Bases militares dos EUA estão sob ataque do Irã

Bases militares dos EUA estão sob ataque do Irã
A ação é em retaliação ao ataque coordenado dos EUA com Israel. Os EUA possuem 128 bases militares em 51 países em cinco continentes.
Bases militares dosEstados Unidosno Golfo — incluindo Emirados Árabes Unidos, Bahrein, Catar, Jordânia e Kuwait — estão sendo atacadas pela Guarda Revolucionária Iraniana.

A ação foi em retaliação ao ataque dos EUA com Israel aoIrã. A informação é da agência Fars.

Nesta madrugada, manhã de sábado (28) no horário local,a capital do Irã foi alvo de bombardeios em uma ação coordenada entre Estados Unidos e Israel. O ataque ocorre após semanas de tensas negociações e pressão americana para que Teerã encerrasse seu programa nuclear.

Todas as bases, recursos e interesses dos EUA em toda a região são considerados alvos legítimos para o exército iraniano, afirmou a Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC). "Esta operação continuará implacavelmente até que o inimigo seja derrotado de forma decisiva", declarou a IRGC.

Os EUA possuem 19 bases militares noOriente Médio, além de outras instalações que o Exército norte-americano pode utilizar com base em alianças firmadas com países da região. As bases integram umarede que confere a Washington a maior e mais ampla presença militar entre todos os países do mundo.

Veja abaixo quais são as bases militares dos EUA no Oriente Médio:

Bases no Oriente Médio

Das 19 bases militares dos EUA no Oriente Médio, oito delas são controladas pelo país e outras 11 com presença de tropas e equipamentos militares, segundo um levantamento de 2024 do Congresso dos Estados Unidos.(Veja no mapa acima e dê zoom para ter mais detalhes)

A maior base dos EUA no Oriente Médio fica no Catar. É a deAl Udeid, que abriga cerca de 10 mil soldados, segundo institutos especializados em questões militares. Outras bases da região, principalmente na Jordânia, têm sido utilizadas para acumular jatos de guerra para um eventual ataque contra o Irã.

Em janeiro,países da Península Arábica, que tem alguns dos maiores aliados dos EUA no Oriente Médio, proibiram o governo Trump de utilizar seus espaços aéreos e terrestres para lançar um ataque contra o Irã.Foi o caso da Arábia Saudita, da Jordânia, e dos Emirados Árabes Unidos.

Esses países temem uma guerra de grandes proporções no Oriente Médio. Afinal, o regime do aiatolá Ali Khamenei prometeu retaliar qualquer ataque ao Irã bombardeando bases aéreas dos EUA na região.

A base deAl Udeidabriga cerca de 10 mil tropas dos EUA e tem capacidade para 100 aeronaves. É nela que fica o quartel general do Centcom, divisão central do Exército dos EUA responsável pelo Oriente Médio, Egito, Ásia Central e partes do sul da Ásia. É a única base que atua como um comando regional mais amplo.

​Al Udeidfoiatacada em 2025 pelo Irãem retaliação a bombardeios dos EUA contra instalações nucleares. Em janeiro deste ano, a base entrou em alerta máximo e evacuou parte do pessoal. No início de fevereiro, o Exército norte-americanoposicionou baterias móveis de defesa aérea Patriotno local.

Essa base é considerada um centro logístico do Exército norte-americano e já deu suporte para missões dos EUA no Iraque e na Síria. Possui diferencial em suprimentos e mobilização rápida. Abriga cerca de nove mil soldados dos EUA.

A base possui mais de 50 jatos F-22, drones de ataque e aeronaves de vigilância dos EUA. Tem um foco em inteligência, aviação furtiva e monitoramento regional. Abriga cerca de 3,5 mil soldados norte-americanos.

A base naval dos EUA no Bahrein tem entre sete e nove mil soldados dos EUA e tem como foco garantir a segurança do Golfo Pérsico, do Mar Vermelho e Oceano Índico.

É uma base naval considerada estratégica por ter capacidade de receber um porta-aviões —Washington geralmente deixa ao menos uma dessas embarcações estacionada na região—, outros navios de combate e submarino nuclear.

A base deMuwaffaq Salti., na Jordânia, abriga uma aeronaves da 332ª divisão da Força Aérea dos EUA, que inclui jatos F-15, F-16, aviões de vigilância e helicópteros de ataque. Abriga cerca de dois mil soldados dos EUA.

Ela foi uma das bases que recebeu mais jatos dos EUA deslocados para o Oriente Médio na atual escalada militar de Washington contra o Irã.

A base Prince Sultan tem cerca de 2,3 mil tropas dos EUA e tem foco em proteger rotas de petróleo de ataques do Irã ou dos Houthis, grupo rebelde iemenita financiado por Teerã. Possui defesa antimísseis Patriot e THAAD.

Bases militares e tropas dos EUA pelo mun

Os EUA são uma superpotência militar mundial e possuem a maior rede de bases militares estrangeiras, segundo institutos especializados em estudos militares.

O posicionamento e distribuição dessas instalações militares e tropas têm importância estratégica fundamental para as pretensões geopolíticas dos EUA e servem principalmente para a contenção de seus adversários e projeção de poder militar, segundo Vitelio Brustolin, professor de Relações Internacionais da Universidade Federal Fluminense (UFF) e pesquisador de Harvard .

Segundo o Congresso dos EUA, as principais razões estratégicas para manter bases pelo mundo são:

O país gastam mais de US$ 70 bilhões (R$ 364 bilhões) por ano para manter suas instalações militares no exterior, segundo dados de outubro de 2025. São 230 mil militares, entre tropas da ativa e civis funcionários do Departamento de Guerra e membros da Guarda Nacional, posicionados entre essas instalações. Desses, cerca de 170 mil são tropas da ativa.

Veja no gráfico abaixo os 10 países que abrigam o maior número de tropas dos EUA.

Soldados norte-americanos estão presentes em centenas de outras instalações militares, que variam em tamanho e função. Um estudo da University of California Press de 2020 mapeou as cerca de 800 instalações militares dos EUA pelo mundo.

É possível que a atual configuração das forças norte-americanas sofra alteraçõesnos próximos anos por conta de iniciativas próprias da Casa Branca de Trump, como umaumento do foco no Hemisfério Ocidental e na América Latina. Mesmo assim, atualmente, uma grande mudança parece improvável, segundo o professor Vitelio Brustolin.

"Os novos documentos estratégicos dos EUA deixam claro que a segurança das Américas como parte central da segurança nacional direta e prioritária para os EUA, diferentemente de Ásia e Europa, onde o foco é secundário. Mas isso não significa necessariamente os EUA busquem novas bases militares na América Latina", afirmou Brustolin.

Segundo o professor, os Estados Unidos não precisam construir novas bases militares na América Latina porque já é possível projetar poder a partir de seu próprio território, como comprovado durante a campanha de pressão contra o ditador venezuelano deposto Nicolás Maduro.

No hemisfério ocidental, o objetivo dos EUA é expulsar a influência de Rússia e China, segundo Brustolin, e "não necessariamente com a colocação de mais bases, mas buscando fazer com que os países da região se submetam aos Estados Unidos, seja de forma amigável ou não"

O Congresso dos EUA menciona "Natal-Fortaleza" como "instalações fora dos principais palcos de guerra", porém não dá detalhes.