de alfabetização chega a 95%segundo dados do Banco Mundial. No Reino Unido, dados nacionais mostram que o índice é de cerca de 99% (a taxa da nação não é medida pelo Banco Mundial).

Nesse confronto, é possível observar uma divisão clara de dois blocos no grupo: Brasil e Escócia com mais de 95% e Marrocos e Haiti na faixa dos 65%.

Isso, segundo Perry, mostra estágiosdiferentes de universalização da educação básica.

"Brasil e Escócia conseguiram garantir que praticamente toda a população tenha acesso à alfabetização. Já Marrocos e Haiti ainda convivem com uma parcela significativa de adultos que não dominam plenamente a leitura e a escrita, o que limita oportunidades educacionais, profissionais e sociais", analisa.

Percentual gasto em educação

Por fim, o percentual gasto em educação foi o último embate analisado na disputa da educação entre os países e é o único em que há uma surpresa: Marrocos é o país do grupo que, percentualmente, mais destina dinheiro à educação.

Cerca de 6% do Produto Interno Bruto (PIB) do país africano é gasto com educação, apenas 0,1% a mais do que o observado na Escócia. Mas o Brasil não fica muito atrás nesse confronto. Nacionalmente, 5,6% do PIB é destinado a esse fim.

Segundo especialistas, esse é o patamar que muitos países consideram necessário para sustentar sistemas nacionais de educação básica em larga escala.

"Independentemente do nível de riqueza, governos precisam financiar escolas, professores, materiais didáticos, transporte, alimentação e gestão educacional. Por isso, países com características muito diferentes acabam destinando parcelas semelhantes de sua economia para essa finalidade", explica Perry.

Apesar disso, ele pondera que o mesmo percentual não produz os mesmos resultados financeiros. Como o PIB da Escócia é muito maior que o do Marrocos e superior ao do Brasil quando analisado por habitante, os recursos disponíveis por estudante são significativamente mais elevados.

Assim, o percentual investido é parecido, mas acapacidade de investimento por aluno é bastante diferente.

Mais uma vez, o Haiti é o país que destoa no grupo, com apenas 1% da renda nacional sendo revertida em educação.

E isso reflete diretamente a situação econômica do país e seu modelo educacional.

"Esse percentual indica uma capacidade limitada do Estado para financiar a educação pública. Como consequência, muitas famílias dependem de escolas privadas, comunitárias ou apoiadas por organizações internacionais", conclui Perry.