Moradores daIslândiavão às urnas neste sábado (29) para decidir se o país deve iniciar negociações para integrar a União Europeia (UE). Na mesa estão as investidas recentes de Donald Trump, incluindo as ameaças de tomar o controle da Groenlândia e o tarifaço contra outros países, além da guerra na Ucrânia.
Com cerca de 400 mil habitantes, a Islândia já tem laços fortes com a UE: o país faz parte do Espaço Econômico Europeu e do Espaço Schengen. Por outro lado, a ilha não tem poder para participar das decisões do bloco.
A Islândia já tentou entrar na União Europeia no passado. Em 2009, o país se candidatou a integrar o bloco após a crise econômica de 2008, mas abandonou as negociações anos depois, com a eleição de um governo contrário à medida.
A guerra na Ucrânia e as investidas recentes dos Estados Unidos contra outros países reacenderam na população o debate sobre a entrada na UE.
Ainda assim, a Islândia está dividida sobre se a integração traria mais vantagens do que prejuízos. Pesquisas apontam que os defensores e os opositores das negociações estão empatados. O governo vê o referendo como um "agora ou nunca".Veja, a seguir, os argumentos de cada lado.
A ministra das Relações Exteriores, Thorgerdur Gunnarsdóttir, disse que a votação se resume a uma pergunta simples: a Islândia ainda pode se dar ao luxo de ficar de fora em um mundo onde antigas certezas estão desmoronando?
"A ordem internacional que sustentou nossa segurança e nossa prosperidade por décadas está sob forte pressão", afirmou. "Em momentos como este, países pequenos precisam pensar com cuidado sobre onde estão e quem está ao lado deles."
❌Argumentos contrários:
"Eu acho que a Islândia estaria melhor fora da União Europeia", disse a ex-primeira-ministra Katrín Jakobsdóttir a jornalistas após participar de um evento da campanha pelo "não" em Reykjavik, na quinta-feira (27).
"Para um país como o nosso, com uma economia pequena, é muito importante manter nossa soberania e não transferir para a UE mais poder do que o necessário."
Diante da divisão, o governo da primeira-ministra Kristrún Frostadóttir trata a consulta como um momento de"agora ou nunca". Caso o "não" vença, o governo disse que não pretende voltar ao assunto.
Se o "sim" vencer, o governo irá reabrir as negociações com a União Europeia. A adesão definitiva dependeria de um segundo referendo popular, que poderia ser realizado daqui a dois anos.
As urnas da Islândia ficarão abertas das 9h às 22h, pelo horário local. Os resultados devem ser publicados nas horas seguintes. A votação é facultativa.
'Agora ou nunca': Islândia faz referendo sobre entrada na União Europeia de olho em Trump e guerra na Ucrânia
Votação deste sábado (29) não decide adesão ao bloco, mas pode abrir negociações. Enquanto parte do país vê integração como uma segurança, oposição teme pela indústria pesqueira.