Advogada acusada de matar ex-sogro e a mãe dele envenenados tem problemas de saúde mental, diz defesa

Advogada acusada de matar ex-sogro e a mãe dele envenenados tem problemas de saúde mental, diz defesa
Amanda Partata Mortoza, presa há dois anos, permaneceu em silêncio durante a audiência de instrução, em Goiânia. Defesa alega que as acusações dos crimes praticados contra o ex-namorado são 'infundadas'.
Amanda Partata Mortoza, a advogadaacusada de matar o sogro e a mãe dele envenenados, permaneceu em silêncio durante a audiência de instrução em relação aos crimes praticados contra o ex-namorado. De acordo com o advogado de defesa Rodrigo Faucz, ela possui“problemas de saúde mental e precisa receber o tratamento médico adequado”.

De acordo com o Tribunal de Justiça de Goiás (TJ-GO), a audiência foi realizada emGoiânia, na quinta-feira (5), e conduzida pelo juiz Luciano Borges da Silva. Neste processo, Amanda responde pelos crimes de perseguição, ameaça, extorsão e falsidade ideológica. O processo tramita de forma separada das acusações de homicídio.

Em nota, a defesa da acusada destacou que confia no judiciário para garantir um julgamento justo e imparcial. “Ficou claro na audiência que as acusações são infundadas”, afirmou o advogado(leia na íntegra ao final do texto).

Aog1, Rodrigo Faucz explicou que foram ouvidas duas testemunhas de acusação durante a audiência.“A Amanda Partata, por não ter condições psicológicas, ela não foi interrogada. Então, ela não falou nada”, destacou.

Em seguida, o juiz abriu um prazo de cinco dias para que a defesa e o Ministério Público de Goiás (MP-GO) apresentem as alegações finais. Posteriormente, o magistrado irá decidir se irá condenar ou absolver a advogada.

Sobre o caso de envenenamento, a defesa de Amanda aguarda a decisão acerca dos recursos contra a decisão que a levou a júri. Segundo o advogado, a previsão é de que o julgamento ocorra em 2027.

Amanda já está presa a dois anos. Durante a audiência, o juiz destacou que, entre os dias 27 de julho e 1º de setembro de 2023,“a denunciada Amanda, consciente e voluntariamente, perseguiu a vítima Leonardo, reiteradamente ameaçando a integridade física e psicológica, perturbando sua esfera de privacidade e liberdade”.

Além disso, a denúncia do MP aponta que Amanda teria usado uma falsa identidade para obter vantagem pessoal e causar prejuízo a terceiros. Ainda segundo a acusação, ela teria constrangido o ex-namorado, por meio de grave ameaça, com o objetivo de conseguir vantagem econômica indevida.

De acordo com a investigação, a advogada e o ex mantiveram um relacionamento amoroso que terminou em 30 de julho de 2023. Após o fim,motivada pela rejeição, a denunciada teria iniciado uma série de perseguições contra a vítima.

Segundo a Polícia Civil,o envenenamento aconteceu no dia 17 de dezembro de 2023, quando Amanda foi até a casa da família do ex-namorado levando um café da manhã, com pão de queijo, biscoitos, suco e bolos de pote. Conforme as investigações, a advogada fingia que estava grávida e era bem aceita na família.

Antes do crime, Amanda comprou 100 ml de um veneno e aplicou em dois bolos de pote. A quantidade, conforme a perícia, é suficiente para matar várias pessoas. Amanda também pesquisou na internet por "qual exame de sangue detecta" o veneno, "tem como descobrir envenenamento" e se a substância que ela colocaria nos potes tinha gosto.

Em depoimento, o tio do ex-namorado de Amanda, de 60 anos, afirmou que se recusou a comer o bolo de pote oferecido pela advogada porque perderia o apetite para o almoço. Já o marido de Luzia, de 82 anos,disse que não comeu por ter diabetes.

Em depoimento à Polícia Civil, o idoso revelou que a esposa também tinha a doença e que chegou a pensar em pedir que Amanda não desse o doce para Luzia. Mas segundo ele, como sempre foi muito simples, não teve coragem de desagradar a advogada. O idoso também disse que viu a esposa e o filho ‘agonizarem de dor’ após comerem bolos envenenados.

Em 2024, a Justiça decidiu queAmanda Partata irá a júri popular.Confira abaixo oscrimes dos quais ela é acusada:

Homicídio consumado triplamente qualificado (pelo motivo torpe, emprego de veneno e dissimulação) contra Leonardo Pereira Alves, pai do ex-namorado de Amanda.Homicídio consumado triplamente qualificado (pelo motivo torpe, emprego de veneno e dissimulação) e agravado pela idade contra Luzia Alves, avó do ex-namorado de Amanda.Homicídio tentado duplamente qualificado (pelo motivo torpe e pelo emprego de veneno) praticado contra o tio do ex-namorado de Amanda.Homicídio tentado duplamente qualificado (pelo motivo torpe e pelo emprego de veneno) e agravado pela idade da vítima contra o avô do ex-namorado de Amanda.

Exame de insanidade mental

Em abril de 2024, umexame de insanidade mentalconstatou que Amanda tinha plena consciência do que estava fazendo quando ofereceu alimentos contaminados às vítimas. O laudo, obtido com exclusividade pela TV Anhanguera, destacou ainda que a advogada agiu de forma organizada e planejada para praticar o crime.

“Nosso entendimento é que a periciada (Amanda) era plenamente capaz de se determinar sobre seus atos. (...) Em seus atos, claramente, podemos observar características de planejamento, premeditação e os cuidados para que sua intenção de cometer o ato ilícito não fosse descoberto”, dizem trechos do laudo.

A realização do exame foi umpedido da defesa de Amandae feito pela junta médica do Tribunal de Justiça de Goiás. Além de entrevistar a advogada, os médicos também ouviram a mãe dela, para entender como era o comportamento dela desde a infância.

Nota da defesa de Amanda Partata

A defesa de Amanda Partata, representada pelo advogado Rodrigo Faucz, informa que continua confiando no judiciário para garantir um julgamento justo e imparcial. Ficou claro na audiência que as acusações são infundadas e que, devido aos problemas de saúde mental, ela precisa receber o tratamento médico adequado.

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