Uma operação realizada pelo Batalhão de Polícia Ambiental no Rio Vermelho, nacidade de Goiás, região noroeste do estado, apreendeu800 gramas de mercúrioem um garimpo ilegal. O produto,considerado altamente tóxico,foi encontrado em um laboratório de fundição improvisado dentro de uma propriedade rural onde era utilizado para separar o ouro de outros minerais, segundo a corporação.
A ação foi realizada na quinta-feira (21) em conjunto com a Secretaria Municipal de Meio Ambiente da cidade de Goiás. De acordo com o secretário municipal de Meio Ambiente, Lucas Clementino, as condições encontradas no local eram totalmente irregulares e degradantes. Aog1,o secretário disse que o proprietário do garimpo, identificado como um empresário de Caldas Novas, foimultado administrativamente em R$ 1,4 milhão.
O nome do proprietário do garimpo não foi divulgado pela polícia e, por isso, og1não conseguiu contato com a defesa dele.
Segundo o major Bruno Portela, sete pessoas foram presas e três balsas utilizadas no garimpo acabaram apreendidas e inutilizadas. Aog1, o militar, que coordenou a ação, explicou que o mercúrio estava armazenado próximo aos barcos, dentro da área de extração.
“Tinha um laboratório de fundição do ouro que era extraído. Então lá era onde se fazia a utilização do mercúrio para separar o ouro dos outros metais, como a pirita, com todos os elementos que precisavam passar pela fundição”, explicou.
Condições degradantes e multa milionária
De acordo com o secretário, o objetivo principal da ação era a interrupção imediata da atividade para conter o dano ambiental em uma área de preservação estratégica. Lucas ressaltou que, embora casos de garimpo desse porte sejam considerados esporádicos na região, este é o segundo registro somente neste ano.
Trabalhadores em situação análoga à escravidão
Segundo o major Bruno, seis pessoas presas viviam em condições análogas à escravidão no local, sem estrutura adequada de higiene e acomodação. Os trabalhadores seriam de diversos estados, como Maranhão, Mato Grosso, Pará, Tocantins e Goiás. Um sétimo suspeito seria o gerente do empreendimento.
“Eram pessoas que vieram de outros estados. Tinha gente de Goiás, Mato Grosso, Pará, Maranhão e Tocantins. Um outro era o preposto do dono do empreendimento, uma espécie de gerente. Esse ficava em uma acomodação diferente e todos os outros trabalhadores estavam em um alojamento totalmente insalubre. Não tinha higiene, não tinha local apropriado para armazenar os alimentos”, contou o major.
Segundo a Polícia Civil, os sete investigados não possuíam passagens policiais anteriores e responderão ao inquérito em liberdade. A corporação informou ainda que o suposto proprietário do garimpo foi identificado e deverá ser intimado para prestar depoimento.
Todo o material apreendido, assim como os elementos produzidos durante a investigação, será encaminhado à Polícia Federal para continuidade das apurações, já que a extração ilegal de ouro em leito de rio configura crime contra bens, serviços e interesses da União.
De acordo com o major Bruno, a Secretaria Municipal de Meio Ambiente foi responsável pela aplicação das multas administrativas e pela guarda dos bens apreendidos. Ele ressaltou ainda que os trabalhadores devem responder pelo crime de extração irregular de minério.
Já o gerente e o proprietário devem responder, além da extração ilegal, por empreendimento potencialmente poluidor, devido ao vazamento de óleo diesel no rio, e também por posse irregular de arma de fogo. Segundo o major, o proprietário ainda poderá responder pelo crime de submeter trabalhadores a condições análogas à escravidão.
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Altamente tóxico, mercúrio é encontrado em garimpo ilegal em rio de Goiás
Operação apreendeu 800 gramas de mercúrio. Proprietário do garimpo, identificado como um empresário de Caldas Novas, foi multado em R$ 1,4 milhão.