Protestos naEuropacontra o alto custo de vida, a perda de poder de compra e a deterioração dos serviços públicos levaram milhares de pessoas às ruas da França,Itália,Bélgica,AlbâniaeEspanhaneste sábado (24).
Embora não façam parte de um movimento único, várias das manifestações refleteminsatisfação com as condições econômicas e com a resposta dos governosa problemas que afetam o dia a dia da população.
As reivindicações, porém, variam de país para país eincluem pautas políticas e sociais específicas.
Apesar das diferenças entre as pautas, parte das cobranças esbarra em um desafio comum:a capacidade dos governos de responder às demandas da população em um cenário de pressão sobre as contas públicas e o orçamento das famílias.
O aumento dos custos de energia e combustíveis encarece as despesas cotidianas, enquanto o endividamento elevado limita a margem para ampliar os gastos públicos.
Ao longo deste sábado, as manifestações também foram marcadas por confrontos entre policiais e grupos de manifestantes. A seguir, veja o que aconteceu em cada país e entenda as reivindicações que levaram a população às ruas.
Na França, onde os protestos começaram a cerca de um mês, com estudantes do ensino médio reivindicando melhoras na educação pública,milhares foram às ruas de norte a sul do país.
Na capital,Paris, segundo dados da polícia, cerca de 110 mil pessoas marcharam pacificamente. Não houve grandes incidentes como há uma semana, no entanto, ao final do ato, policiais tiveram que usar gás lacrimogêneo e canhões de água para dispersar pequenos grupos de jovens encapuzados.
EmMarselha, a segunda maior cidade do país, jovens arrastaram grandes chapas de metal para bloquear uma rua, atearam fogo em latas de lixo e atiraram pedras e garrafas contra a polícia antimotim.
Em Lyon, a terceira maior cidade francesa, apolícia usou gás lacrimogêneo para conter o início de tumultos, assim como em Pau, onde uma testemunha registrou em vídeo o momento em que uma correria começou depois que o gás foi lançado(veja abaixo).
De acordo com as agência de notícias AFP e Reutars,também houve protestos com pequenos incidentes em Lille, Toulouse, Nantes, Nice, Clermont-Ferrand, Bordeaux e Grenoble.
O Ministério do Interior francês afirma que 410 mil pessoas participaram dos protestos em todo o país, enquanto os sindicatos alegam que a participação foi o dobro.
Segundo o ministro Laurent Nunez,quase mil pessoas foram presas- cerca de 100 após buscas preventivas que também resultaram na apreensão de itens que poderiam ser usados como armas. Entre eles, bolas de metal, chumbinhos, fogos de artifício, estilingues, balas de aço, armas improvisadas, uma katana e armas de airsoft.
Um dia antes, em uma coletiva de imprensa, eleanunciou um esquema de segurança reforçado, com 70 mil policiais e agentes especiais mobilizadospara conter possíveis episódios deviolência, saques e depredações como os que ocorreram no sábado passado.
Embora as marchas contra o aumento do custo de vida "tenham transcorrido bem" nas cidades, os policiais se depararam posteriormente com "um nível extremamente elevado de violência" por parte de grupos "de extrema esquerda", disse Nunez a jornalistas.
NaItália, assim como na França, o governo reforçou a segurança para lidar com possíveis distúrbios causados pelas manifestações, que causaram muitos prejuízos no último sábado.
EmMilão, apesar do alto número de agentes do choque acompanhando a multidão, o protesto foi pacífico. Houve momentos de tensão, com centenas de pessoas entoando canções antifascistas e slogans contra a polícia, mas confrontos não foram registrados.
EmTurim, no entanto, houve tumulto e a polícia usou cassetetes e escudos para repelir os manifestantes que tentavam marchar pelo centro da cidade, perto da Piazza Castello.
Na capital belga,Bruxelas,agentes da polícia também foram flagrados agredindo manifestantes.
Imagens feitas pela agência de notícias Reuters mostram manifestantes correndo e caindo enquanto eram cercados pela polícia, epoliciais agredindo um deles com socos, chutes e golpes de cassetete.
A manifestação reuniu centenas de pessoas, por volta das 13h no horário local, na estação central para uma marcha em direção à estação ferroviária Gare du Midi.
Em Tirana, a capital albanesa, manifestantes atiraram muitas pedras contra os policiais, que usaram canhões e água para contê-los.
NaAlbânia, a população exige a renúncia do primeiro-ministro Edi Rama, acusado de corrupção.
"Os albaneses acordaram", disse o manifestante Daniel Tahiri, de 28 anos, que descreveu o governo como uma "ditadura com vestes de democracia".
No centro deMadri, a capital espanhola, cerca de 25 mil pessoas se reuniram para defender as aposentadorias públicas, a um mês das eleições legislativas.
A esquerda acusa a direita de querer abrir caminho para uma privatização parcial do sistema previdenciário.
A marcha percorreu aproximadamente dois quilômetros, sem incidentes, entre a estação de Atocha e a rua Alcalá.
Multidões protestam na França, Espanha, Itália, Bélgica e Albânia; confrontos incluem bombas, pedras e prisões
Atos têm reivindicações distintas, que vão de melhorias nos serviços públicos e defesa das aposentadorias ao combate à corrupção; na França, quase mil pessoas foram presas.