Aluno foi advertido por short considerado inadequado após casal ficar incomodado e reclamar para academia

Aluno foi advertido por short considerado inadequado após casal ficar incomodado e reclamar para academia
Academia alegou que vestuário era inadequado para exercícios e citou diretrizes de contrato em sua defesa. Justiça de Goiás determina indenização de R$ 20 mil por danos morais após aluno ser advertido pelo tamanho de sua bermuda.
O alunoMarcus Andrade, de 42 anos, foi advertido por short considerado inadequadodepois que um casal ficou incomodado e reclamou para a administração de uma academia, emAnápolis, na região central do estado. Segundo Marcus, um dos clientes do estabelecimento disse que se sentiria constrangido se a esposa visse as pernas dele.

"Um dos personais, administrador, me chamou no escritório [da academia] e falou que tinha um cliente incomodadíssimo com o tamanho da minha bermuda e que a esposa dele veria essas pernas e ficaria realmente muito constrangido", relatou Marcus.

O relato de Marcus foi feito através de uma postagem nas redes sociais, onde ele aparece supostamente com a mesma roupa de treino que usava quando foi chamado a atenção(veja no vídeo acima).

Segundo Marcus, no dia 30 de junho de 2025, após o treino na academia Hope Select de Anápolis, ele esperava pelo marido, que ia buscá-lo, quandofoi chamado por um funcionário e conduzido a uma sala. Em entrevista para a repórter Yanca Cristina, Marcus detalhou o momento.

“Ele [o funcionário] relatou que um dos alunos havia reportado a ele que estava incomodado com o meu vestuário, porque a minha bermuda, meu short, era muito pequeno, e a esposa dele, que também treinava ali, tinha se sentido constrangida”, detalhou.

Resposta da academia

Em uma nota publicada na época, a academia disse que é um “ambiente acolhedor, respeitoso e seguro para todos” e que a roupa do aluno não era apropriada para determinados movimentos de exercícios de musculação.

“Essa conduta está prevista em nosso contrato e segue as diretrizes da empresa quanto ao uso de roupas que assegurem liberdade de movimento sem causar desconforto a terceiros, sempre com base no respeito mútuo, na empatia e na boa convivência”, escreveu a academia em nota que foi publicada em suas redes sociais.

Em decisão judicial publicada no dia 3 de março,ficou determinado o pagamento de uma indenização de R$ 20 mil com caráter educativo. Marcus Andrade disse que a atitude pode "contribuir para uma sociedade menos homofóbica". A decisão, em primeira instância, cabe recurso.

Og1entrou em contato com a academia e com o representante jurídico do estabelecimento, mas não teve retorno até a última atualização desta reportagem.

Segundo Marcus, a sensação após a decisão é de um "sopro de esperança". Ele diz estar feliz com a decisão, mas não pela quantia em dinheiro, mas pela mensagem.

"Estou feliz e não é pelo valor ganho na causa, mas pela mensagem poderosa que traz: nós temos o direito de existir, ir e vir em qualquer lugar e estabelecimentos sem passar por constrangimentos", disse em entrevista ao g1.

Na decisão, a Justiça entendeu que não houve problemas na abordagem da academia durante a advertência, já que a conversa foi feita em local reservado e que a exposição midiática posterior foi feita pelo próprio aluno.

Apesar disso, apontou que, na nota oficial divulgada pelo estabelecimento após a repercussão do caso, a academia “assumiu o risco de ampliar o debate público”.

Segundo a juíza, o texto da academia não tem caráter explicitamente homofóbico, mas o teor religioso ajudou a reforçar uma percepção pública de reprovação moral.

“Ao invocar, como fundamento de sua postura, a necessidade de ‘agradar e honrar a Deus’, vinculando tal referência ao episódio envolvendo o requerente, que é homossexual, a requerida introduziu componente de natureza religiosa em situação já sensível sob o prisma da identidade e orientação sexual”, concluiu a juíza.

A indenização de R$ 20 mil por danos morais foi fixada com base na gravidade da conduta considerada ofensiva e discriminatória, na repercussão do caso na vida de Marcus e na capacidade econômica dos envolvidos.

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