OPrêmio Nobelda Paz 2026 foi concedido à jurista sul-africanaNavanethem "Navi" Pillay, de 85 anos, anunciou o Comitê Norueguês do Nobel, em Oslo, nesta sexta-feira (10).
Ela foi laureada "por sua coragem e integridade excepcionais em sua atuação jurídica e por seus esforços para promover a paz e o direito internacional", afirmou o presidente do comitê, Jørgen Watne Frydnes. Além disso, Pillay:
"O compromisso de Navi Pillay com os princípios jurídicos universais e sua firme bússola moral são constantes ao longo de sua extensa carreira. Nascida em uma família de origem tâmil indiana, durante o apartheid, em Durban, na África do Sul, Pillay tornou-se advogada e pioneira no campo jurídico, enfrentando a profunda discriminação estrutural, a segregação e a exclusão", afirmou Frydnes.
Frydnespareceu alfinetar o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ao afirmar que a premiação a Pillay foi “uma mensagem àqueles que estão atacando e enfraquecendo o sistema internacional”.
Pillay foi a 21ª mulher a ser laureada com o Nobel da Paz, de um total de 144 vencedores. Ela tem uma carreira de cinco décadas como advogada e juíza.Leia mais abaixo.
A jurista sul-africana disse ter ficado surpresa com sua laureação e brincou, de forma irônica, sobre dividir o Nobel da Paz com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.Em um breve discurso, ela também defendeu os direitos humanos e lembrou que "sua coragem" também foi destacada quando o o relatório de genocídio em Gaza foi publicado.
Pillay foi informada sobre sua vitória do Nobel da Paz apenas após o anúncio, segundo Frydnes. Em seu discurso em Oslo, ele chegou até a brincar e pedir para que ela "atendesse o telefone".
Além de uma medalha de ouro com o perfil de Alfredo Nobel, fundador do prêmio,Pillay também receberá 12 milhões de coroas suecas (cerca de R$ 6 milhões).
A presidente do Tribunal Penal Internacional (TPI), Tomoko Akane, parabenizou Pillay pelo Nobel da Paz. A procuradora-geral adjunta do TPI, Nazhat Shameem Khan, que a premiação é "uma homenagem aos direitos humanos".
O Alto comissário da ONU para os Direitos Humanos, Volker Turk, afirmou que o Nobel da Paz a Pillay é "uma vitória coletiva dos direitos humanos e da justiça".
Navanethem Pillay começou sua carreira jurídica nos tribunais da África do Sul na época do Apartheid, sistema de segregação racial que dividia a população sul-africana por cor de pele e reservava a maior parte dos direitos políticos e civis à minoria branca. O regime segregacionista ocorreu entre as décadas de 1940 e 1990 no país africano.
O Congresso Nacional Africano (CNA), partido que liderou a luta contra o regime, descreve-a como uma ativista anti-apartheid cuja trajetória se confunde com a história da libertação do país.
Pillay garantiu que Nelson Mandela tivesse acesso a um advogadoquando ele estava preso e, por conta de sua atuação contra o Apartheid, ela foi nomeada por Mandela à Suprema Corte da África do Sul, o que a tornou a primeira mulher não branca a integrar o mais alto tribunal do país.
A partir de 1995, a carreira de Pillay se internacionalizou e ela se tornou juíza do Tribunal Penal Internacional (TPI), uma corte independente que julga crimes contra humanidade e crimes de guerra, e da Corte Internacional de Justiça (CIJ), principal tribunal da ONU e que resolve disputas entre Estados e preserva o direito internacional.
Ela presidiu o Tribunal Penal Internacional para Ruanda, criado para julgar os responsáveis pelo genocídio de 1994 naquele país africano.
Entre 2008 e 2014, Pillay ocupou o cargo de Alta Comissária da ONU para os Direitos Humanos, a principal autoridade da instituição multilateral dedicada a acompanhar violações cometidas por governos no mundo inteiro.
Mais recentemente, Pillay presidiu a Comissão Internacional Independente de Inquérito sobre o território palestino ocupado, Jerusalém Oriental e Israel, contratada pela ONU, que determinou que Israel cometeu genocídio na Faixa de Gaza durante os dois anos da guerra contra o grupo terrorista Hamas.
Perguntado por uma jornalista se a premiação a Navi Pillay foi um recado para o mundo, o presidente do Comitê Norueguês do Nobel confirmou e disse que a premiação a Pillay foi “uma mensagem àqueles que estão atacando e enfraquecendo o sistema internacional”.
“Esta é uma mensagem de que o direito internacional e suas instituições são fundamentais para um mundo mais pacífico. Portanto, esperamos que este prêmio também fortaleça as instituições e as pessoas, não apenas Navi Pillay, mas especialmente ela. Esta é uma mensagem para aqueles que não respeitam este tribunal. Com certeza. É uma mensagem para aqueles que estão atacando e enfraquecendo o sistema internacional, o sistema internacional baseado no Estado de Direito e suas instituições. Sem dúvida nenhuma”, afirmou Jørgen Watne Frydnes.
Ao todo, 287 candidatos foram indicados para o prêmio deste ano, incluindo 208 pessoas e 79 organizações, segundo o comitê do Nobel. No entanto, ninguém sabe quem eles são porquea lista de indicados é mantida em sigilo por 50 anosdentro de um cofre no porão do Instituto Nobel daNoruega, em Oslo.
O prêmio é escolhido pelo Comitê Nobel Norueguês, que é formado por cinco pessoas nomeadas pelo Parlamento da Noruega. O comitê, no entanto, não têm nenhum vínculo com o governo norueguês. Seus membros são frequentemente, mas não sempre, políticos aposentados.
Novamente, não deu para Trump
Trump, que é fascinado pelo Nobel da Paz, novamente não foi laureado neste ano. Elevoltou a defender sua candidaturanesta semana ao dizer que "impediu a destruição total do mundo".
Em 2025, ele pressionou o comitê norueguês para vencer o prêmio sob a alegação que havia terminado oito guerras, mas também não venceu. A Casa Branca, inclusive, fez uma campanha institucional para que Trump vencesse o Nobel.
Em janeiro deste ano, o presidente norte-americano enviou umacarta ao governo da Noruega em que culpou o país por não ter vencido e disse "não se sentir mais obrigado a pensar apenas na paz".
A vitória de Corina Machado em 2025 foi atribuída justamente à influência de Trump por ocorrer em meio à campanha de pressão contra o regime Maduro, que culminou meses depois com uma operação militar norte-americana em Caracas que depôs o ditador.Leia mais abaixo.
Polêmica com Nobel da Paz 2025
A política María Corina Machado, líder da oposição ao chavismo na Venezuela,venceu o Nobel da Paz de 2025. O Comitê do Nobel destacou sua luta pela democracia e pelos direitos humanos na Venezuela do regime Maduro.
Sua premiação, no entanto, foi rapidamente envolta em uma polêmica que teve o presidente dos EUA, Donald Trump, como um dos pivôs.Corina Machado deu sua medalha do Nobel da Paz ao presidente norte-americanoapós ele tê-la pressionado a fazê-lo e também em meio a uma investida da líder opositora venezuelana para assumir o poder na Venezuela com a ajuda dos EUA.
Apesar do gesto,Corina Machado foi preterida pela vice de Maduro, Delcy Rodriguez, para ficar no poder após a ação militar que derrubou Maduro.
Nobel da Paz 2026 vai para Navi Pillay, jurista sul-africana que julgou genocídio em Ruanda
'Pillay é um exemplo na promoção da paz e do direito internacional', segundo o Comitê do Nobel. Ela foi a primeira mulher não branca na Suprema Corte do seu país, presidiu o tribunal que julgou o genocídio em Ruanda e chefiou a área de direitos humanos da ONU.