AVolkswagenpassou a oferecer o SUV compacto Tera com o motor 200 TSI nas versões automáticas Comfort e Highline. O modelo recebeu o motor 1.0 turbo de três cilindros, que entrega 128 cv de potência e 20,4 kgfm de torque, combinado a uma nova transmissão automática de oito marchas.
Anteriormente, ambas as versões já contavam com motor 1.0 turbo, mas com 116 cv de potência e câmbio de seis marchas. Agora, as demais configurações do Tera mantêm essa motorização e são oferecidas exclusivamente com câmbio manual.
Com as mudanças mecânicas, a versão Comfort passa a custarR$ 134.790, o que representa um reajuste de R$ 1.600. Já a versão Highline ficou R$ 1.000 mais cara e agora é vendida porR$ 147.190. Com o pacote ADAS e a pintura bicolor, o Tera passa dosR$ 154 mil.
Og1testou a configuração topo de linha do Tera com o pacote Outline para descobrir se a potência extra e o novo câmbio elevam o modelo a um novo patamar, especialmente diante de concorrentes bastante interessantes na mesma faixa de preço.
A boa notícia é que o motor de 128 cv alterou pouco as médias de consumo de combustível do utilitário esportivo em relação à calibração anterior.
O rendimento melhorou no trânsito urbano e ficou ligeiramente menor em trajetos rodoviários.
O propulsor 200 TSI, que já integra a gama de outros modelos da marca, como o T-Cross, foi ajustado para entregar torque em baixas rotações.
A caixa automática de oito velocidades distribui as relações para manter o motor na faixa ideal de funcionamento em diferentes condições de rodagem.
O desenho do veículo e a lista de equipamentos permanecem.O modelo mantém painel digital, central multimídia VW Play Connect e suporte ao aplicativo Meu VW.Na versão Comfort, o ar-condicionado é do tipo convencional.
Ao entrar no Volkswagen Tera, a sensação é de estar diante do mesmo carro, inclusive na versão topo de linha. A marca não sinalizou visualmente as mudanças na recalibração do motor e na adoção do novo câmbio automático de oito marchas.
O pacote de equipamentos e os acabamentos continuam.
Com o carro ligado e em movimento, porém, é possível perceber que a Volkswagen, como já fez em outras oportunidades,conseguiu combinar bem o câmbio de oito marchas com o motor 200 TSI.
As trocas são suaves e aproveitam o giro do motor na faixa mais eficiente, o que proporciona, claro, retomadas melhores do que nas versões de 116 cavalos.
Nas reduções de marcha, não há trancos.Tudo funciona de maneira adequada. A direção e a suspensão também continuam bem executadas, como antes.
Mas haveria algum problema, então?A Volkswagen respondeu corretamente com essas novidades. O ponto é que ela deu a resposta certa para as perguntas erradas. Ao analisar o mercado atual, é possível perceber que o Tera e os concorrentes apontados pela própria VW estãodeslocados em relação ao que acontece no segmento.
Segundo Herlander Zola, CEO da Stellantis para a América do Sul (dona das marcas concorrentes da VW como Fiat e Jeep),montadoras tradicionais não previram a velocidade da eletrificação e perderam espaço para as chinesas.
Em outubro, por exemplo, a Hyundai já está fazendo uma promoção para o i20.Um lançamento global que chegou sem nenhuma tecnologia inédita e “brigando” com o próprio HB20.
Isso sem falar nos números baixos de vendas do Renault Kardian,que tem vários prêmios, mas é pouco visto nas ruas.
São fenômenos que estão ligados ao "efeito China", que também atinge os preços de carros seminovos,como og1já mostrou.
A resposta da Volkswagen para o segmento foi oferecer um câmbio mais moderno e um motor 1.0 com potência adequada.O problema é que essas não parecem ser os principais anseios dos clientes.
Na hora de escolher um carro entre R$ 130 mil e R$ 155 mil, o consumidor brasileiro encontra diversas opções de modelos eletrificados.
Veja alguns exemplos:
Quando aVolkswagen afirma que já trabalha na eletrificação de sua frota e promove mudanças globais em suas fábricas, incluindo demissõese uma revisão completa do portfólio, fica mais evidente o contexto em que este novo Tera foi desenvolvido.
A decisão de oferecer mais força e novo câmbio para o SUV compacto parece pertencer a outro momento.Um recorte no tempo em que a Volkswagen não dimensionou, pelo menos nos mercados brasileiro, a chegada dos fabricantes chineses, com preços agressivos, ampla oferta de modelos e volume de produção.
Portanto, sim, o Volkswagen Tera melhorou com o novo câmbio e a potência extra.Mas essa pode não ser a resposta que o cliente procura nessa faixa de preço.
Por enquanto,o modelo ainda faz sentido como uma opção de bom custo-benefícioe mantém bons números de vendas. Segundo dados da Bright Consulting, as versões Comfort e a versão High correspondem a 62% das vendas do Tera.Portanto, a atualização é importante.
Resta aguardar os próximos passos da Volkswagen e observar como o mercado vai se reorganizar em 2027, com as novas tecnologias que todas as marcas prometem trazer ao Brasil.
Lançado no Brasil em 2025, o Tera tornou-se o segundo SUV mais vendido do país em 2026, posicionado atrás do T-Cross. A fábrica de Taubaté (SP) alcançou o volume de 100 mil unidades produzidas do modelo em menos de um ano.
No mercado internacional, o veículo tornou-se o modelo mais exportado da marca no país em 2026. Entre janeiro e julho, a fabricante enviou 21.404 unidades do SUV para 17 mercados da América Latina.
Volkswagen Tera 200 TSI
Volkswagen Tera ganha motor mais forte e novo câmbio, mas vai ganhar dos chineses? O g1 testou
SUV ganhou motor de até 128 cv e câmbio automático de oito marchas, com preços que chegam a R$ 154 mil. O g1 avaliou se as melhorias bastam para enfrentar rivais mais baratos e eletrificados.