Primeiro-ministro da Espanha convoca eleições antecipadas diante da crise habitacional no país

Primeiro-ministro da Espanha convoca eleições antecipadas diante da crise habitacional no país
Novo pleito ocorrerá em novembro. Pedro Sánchez convocou eleições diante de onda de protestos após Parlamento rejeitar medidas do governo para enfrentar a crise habitacional; em Madri, cerca de 70 mil pessoas participaram do ato.
Diante da crise habitacional que bloqueou o Congresso e levou milhões de pessoas às ruas, o primeiro-ministro da Espanha,Pedro Sánchez, convocou nesta segunda-feira (5) eleições antecipadas no país.

O novo pleito ocorrerá em 29 novembro, anunciou Sánchez — o mandato atual do premiê duraria até o fim de 2027.

➡️ O anúncio ocorre em reação àrejeição do Parlamento espanhol, na semana passada, de um pacote de decretosdo governo para barrar o aumento de aluguéis na Espanha, que criou uma crise habitacional no país.

O despejo de uma idosa de 95 anos emMadride seu apartamento fez eclodir uma onda de protestos na capital espanhola e em todo o país, o que motivou o premiê, socialista, a elaborar o pacote de decretos habitacionais. No entanto, o Parlamento espanhol está atualmente fragmentado.

A votação antecipada é também uma aposta arriscada para Sánchez. Isso porque sua sigla, o Partido Socialista da Espanha (PSOE) está atrás em pesquisas de intençao de voto.

Uma derrota eleitoral significaria o fim de um dos últimos governos de esquerda da Europa, num momento em que a extrema direita conquista terreno sem precedentes em toda a região, enquanto uma parcela crescente do eleitorado europeu abandona o centro político.

Dezenas de milhares de pessoas foram às ruas de Madri e de outras cidades espanholas neste sábado (3)para cobrar medidas contra a crescente crise habitacional. Os protestos ocorreramum dia após o Parlamento rejeitar propostas apresentadas pelo governo.

Alguns manifestantes carregavam cartazes pedindo uma greve geral. As medidas rejeitadas haviam sido elaboradas após a revolta provocada pelodespejo de uma mulher de 87 anos em Madrie em meio a outros problemas relacionados à moradia.

“É uma vergonha”, disse Nando de Anguulo, de 26 anos, que participou do protesto em Madri. “Isso só prova que somos nós, o povo, que temos de nos adaptar aos partidos políticos, e não os políticos ao que o povo quer. E isso não pode continuar assim.”

Segundo os relatos, Sánchez estaria acompanhando a dimensão dos protestos deste sábado antes de tomar uma decisão.

O gabinete de Sánchez não quis comentar as informações. Na cidade deValência, no sudeste do país, manifestantes entraram em confronto com a polícia, que usou balas de borracha e gás lacrimogêneo para dispersar o ato.

Cerca de 30 manifestantes conseguiram entrar na Cidade das Artes e das Ciências, um importante complexo cultural local, mas foram retirados pela polícia. Outras manifestações em 50 cidades espanholas ocorreram de forma pacífica.

Valeria Racu, porta-voz da União dos Inquilinos, disse a jornalistas em Madri que uma greve geral será convocada após negociações com os sindicatos.

Segundo o governo espanhol,cerca de 70 mil pessoas participaram do atorealizado neste sábado (3) em Madri.

Os protestos previstos paraBarcelonae para a cidade vizinha de L'Hospitalet de Llobregatforam cancelados devido às fortes chuvas.