Salário não dá mais conta? Por que cada vez mais trabalhadores buscam um segundo emprego nos EUA

Salário não dá mais conta? Por que cada vez mais trabalhadores buscam um segundo emprego nos EUA
Pesquisa mostra que 80% da Geração Z e 77% dos millennials já tiveram alguma atividade paralela. Moradia, despesas do dia a dia e dívidas estão entre os principais obstáculos para poupar e acumular patrimônio.
A grana não está curta apenas no Brasil. Diante da alta do custo de vida e da dificuldade de acumular patrimônio, cada vez mais profissionais nos Estados Unidos recorrem a trabalhos freelancer, bicos e outras atividades para complementar a renda e manter as contas em dia.

É o que mostra uma pesquisa da Goldman Sachs Asset Management, realizada com 5.106 trabalhadores e aposentados dos Estados Unidos.Mais de 60% dos trabalhadores ouvidos já tiveram algum tipo de trabalho paralelo.

🔎 Entre os mais jovens, o movimento é ainda mais forte:80% dos integrantes da Geração Z (nascidos entre 1997 e 2012) e 77% dos millennials (entre 1981 e 1996) afirmam já ter recorrido a uma segunda fonte de renda.

Segundo a pesquisa, os trabalhos paralelos deixaram de ser apenas uma forma de ganhar mais para consumir ou realizar planos pessoais. Para muitos trabalhadores, tornaram-se uma necessidade.

Entre os entrevistados que buscam renda extra por razões financeiras:

Esse cenário também indica que ter um emprego regular não garante segurança financeira. Mesmo com uma ocupação fixa, muitos profissionais têm dificuldade para comprar um imóvel, formar patrimônio ou guardar dinheiro para o futuro.

O problema não está necessariamente na falta de renda. Segundo o estudo, as despesas essenciais passaram a pesar mais no orçamento.

Embora 65% dos trabalhadores afirmem que o emprego principal ainda é um caminho para alcançar estabilidade financeira, 27% dizem que a renda é suficiente apenas para pagar as despesas correntes.

Já 8% afirmam que nem mesmo com um emprego regular conseguem ter segurança financeira.

O custo de vida está consumindo uma fatia maior da renda

Parte dessa pressão vem do aumento das despesas essenciais. O estudo mostra que gastos associados a etapas tradicionais da vida adulta passaram a consumir uma parcela maior da renda nas últimas décadas.

A renda extra resolve um problema, mas cria outros desafios

Em muitos casos, a renda complementar ajuda a equilibrar o orçamento. Por outro lado, pode significarmenos tempo para descanso, qualificação profissional, convivência familiaredesenvolvimento da carreira.

Segundo a pesquisa, 53% dos trabalhadores afirmam que as preocupações financeiras prejudicam a concentração durante o expediente. Além disso, 31% disseram ter faltado ao trabalho no último ano por causa de problemas financeiros.

Outro dado chama a atenção: 34% dos entrevistados afirmam que provavelmente buscarão um novo emprego para melhorar sua situação financeira. Entre os mais jovens, o percentual chega a 48% na Geração Z e a 47% entre os millennials.

Os números indicam que a insatisfação financeira pode afetara produtividade, a retenção de talentos e a rotatividade de profissionais.

A pesquisa também mostra que a insegurança financeira não se restringe às faixas de renda mais baixas. Os pesquisadores identificaram uma espécie de curva em "U" na percepção de segurança financeira.

O estudo mostra que trabalhadores de renda mais elevada costumam relatar preocupações com amanutenção do padrão de vida, o aumento dasresponsabilidades financeirase a capacidade de sustentar esse nível de consumo naaposentadoria.

Quando falta dinheiro para fazer tudo ao mesmo tempo, muitos trabalhadores precisam escolher o que ficará para depois. Cerca de 70% dos entrevistados adiaram pelo menos uma meta financeira importante. Na Geração Z, o percentual chega a 83%; entre os millennials, a 78%.

O percentual de trabalhadores que aumentaram suas contribuições para a aposentadoria caiu de 55% em 2025 para 39% em 2026, uma das maiores quedas dos últimos anos, segundo o levantamento.

O resultado é um grupo de trabalhadores que continua perseguindo objetivos semelhantes aos das gerações anteriores, mas encontra um caminho mais longo e mais caro para alcançá-los.

O percentual dos que acreditam estar no caminho certo caiu:

Os números sugerem que a preocupação com o futuro permanece, mas sobra cada vez menos espaço no orçamento para se preparar para ele.