Após participar de quatro feiras de adoção, cachorro segue sem lar, e história emociona: ‘Entendeu que é invisível’

Após participar de quatro feiras de adoção, cachorro segue sem lar, e história emociona: ‘Entendeu que é invisível’
Vídeo publicado por abrigo de Goiânia mostra tristeza de animal ao não ser escolhido ao longo das feiras. Segundo responsável, interesse do público costuma ser maior por filhotes.
Um cachorro de cerca de 2 anos tem chamado a atenção nas redes sociais após um vídeo publicado peloAbrigo dos Animais Refugados, emGoiânia, mostrar a mudança de comportamento dele em eventos de adoção(assista acima).Gaara, como é chamado, já participou de quatro feiras este ano, mas ainda não encontrou um lar. O vídeo foi compartilhado com a frase:“Já é o 4º evento de adoção a que você vai este ano e já entendeu que é invisível”.

Na publicação, o abrigo descreve que o animal deixou de demonstrar entusiasmo após sucessivas tentativas sem sucesso.

“Nos primeiros eventos, ele sempre ficava animado. Ia até as pessoas, abanava o rabinho, tentava chamar a atenção e fazer amizade com todo mundo. Hoje, ele fica mais quietinho no canto, observando de longe todo mundo só se interessando por filhotes”, diz o texto.

A publicação emocionou internautas. “Me doeu ver a carinha triste dele. Que ele encontre uma família que o mereça”, comentou uma seguidora.

Em entrevista aog1, a presidente do abrigo, Rayane Araújo Sousa de Godoy, contou que Gaara recebeu esse nome em homenagem a um personagem do anime Naruto. No desenho, o personagem sofria por sentir que não tinha família. Já o cãozinho foi resgatado em novembro de 2025, durante uma ação para ajudar uma cadela ferida. Ao chegarem ao local,voluntários o encontraram próximo a um contêiner, latindo e protegendo uma área onde havia uma fêmea com filhotes dos dois.

“Tinha esses filhotinhos lá embaixo e a mãezinha que estava ao lado também, então a gente supôs que ele era o pai das crianças e estava ali tentando protegê-los. Não estava nos nossos planos resgatar mais animais, mas não conseguimos deixá-los lá”, lembrou a voluntária.

A cadela, que recebeu o nome de Temari, e os filhotes foram adotados ainda em dezembro, mas Gaara permaneceu no abrigo. Segundo Rayane, o nome da mãe também faz referência a um personagem de Naruto.

Apesar de ser considerado dócil e carinhoso,o cachorro não desperta o mesmo interesse que os filhotes durante as feiras. Rayane relatou que a situação se repete com frequência.
“Com os adultos, a gente sempre fica com o coração apertado, porque as pessoas vêm mais para ver os filhotes. Nós sempre reforçamos que os adultos também merecem uma chance”, disse.

Mesmo com a repercussão do vídeo,ninguém demonstrou interesse em adotá-loaté o momento.“Há muitos comentários e visualizações, mas só de pessoas desejando que ele encontre alguém”, disse Rayane.

O abrigo realiza feiras de adoção a cada dois meses, principalmente em shoppings da capital, além de eventos pontuais em outros locais. Para adotar, é feita uma triagem com os interessados, incluindo análise do ambiente e assinatura de um termo de responsabilidade.Todos os animais disponibilizados são castrados ou recebem encaminhamento para o procedimento quando atingem a idade adequada.

Rayane também destaca que quem não puder adotar, mas quiser ajudar, pode recorrer aosistema de apadrinhamento. Nele, o interessado contribui com R$ 30 por mês para os cuidados de um animal e recebe notícias do "afilhado" mensalmente. Além disso,é possível buscar animais para passear ou passar alguns dias em casa, após passar por triagem.

A equipe do Abrigo dos Animais Refugiados, que cuida de mais de 150 animais vítimas de abandono e maus-tratos, reforça a importância de considerar a adoção de animais adultos.

“Vamos dar uma chance para os adultos também. Eles têm tanto amor para dar quanto os filhotes”, pede a presidente.

Enquanto aguarda por uma família, Gaara segue participando dos eventos e esperando por uma nova oportunidade.

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